Garanhuns definitivamente virou a terra dos festivais. E quem ainda não percebeu isso está olhando para o calendário da cidade com os olhos fechados.
Tem festival para praticamente todo gosto. Tem música, cultura, tradição, rock, forró, jazz, gastronomia e agora um segmento que, por muito tempo, ficou meio que esperando sua vez: o público religioso.
E o Viva Jesus 2026 mostrou que esse público não veio para fazer figuração.
A primeira noite católica, na sexta-feira (18), levou oração, música e uma multidão para a Praça Mestre Dominguinhos. Padres, ministérios, cantores e nomes conhecidos da música católica transformaram o espaço em um grande encontro de fé.
E aqui está o detalhe que merece ser colocado NA LUPA: existe um público religioso enorme, fiel e participativo que também quer evento, quer estrutura, quer música e quer ocupar os espaços públicos da cidade.
O Viva Jesus percebeu isso.
A noite começou com os padres Leandro e Evandro, do Vicariato Centro, passou por Rômulo Pereira e pelo Ministério Mãe do Perpétuo Socorro, ganhou o tempero nordestino de William Sanfona e terminou com Padre Fábio de Melo.
Ou seja: não foi simplesmente colocar um palco e contratar atrações religiosas.
Foi criada uma programação com identidade.
William Sanfona, inclusive, mostrou que o velho e bom forró também pode ser instrumento de evangelização. O artista levou a música católica para dentro da sonoridade nordestina e resumiu sua visão em uma frase que diz muito sobre a proposta: “Em Jesus você encontra tudo”.
E quando Padre Fábio de Melo entrou no palco, a praça mostrou que o Viva Jesus não está falando para meia dúzia de pessoas.
Está falando para uma parcela importante da população.
No sábado, a receita mudou, mas o endereço permaneceu o mesmo.
The Cross Band colocou o rock cristão na praça. O Grupo Atraídos veio com pagode. Leandro Borges trouxe o gospel e, para fechar, a Oficina G3 colocou o peso do rock cristão no palco.
É aí que mora o pulo do gato.
O Viva Jesus não está tentando ser uma cópia de outro festival de Garanhuns. Está ocupando um espaço diferente.
E espaço ocupado em festival é espaço disputado.
Quem acompanha a movimentação cultural da cidade sabe que festival não é apenas show. Festival movimenta praça, comércio, vendedores, hotéis, restaurantes, transporte, ambulantes e, principalmente, cria uma relação afetiva com determinados públicos.Por isso, quando um evento consegue reunir pessoas em torno de uma identidade específica, ele deixa de ser apenas uma programação no calendário e começa a ganhar vida própria.
O Viva Jesus está fazendo exatamente isso.
E talvez seja justamente aí que esteja o aspecto mais interessante dessa história: Garanhuns está aprendendo a conversar com públicos diferentes sem precisar colocar todo mundo dentro da mesma embalagem.
Quem gosta de jazz tem seu espaço.
Quem gosta de música nordestina tem seu espaço.
Quem gosta de cultura popular tem seu espaço.
Quem gosta de rock tem seu espaço.
E quem vive a fé através da música também quer o seu.
NA LUPA: o calendário de Garanhuns está ficando grande demais para caber em um único festival.
A cidade percebeu que festival gera movimento, cria identidade e coloca Garanhuns novamente no centro das atenções.
Agora tem um detalhe que não pode ser ignorado: o público religioso também quer ser protagonista.
E o Viva Jesus mostrou isso sem precisar gritar.
Bastou abrir as portas.
Neste domingo (20), a programação chega ao fim com Banda Sete Tons, Cristóvão Ruy, Thiago Brado e Padre Alessandro Campos, a partir das 17h.
Mais uma noite de música e fé.
E, pelo andar da carruagem, mais um capítulo da cidade que decidiu assumir de vez o título de terra dos festivais.
No fim das contas, a grande sacada talvez seja simples: Garanhuns não precisa escolher um único público. Pode ter vários. E cada um deles pode ter seu próprio festival.
É o jogo dos festivais.
E Garanhuns parece ter aprendido a jogar.