sábado, 7 de novembro de 2026

GOIANA ABRE 36ª EDIÇÃO DOS JOGOS ESCOLARES COM PARTICIPAÇÃO DE 24 ESCOLAS E 2,6 MIL ESTUDANTES

A Prefeitura de Goiana realizará, nesta terça-feira (10), a abertura oficial da 36ª edição dos Jogos Escolares de Goiana (JEGO 2026). A cerimônia está marcada para às 18h, no Ginásio Municipal Tancredo Neves, e reunirá representantes das escolas das redes municipal, estadual e particular de ensino.
Neste ano, os jogos contemplam cerca de 2.600 estudantes, com idades entre 7 e 17 anos, de 24 escolas participantes. A programação esportiva será realizada de 10 a 30 de novembro, nos dias úteis, com disputas em 10 modalidades: futebol, futsal, voleibol, handebol, fut 7, natação, atletismo, vôlei de praia, xadrez e dama.

A cerimônia de abertura contará com a entrada das delegações de cada instituição, que receberão o troféu de participação. Também haverá a execução dos hinos de Goiana, de Pernambuco e do Brasil, além de uma apresentação cultural que está sendo articulada junto à Secretaria de Turismo, Cultura e Proteção ao Patrimônio Histórico e Cultural.

Um dos momentos marcantes da noite será a homenagem à professora de Educação Física Lusmendia Silva Ribeiro dos Santos, que iniciou sua trajetória profissional em 1977, atuou em diversas unidades de ensino do município e, atualmente, está aposentada pelas redes estadual e municipal.

Uma das novidades do JEGO 2026 será a descentralização do futsal, com partidas nas quadras de três escolas localizadas nos distritos de Ponta de Pedras, Tejucupapo e Gambá. Serão nove jogos no total, sendo três em cada localidade.

As disputas acontecerão nas quadras das escolas Manuel César de Albuquerque (Ponta de Pedras), Presidente Costa e Silva (Tejucupapo) e Capela de São Sebastião (Gambá). Em edições anteriores, a programação nos distritos contemplava apenas o futebol de campo. A expansão para o futsal fortalece a participação das comunidades e aproxima o esporte do cotidiano dos alunos.

De acordo com o secretário de Esportes de Goiana, André Rabicó, mais do que uma competição, os Jogos Escolares representam uma oportunidade de aprendizagem e desenvolvimento para crianças e jovens. "A prática esportiva contribui para o condicionamento físico, estimula a memória, a atenção e a capacidade de resolver problemas, além de favorecer o desempenho escolar", destaca.

Para o secretário, a participação nos jogos também ajuda a desenvolver habilidades socioemocionais. "Valores como cooperação, respeito mútuo, liderança e resiliência diante de vitórias e derrotas são trabalhados na prática. Dessa forma, o JEGO se consolida como uma importante ferramenta pedagógica, promovendo integração e formação cidadã", completa Rabicó.

As inscrições para participar do JEGO 2026 foram realizadas entre os dias 1° e 28 de outubro. As disputas serão divididas por faixas etárias nas categorias de 7 a 9 anos, 10 a 12 anos, 13 a 14 anos e 15 a 17 anos.

GARANHUNS: GIL PM TEM NOME BEM RECEBIDO, MAS DÉBORA ALMEIDA ESCLARECE QUE NÃO HÁ INDICAÇÃO FORMAL PARA A 5ª CIRETRAN

Depois da repercussão da notícia sobre a possível chegada do ex-vereador Gil PM à chefia da 5ª CIRETRAN, em Garanhuns, o Blog do Edney recebeu um esclarecimento diretamente do gabinete da deputada estadual Débora Almeida.

O contato teve como objetivo apresentar os devidos esclarecimentos sobre a informação que ganhou repercussão em Pernambuco e evitar interpretações antecipadas sobre uma eventual indicação.

Um ponto, porém, merece ser destacado: Gil PM é, sim, um nome bem avaliado. A deputada Débora Almeida reconhece nele um grande quadro, com experiência política, conhecimento da realidade de Garanhuns e trajetória na vida pública. Seu nome foi muito bem recebido e continua sendo uma possibilidade dentro das futuras conversas políticas.

O que precisa ficar claro é que não existe, neste momento, uma indicação formal de Débora Almeida para a chefia da 5ª CIRETRAN. As discussões sobre espaços e composição política do próximo mandato ainda deverão acontecer no momento oportuno, dentro do processo natural de organização da nova gestão estadual.

Isso não significa que Gil PM esteja fora das possibilidades. Pelo contrário: a boa receptividade ao seu nome demonstra que ele pode, sim, estar entre os quadros considerados quando as definições avançarem.

Outro aspecto importante diz respeito ao cenário político regional. Até fevereiro, os espaços e os quadros ligados à representação de Garanhuns na Assembleia Legislativa continuam tendo como referência o deputado Izaías Régis, que permanece no exercício do mandato e mantém sua participação nas articulações políticas da região.

O Blog do Edney procurou esclarecer a informação e ouviu o gabinete da deputada justamente porque nosso compromisso é com a verdade dos fatos. Uma possibilidade não pode ser apresentada como indicação oficial, assim como a ausência de uma indicação neste momento não significa rejeição a um nome.

NA LUPA: Gil PM não está descartado, Débora Almeida não formalizou indicação e as definições para o próximo mandato ainda terão seu momento de discussão. É importante separar reconhecimento político de decisão administrativa. O nome de Gil foi bem recebido, mas a confirmação de qualquer espaço depende das conversas e dos entendimentos que ainda virão.

O Blog do Edney segue trabalhando com responsabilidade, ouvindo os envolvidos e levando ao leitor a informação com transparência. Porque informar também é corrigir o rumo quando novos esclarecimentos chegam.

Blog do Edney — a notícia verdade!

TORNOZELEIRA, DINHEIRO E PROMESSAS À MARGEM DA LEI: POLÍCIA APONTA ESQUEMA DE EXTORSÃO ENVOLVENDO DEPUTADO ESTADUAL ELEITO

As investigações da Polícia Civil revelaram detalhes graves sobre o caso envolvendo o deputado estadual eleito e influenciador digital Emerson Freitas, investigado por suspeita de extorsão majorada, exploração de prestígio e lavagem de capitais. O caso ganhou novos contornos após a divulgação de áudios e informações sobre a suposta cobrança de dinheiro a traficantes para impedir a publicação de denúncias contra eles e seus familiares.

Emerson responde ao processo em liberdade, mas não está livre das restrições impostas pela Justiça. Entre as medidas cautelares determinadas estão o uso de tornozeleira eletrônica, inicialmente por 30 dias, o comparecimento mensal em juízo e a proibição de manter contato com vítimas e testemunhas.

Segundo a Polícia Civil, os áudios reunidos durante a investigação indicam que o influenciador cobrava valores de integrantes do tráfico de drogas em troca do silêncio. A suspeita é de que ele utilizava o discurso de suposta influência nos bastidores do Judiciário e do Ministério Público para convencer os investigados de que poderia interferir em decisões envolvendo a transferência de presos para unidades federais fora de Pernambuco.

O problema é que, conforme apurado pelo Grupo de Operações Especiais (GOE), em conjunto com o Ministério Público, essa influência simplesmente não existia. A investigação aponta que Emerson usava a promessa de acesso a autoridades como argumento para obter vantagens financeiras.

Um dos episódios identificados pelos investigadores envolve o pagamento de R$ 20 mil em dinheiro vivo por uma das vítimas. Mas, de acordo com a apuração, a cobrança não terminava ali. Emerson e uma prima, também apontada como participante do esquema, teriam exigido pagamentos mensais de até R$ 2 mil, por tempo indeterminado, para evitar a divulgação de denúncias contra familiares dos envolvidos com o tráfico.

O delegado Jorge Pinto afirmou que existem provas consistentes da prática investigada e destacou que os policiais conseguiram identificar pelo menos três elementos concretos relacionados às cobranças.

A investigação também aponta que, depois de receber os R$ 20 mil, o investigado teria solicitado uma revisão dos termos do acordo, ampliando as exigências financeiras.

O caso coloca sob questionamento a atuação de alguém que conquistou visibilidade nas redes sociais e agora aparece no centro de uma investigação criminal de grande repercussão. A condição de deputado estadual eleito não o coloca acima da lei, assim como a exposição pública não substitui a necessidade de prestar contas à Justiça.

As acusações ainda serão submetidas ao devido processo legal, e Emerson tem direito à ampla defesa e à presunção de inocência. Mas os elementos apresentados pela Polícia Civil são graves e precisam ser esclarecidos até as últimas consequências.

NA LUPA: Quando alguém promete vender influência sobre a Justiça, cobrar pelo silêncio e transformar denúncias em moeda de troca, a sociedade tem o direito de exigir respostas. Mandato não é salvo-conduto, popularidade não é imunidade e ninguém pode estar acima da lei.

Reforce a cautela jurídica no textoDeixe o título mais objetivoReduza repetições sobre a investigação

AMBULÂNCIAS ESQUECIDAS E EQUIPAMENTOS SEM USO: RICARDO DE GULU EXPÕE PROBLEMAS NA SAÚDE DE SÃO LOURENÇO E MPPE ABRE INVESTIGAÇÃO

A saúde pública de São Lourenço da Mata entrou em uma zona de questionamentos que a Prefeitura não pode simplesmente ignorar. O vereador Ricardo de Gulu trouxe à tona uma denúncia envolvendo ambulâncias abandonadas, equipamentos públicos sem utilização e possíveis falhas no aproveitamento de estruturas disponibilizadas para atender à população.

O que deveria estar nas ruas, transportando pacientes e garantindo assistência a quem precisa, aparece nas imagens divulgadas pelo parlamentar em condições que levantam dúvidas sobre a conservação e a destinação do patrimônio público. Entre os veículos apontados está uma ambulância relacionada ao programa estadual Colo de Mãe, que, segundo o vereador, teria passado por descaracterização.

A denúncia não se limita à existência de veículos parados. Ricardo de Gulu também questiona o que estaria acontecendo com serviços e equipamentos disponibilizados pelo Governo de Pernambuco ao município. A cobrança é direta: se existem estruturas e instrumentos destinados a melhorar a assistência à população, por que não estariam cumprindo plenamente sua finalidade?

O assunto já ultrapassou os limites do debate político. O Ministério Público de Pernambuco instaurou inquérito civil para apurar a situação da frota municipal. Os números ajudam a dimensionar a gravidade do problema: dos 24 veículos informados pela Secretaria de Saúde, somente sete estavam em funcionamento. Quinze permaneciam parados para manutenção e outros dois eram considerados inutilizáveis.

Na prática, isso significa uma frota com menos de um terço dos veículos em operação, justamente em um serviço no qual disponibilidade e rapidez podem fazer diferença na vida de quem depende do atendimento público.

A investigação do MPPE busca esclarecer as condições de conservação dos veículos, possíveis prejuízos ao patrimônio público e eventuais responsabilidades administrativas. Até o momento, a abertura do inquérito representa uma apuração, não uma condenação dos gestores.

O episódio também precisa ser observado em conjunto com outro problema identificado pelo Tribunal de Contas de Pernambuco. Em auditoria envolvendo contratos de transporte da Prefeitura, referentes a 2023 e 2024, o TCE apontou inconsistências na execução dos serviços, divergências entre os veículos contratados e os efetivamente disponibilizados e falhas no controle dos pagamentos. A decisão da Segunda Câmara foi pela irregularidade dos contratos analisados, com aplicação de multas aos responsáveis e determinação de providências administrativas.

São situações distintas, mas que colocam a estrutura de transporte municipal sob uma mesma pergunta: como a administração está planejando, contratando, fiscalizando e preservando os veículos que deveriam atender à população?

O prefeito Vinícius Labanca (PSB) tem uma responsabilidade política e administrativa de apresentar respostas. É preciso explicar por que tantos veículos ficaram fora de circulação, quais providências foram adotadas para recuperar a frota e qual é a situação real da ambulância vinculada ao programa Colo de Mãe.

Também é necessário esclarecer o destino dos equipamentos estaduais mencionados pelo vereador. Recursos públicos, sejam municipais ou estaduais, não podem terminar transformados em patrimônio sem finalidade prática.

Ricardo de Gulu coloca o dedo em uma questão que merece ser tratada sem disputa partidária: a população não pode pagar a conta da falta de planejamento, de manutenção ou de fiscalização. Quem precisa de uma ambulância não quer saber de justificativa política. Quer atendimento.

São Lourenço da Mata precisa de explicações documentadas, providências concretas e transparência. O Ministério Público investiga, o Tribunal de Contas já apontou problemas em contratos de transporte e agora a denúncia do vereador amplia a pressão sobre a administração municipal.

Uma ambulância parada não é apenas um veículo fora de circulação. É uma estrutura pública que deixa de cumprir sua finalidade. E, quando o assunto é saúde, o tempo perdido pode custar muito caro.

O Blog do Edney mantém aberto o espaço para manifestação da Prefeitura de São Lourenço da Mata, do prefeito Vinícius Labanca, da Secretaria Municipal de Saúde e do Governo de Pernambuco.

Edney Souto | Blog do Edney

DE REPENTE, TODO MUNDO VIROU EDÉZIO? O QUE MUDOU: A POLÍTICA OU AS PORTA$ DA PREFEITURA?

A política de Bom Conselho parece estar vivendo uma temporada de reencontros, conversões e descobertas de afinidades. Uma matéria publicada recentemente apresenta a aproximação de Léo Guimarães, André Ricardo, Deda, Socorro Marinho, Eudes Torres e outras lideranças ao grupo do prefeito Edézio Ferreira como um movimento de fortalecimento político. Tudo muito bonito no papel. Mas, na política, nem toda aproximação merece ser confundida com convicção.

A pergunta que fica é simples: o que aconteceu para que algumas pessoas, que até pouco tempo tinham outros caminhos, outras posições e talvez outras avaliações sobre a administração municipal, passassem a enxergar tantas qualidades no projeto de Edézio?

Será que o prefeito ficou mais simpático depois do resultado das eleições? Será que a derrota eleitoral mudou o ambiente político? Ou será que as portas da Prefeitura começaram a parecer mais convidativas?

E o sorriso do dentista, será que também ficou mais aberto para receber antigos adversários?

É claro que qualquer liderança tem o direito de rever posições, mudar de grupo e construir novas alianças. Isso faz parte da democracia. O problema começa quando uma mudança de lado é apresentada como uma grande união de propósitos, sem que ninguém explique quais ideias, compromissos ou projetos justificam essa repentina afinidade.

Afinal, o que essas lideranças passaram a defender em comum? Quais propostas foram construídas? Que compromissos foram assumidos com a população? Ou estamos diante de mais uma daquelas fotografias políticas em que todos aparecem sorrindo, mas ninguém explica exatamente o motivo do encontro?

Também chama atenção a tentativa de apresentar a chegada de nomes conhecidos como uma demonstração automática de fortalecimento. Quantidade de aliados não significa, necessariamente, qualidade de projeto. E juntar pessoas em torno de um prefeito não é a mesma coisa que apresentar um projeto convincente para Bom Conselho.

A população merece mais do que anúncios de adesões e movimentações de bastidores. Merece saber o que está sendo negociado politicamente, quais são os compromissos assumidos e, principalmente, o que muda na vida do município.

Porque, se a política é feita de escolhas, também precisa ser feita de coerência. Mudar de opinião é legítimo. O que não pode é querer que a população esqueça o que se dizia ontem apenas porque hoje o endereço das conversas mudou.

NA LUPA: Em Bom Conselho, parece que algumas afinidades políticas estão florescendo fora de época. Resta saber se são frutos de convicção, de conveniência ou de alguma nova descoberta sobre as maravilhas do poder municipal.

Uma coisa é certa: na política, ninguém precisa justificar uma mudança de lado, mas precisa estar preparado para explicar por que mudou.

Por Edney Souto 

JUSTIÇA DERRUBA LIMINAR E IMPEDE RETOMADA DE TRÊS CASAS DE APOSTAS NO BRASIL

Decisão do TRF3 atende a recurso da AGU e reforça aplicação uniforme das restrições impostas pelo governo federal às plataformas de apostas online.
A tentativa de três casas de apostas de voltar a operar no Brasil sofreu um novo revés na Justiça Federal. Nesta sexta-feira (6), o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) suspendeu a liminar que autorizava a retomada das atividades das plataformas Casa de Apostas, Betsul e Jogo Online, pertencentes à empresa CDA Gaming Ltda.

A decisão foi tomada pelo presidente do TRF3, desembargador Johonsom Di Salvo, após recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU). Com isso, as três plataformas ficam novamente impedidas de funcionar, conforme as restrições estabelecidas pela medida provisória do governo federal.

A reviravolta acontece apenas um dia depois de a desembargadora Adriana Pileggi conceder uma liminar favorável à CDA Gaming, suspendendo, exclusivamente para as empresas do grupo, os efeitos da medida provisória que restringe o funcionamento das casas de apostas esportivas e cassinos online no país.

Ao analisar o recurso da AGU, Di Salvo argumentou que as regras estabelecidas pelo governo precisam ser aplicadas de maneira uniforme a todas as empresas do setor. Para o magistrado, permitir que determinadas plataformas continuem funcionando enquanto outras permanecem impedidas criaria uma situação de insegurança jurídica.

Na avaliação do desembargador, a manutenção da liminar poderia provocar uma instabilidade normativa incompatível com a condução de uma política pública de alcance nacional.

O magistrado também destacou que, quando existe conflito entre interesses privados e valores coletivos, deve prevalecer o interesse público, principalmente diante de riscos de danos graves e de difícil reparação.

Não é a primeira vez que o presidente do TRF3 toma uma decisão semelhante. Em outubro, ele já havia suspendido uma liminar que permitia a retomada das atividades da plataforma Stake Brasil.

DISPUTA AINDA ESTÁ NO STF

A discussão sobre a legalidade das restrições impostas às plataformas de apostas também chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Atualmente, quatro ações questionam a medida provisória e estão sob a relatoria do ministro Luiz Fux.

Nesta semana, o Supremo realizou uma audiência pública para discutir os impactos e a constitucionalidade das regras que atingem o mercado de apostas online.

Até que haja uma definição judicial, o entendimento reforçado pelo TRF3 aponta para a aplicação das restrições de maneira igualitária, sem privilégios individuais para determinadas empresas.

A disputa está longe de terminar e coloca em lados opostos os interesses econômicos das plataformas de apostas, a regulamentação do setor e a política pública de proteção da sociedade.

FLÁVIO BOLSONARO TENTA VENDER DISCURSO DE FRAUDE AO NEW YORK TIMES, MAS ACABA CONFRONTADO COM OS FATOS

Derrotado por Lula, senador insiste em questionar as urnas sem apresentar provas, admite que levará para o túmulo os detalhes de sua saída do Brasil e vê sua própria versão confrontada pela apuração do jornal americano.
Flávio Bolsonaro atravessou fronteiras, chegou a Miami e conseguiu espaço em um dos jornais mais influentes do planeta. Mas a entrevista concedida ao The New York Times, publicada nesta quinta-feira (5), acabou colocando sob os holofotes justamente aquilo que o senador parece querer evitar: as contradições de seu discurso depois da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em vez de encontrar respaldo para sua narrativa eleitoral, Flávio viu suas acusações de fraude serem apresentadas pelo jornal como infundadas. O parlamentar voltou a levantar suspeitas sobre o resultado das urnas, mas não apresentou provas capazes de sustentar a tese de que a eleição foi roubada.

A situação fica ainda mais delicada porque o próprio PL reconheceu o resultado eleitoral e não está contestando oficialmente a vitória de Lula. Ou seja, enquanto o senador continua alimentando suspeitas, sua própria legenda não acompanha integralmente essa narrativa.

Um dos argumentos apresentados por Flávio envolve a prorrogação do horário de votação em algumas localidades. O problema é que os números não sustentam a dimensão da acusação: aproximadamente 34 mil votos foram registrados nesse período, enquanto a diferença entre Lula e o candidato derrotado chegou a cerca de 4,4 milhões de votos.

Mas foi quando o assunto passou da eleição para sua saída do Brasil que a entrevista ganhou contornos ainda mais constrangedores.

Flávio afirmou que organizou sozinho a viagem para os Estados Unidos e negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros. Quando questionado sobre os detalhes do deslocamento, respondeu com uma frase que acabou virando manchete: "Como cheguei aqui, levarei isso para o túmulo comigo".

A explicação não encerrou o assunto. Pelo contrário. O próprio *New York Times* apresentou informações de autoridades americanas segundo as quais um funcionário da Casa Branca providenciou o jato que transportou o senador, enquanto a entrada da família nos Estados Unidos teria sido autorizada diretamente pelo presidente Donald Trump.

A versão de Flávio, portanto, ficou diante de uma contradição pública: ele diz que fez tudo sozinho, mas a apuração do jornal aponta para a participação de pessoas ligadas ao governo americano na operação.

A viagem percorreu aproximadamente oito mil quilômetros, passando por países da América do Sul até chegar a Miami. Flávio deixou o Brasil depois da derrota eleitoral e em meio a uma determinação judicial para entregar seus passaportes, relacionada a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. O senador não foi acusado criminalmente nesse caso e nega irregularidades.

Do outro lado da entrevista, também ficou evidente que a derrota eleitoral não encerrou suas ambições. Mesmo instalado nos Estados Unidos, Flávio pretende continuar interferindo no debate político brasileiro, mantendo contato com aliados e sem descartar uma nova candidatura presidencial.

A ironia política é difícil de ignorar: o senador quer continuar disputando os rumos do Brasil, mas faz isso de Miami, questionando uma eleição cujo resultado seu próprio partido reconheceu e sem apresentar provas das acusações que repete.

O episódio mostra que conseguir uma entrevista em um grande jornal internacional não significa conquistar o aval editorial da publicação. O *New York Times* deu espaço ao senador, mas também colocou suas declarações diante de informações, números e contradições.

No fim, Flávio conseguiu levar sua versão ao exterior. O que não conseguiu foi transformar suspeitas em provas. E, quando o assunto é democracia, não basta perder uma eleição, atravessar uma fronteira e continuar dizendo que o resultado foi injusto. É preciso demonstrar aquilo que se acusa.

A urna deu o resultado. O jornal fez as perguntas. E as respostas de Flávio acabaram abrindo ainda mais questionamentos.

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DELEGADO AFIRMA QUE HÁ PROVAS CONTRA DEPUTADO ELEITO EMERSON FREITAS

O delegado-adjunto do Grupo de Operações Especiais (GOE), Jorge Pinto, afirmou que a Polícia Civil de Pernambuco reuniu provas contra o deputado estadual eleito Emerson Freitas (MDB), investigado por suspeita de extorsão.

Em entrevista à TV Guararapes, nesta sexta-feira (6), o delegado disse que foram encontrados diálogos, áudios e depoimentos que apontariam cobranças de dinheiro para evitar publicações nas redes sociais ou retirar conteúdos já divulgados.

Segundo a investigação, um dos episódios envolve o recebimento de R$ 20 mil em espécie. O delegado também relatou uma suposta proposta de pagamento mensal de R$ 2 mil para manter o silêncio.

A Polícia Civil investiga ainda suspeitas de exploração de prestígio e lavagem de capitais. Jorge Pinto também afirmou que Emerson foi formalmente intimado para prestar depoimento, contrariando a versão da defesa de que ele teria comparecido espontaneamente.

Emerson teve a prisão preventiva decretada em 29 de outubro, mas a decisão foi posteriormente revogada. Ele permanece em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica.

Eleito com 49.254 votos, o emedebista segue sob investigação. As acusações ainda serão submetidas à apreciação da Justiça, e a defesa tem direito ao contraditório e à ampla defesa.