sexta-feira, 2 de outubro de 2026

NA LUPA 🔎 | O “PODE CORTAR NÃO” QUE CAIU NO COLO DE JOÃO CAMPOS

A eleição em Pernambuco entrou na reta final e, quando parecia que a campanha já tinha colocado todas as cartas na mesa, uma nova revelação joga mais combustível no debate sobre a escolha de Carlos Costa para vice de João Campos.

A frase é curta, mas politicamente pesada: “Pode cortar não.”

Segundo reportagem da revista VEJA, a declaração teria sido dada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, ao advogado Luiz Rennó, em uma conversa registrada em relatório de investigação da Polícia Federal. O assunto era um contrato de R$ 100 mil mensais envolvendo a RI Consulting, empresa que tinha Carlos Costa como sócio e administrador.

A conversa teria ocorrido em fevereiro de 2025. Rennó pergunta a Vorcaro se deveria manter o pagamento. Na mensagem, segundo a VEJA, ele explica que Carlos Costa tinha contrato de R$ 100 mil por mês para acompanhamento de projetos de lei e legislação. O advogado ainda menciona a ligação da família com o então ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, irmão de Carlos.

A resposta atribuída a Vorcaro veio direta: “Ah, sim. Pode cortar não.” 

E é justamente aí que a história ganha dimensão política.

Não se trata apenas de saber que uma empresa ligada ao atual candidato a vice de João Campos recebeu dinheiro do Banco Master. Isso já havia vindo a público anteriormente. O que a nova revelação acrescenta é uma conversa atribuída ao próprio banqueiro indicando que o pagamento deveria ser preservado.

A pergunta que inevitavelmente chega à campanha de João Campos é simples: qual era exatamente a natureza dessa relação e por que aquele contrato de R$ 100 mil mensais era tratado dessa maneira pelo comando do Banco Master?

A documentação e as reportagens disponíveis mostram que a RI Consulting tinha Carlos Costa em posição central durante o período dos pagamentos. Uma alteração contratual de outubro de 2023 atribuiu a ele 90% das quotas da empresa e a administração. Em março de 2026, já durante a preparação para a disputa eleitoral, Carlos deixou a sociedade e transferiu sua participação ao pai, Silvio Costa. 

Os números também chamam atenção.

Reportagens anteriores apontaram que a RI Consulting recebeu pelo menos R$ 1,1 milhão do Banco Master. Levantamentos posteriores indicaram que o total poderia chegar a R$ 2 milhões, referentes a 20 pagamentos de R$ 100 mil. 

A explicação apresentada por Silvio Costa é que não havia nada de irregular na relação comercial. Segundo ele, a RI Consulting prestava serviços de consultoria política e empresarial e, no caso do Master, acompanhava a tramitação da reforma tributária e projetos de lei no Congresso, estados e municípios. Ele também afirmou que eram produzidos relatórios mensais dos serviços prestados e negou reuniões com Banco Central, BRB ou outras instituições mencionadas nas investigações. 

Carlos Costa, por sua vez, afirmou que não conhece Daniel Vorcaro e atribuiu ao pai a condução da consultoria. A campanha de João Campos também não assumiu a relação comercial como sendo da campanha ou do candidato ao governo. Até aqui, não há informação pública nas fontes consultadas de que João Campos tenha recebido recursos do Banco Master ou mantido contrato com a instituição. 

Mas política é também uma questão de contexto.

E o contexto não ajuda a apagar o episódio.

As mensagens reveladas pela VEJA aparecem em uma sequência na qual Vorcaro e Rennó também conversam sobre articulações em Brasília e mencionam os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. É nesse ambiente que o nome de Carlos Costa aparece associado à necessidade de manutenção do contrato.

O assunto, naturalmente, chegou ao último debate entre Raquel Lyra e João Campos.

A governadora questionou João sobre a relação do seu candidato a vice com o Banco Master e perguntou se ele sabia da existência do contrato antes de convidar Carlos Costa para integrar a chapa. João, por sua vez, respondeu atacando questões envolvendo a vice de Raquel, Priscila Krause, mantendo o confronto no terreno das relações e questionamentos envolvendo os companheiros de chapa. 

NA LUPA

A questão central não é transformar uma relação empresarial em condenação política antes de qualquer conclusão das investigações. Também não é atribuir automaticamente a João Campos uma relação financeira que, pelas informações públicas consultadas, não está demonstrada.

A questão é outra.

Por que um contrato de R$ 100 mil mensais era considerado tão importante a ponto de, segundo a mensagem revelada pela VEJA, Daniel Vorcaro responder “pode cortar não”?

Essa é a pergunta que fica.

Carlos Costa deixou a administração da RI Consulting justamente quando entrou na disputa eleitoral. Antes disso, porém, esteve formalmente no comando da empresa durante parte relevante do período em que os pagamentos foram realizados.

Agora, a campanha de João Campos precisa conviver com uma palavra que entrou definitivamente no vocabulário eleitoral pernambucano: Master.

E com uma frase de apenas quatro palavras que promete continuar sendo repetida nos palanques até domingo:

“Pode cortar não.”

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

DATAFOLHA EMBARALHA A DISPUTA PELO SENADO EM PERNAMBUCO E MOSTRA ELEIÇÃO ABERTA NA RETA FINAL

A corrida pelas duas vagas de Pernambuco no Senado chega à reta final com um cenário que está longe de estar definido. A nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (1º), mostra Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) empatados numericamente com 19%, enquanto Mendonça Filho (PL) aparece com 12% e Eduardo da Fonte (PP) soma 10%.

O levantamento foi realizado entre os dias 28 de setembro e 1º de outubro, com 1.204 eleitores em 48 municípios pernambucanos. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. 

O retrato mais importante da pesquisa, porém, está além dos primeiros colocados. Mais da metade do eleitorado ainda não apresenta um nome na pesquisa espontânea: são 52% que dizem não saber em quem votar quando os candidatos não são apresentados. Isso revela o tamanho do espaço que permanece aberto até a urna.

Na pesquisa estimulada, quando os nomes aparecem para o eleitor, o cenário ficou assim:

Marília Arraes (PDT): 19%
Humberto Costa (PT): 19%
Mendonça Filho (PL): 12%
Eduardo da Fonte (PP): 10%
Túlio Gadêlha (PSD): 5%
Carlos Sant'Anna (Novo): 2%
Pastor Gilvan Costa (Democrata): 1%
Paulo Rubem Santiago (Rede): 1%
Samuel Timoteo (UP): 1%
Mariano Macedo (PSTU): 0%
Mailson Neto (PCO): 0%
Gorett Bitu (UP): 0%

Brancos, nulos ou nenhum candidato somam 16%, enquanto 13% continuam indecisos.

Na comparação com o levantamento anterior, divulgado em 24 de setembro, Humberto Costa avançou de 17% para 19%, enquanto Marília Arraes permaneceu nos 19%. Mendonça Filho oscilou de 13% para 12%, Eduardo da Fonte manteve os 10% e Túlio Gadêlha passou de 6% para 5%.

O detalhe que merece atenção é a quantidade de votos que ainda não está cristalizada. Somando os 13% de indecisos aos 16% que afirmam votar branco, nulo ou em nenhum candidato, existe uma parcela expressiva da amostra fora dos nomes apresentados.

E há outro ponto importante: o eleitor pode escolher dois candidatos ao Senado, já que Pernambuco terá duas vagas em disputa. Portanto, a pesquisa não funciona como uma corrida tradicional de uma única vaga. Um eleitor pode declarar preferência por dois nomes, o que torna a reta final especialmente dinâmica.

Na prática, o Datafolha desenha uma eleição em que os quatro primeiros colocados aparecem separados por apenas nove pontos: Marília e Humberto têm 19%, Mendonça 12% e Eduardo da Fonte 10%. Todos ainda dependem da movimentação dos últimos dias e, principalmente, da decisão de uma parcela relevante do eleitorado.

O cenário também expõe uma disputa política que atravessa a eleição para o Governo de Pernambuco. Marília Arraes e Humberto Costa estão no campo político ligado à candidatura de João Campos, enquanto Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha integram a composição da governadora Raquel Lyra. Mendonça Filho disputa de maneira independente.

Na reta final, portanto, o Senado pernambucano vira uma eleição dentro da eleição. Enquanto os candidatos ao Governo brigam voto a voto, os postulantes ao Senado precisam convencer o eleitor de que seu nome merece ocupar uma das duas cadeiras que estarão em jogo no domingo.

A urna está aberta no papel, mas a pesquisa mostra que a cabeça de muita gente também continua aberta.

A pesquisa anterior já mostrava Marília à frente numericamente, com 19%, seguida por Humberto com 17%, Mendonça com 13% e Eduardo da Fonte com 10%. Agora, Humberto encosta em Marília e Mendonça e Eduardo permanecem no bloco seguinte. 

SIVALDO ALBINO ASSINA NOVAS ORDENS DE SERVIÇO E ANUNCIA MAIS PAVIMENTAÇÕES EM GARANHUNS

NOVAS OBRAS DEVEM TER INÍCIO IMEDIATO EM RUAS E AVENIDAS DE GARANHUNS

O prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino, assina nesta sexta-feira (2), novas Ordens de Serviço para o início de obras de pavimentação em diferentes pontos da cidade.

A assinatura acontece a partir das 11h, no gabinete do prefeito, no Palácio Celso Galvão, sede do Governo Municipal.

A iniciativa amplia o pacote de intervenções de infraestrutura urbana que vem sendo executado pela Prefeitura de Garanhuns. Com as novas ordens de serviço, ruas e avenidas deverão receber obras de pavimentação, garantindo melhorias na mobilidade e na estrutura dos bairros beneficiados.

A expectativa é de que os serviços tenham início imediato após a formalização das ordens de serviço.

O anúncio reforça a estratégia da gestão municipal de avançar com investimentos em infraestrutura e levar obras para diferentes áreas de Garanhuns.

MAIS OBRAS NO RADAR

A assinatura das novas ordens de serviço ocorre em um momento em que a Prefeitura mantém uma agenda de intervenções urbanas no município. A proposta é transformar demandas antigas da população em obras efetivamente executadas.

O ato no Palácio Celso Galvão acontece nesta sexta-feira, às 11h, e deve reunir integrantes da gestão municipal e representantes das áreas envolvidas nas novas intervenções.

Garanhuns segue com o canteiro de obras aberto — e, pelo que anuncia a Prefeitura, vem mais pavimentação pela frente.

RAQUEL LYRA E EDUARDO DA FONTE INTENSIFICAM MOBILIZAÇÃO ÀS RUAS DA ZONA NORTE DO RECIFE NA RETA FINAL DA CAMPANHA

Governadora e candidato ao Senado participaram de porta a porta em Dois Unidos e acompanharam missa no Santuário do Morro da Conceição nesta quinta-feira (1º), ao lado de lideranças e candidatos proporcionais
A governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) e o candidato ao Senado e deputado federal Eduardo da Fonte (PP/UP) intensificaram, nesta quinta-feira (1º), a agenda na Zona Norte do Recife, a três dias das eleições. Os dois participaram de um porta a porta em Dois Unidos e, na sequência, acompanharam uma missa no Santuário de Nossa Senhora da Conceição, no Morro da Conceição, reunindo moradores, lideranças e apoiadores e ampliando a presença da chapa Pernambuco de Coração na reta final da campanha.

A primeira mobilização aconteceu em Dois Unidos, em um porta a porta com concentração na Avenida Hidelbrando de Vasconcelos, na quadra de esportes, e percurso pela mesma avenida até a Padaria Gabimar. A agenda também contou com as presenças do candidato a deputado federal Daniel Coelho e do candidato a deputado estadual Ni do Badoque, fortalecendo a mobilização da chapa na Zona Norte.

Nas ruas de Dois Unidos, Raquel e Eduardo ampliaram a presença da chapa nas comunidades da capital pernambucana e reforçaram a articulação com lideranças locais. Durante o percurso, os candidatos conversaram com moradores e receberam manifestações de apoio. 

A governadora também voltou a pedir o apoio da população à candidatura de Eduardo da Fonte ao Senado, destacando a parceria construída com o candidato ao longo da campanha.

Missa no Morro da Conceição marca segundo momento da agenda na Zona Norte

Na sequência, Raquel Lyra e Eduardo da Fonte seguiram para o Morro da Conceição, onde acompanharam uma missa no Santuário de Nossa Senhora da Conceição. O momento de fé reuniu os candidatos e apoiadores em um dos principais espaços de devoção religiosa do Recife, reforçando a proximidade com a comunidade do Morro e com os moradores da Zona Norte.

A agenda no Santuário deu continuidade à programação dos candidatos na região, desta vez em um momento de oração e reflexão. Raquel e Eduardo acompanharam a celebração e estiveram ao lado de moradores e lideranças locais, mantendo o contato próximo com a população nos últimos dias da campanha.

Ao avaliar os momentos vividos na Zona Norte, Eduardo da Fonte destacou a receptividade encontrada em Dois Unidos e a importância do encontro no Morro da Conceição, além de ressaltar a parceria com Raquel Lyra e a intenção de ampliar, no Senado, a articulação por investimentos para o Recife e a Região Metropolitana.

“Foi um dia muito especial na Zona Norte. Em Dois Unidos, tivemos aquele contato olho no olho com a população, ouvindo as pessoas e recebendo muito carinho. Depois, estivemos no Morro da Conceição, em um momento de fé e oração no Santuário, que tem um significado muito grande para o povo do Recife. Saio daqui ainda mais fortalecido e com a certeza de que precisamos continuar trabalhando por nossa gente. Raquel tem feito um trabalho importante à frente do Governo de Pernambuco, e quero estar ao lado dela no Senado para ampliar nossa capacidade de trabalho e buscar mais investimentos para o Recife e toda a Região Metropolitana. Vamos levar para Brasília as necessidades que ouvimos nas ruas e transformar essas demandas em mais saúde, infraestrutura e desenvolvimento para a nossa população”, afirmou Eduardo da Fonte.

GLOBO CANCELA DEBATE PRESIDENCIAL NA RETA FINAL DA ELEIÇÃO

EMISSORA DECIDIU SUSPENDER O ENCONTRO QUE ESTAVA PREVISTO PARA ESTA QUINTA-FEIRA (1º), APÓS UMA SEQUÊNCIA DE BAIXAS E MUDANÇAS NA COMPOSIÇÃO DO DEBATE

A TV Globo cancelou o debate entre candidatos à Presidência da República que estava previsto para esta quinta-feira (1º), a apenas três dias do primeiro turno das eleições de 2026.

A decisão foi tomada depois de uma sequência de acontecimentos que mudou completamente o desenho do programa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, havia comunicado que não participaria do encontro. A emissora chegou a planejar a colocação de um púlpito vazio para representar a ausência do candidato, mas a medida acabou sendo barrada pela Justiça Eleitoral.

Na reta final, outra reviravolta aumentou a pressão sobre a organização. O Supremo Tribunal Federal determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) no debate, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) também deixou de participar do encontro na última hora, alegando censura por parte do Tribunal Superior Eleitoral.

Com as mudanças na composição e a saída de candidatos, a Globo optou pelo cancelamento do debate.

O episódio acontece justamente quando a disputa presidencial entra nas últimas horas antes das urnas. O primeiro turno está marcado para domingo (4), e o debate seria uma das últimas oportunidades de confronto direto entre os candidatos na televisão aberta.

A programação prevista para o horário acabou sendo alterada. Lula, que não participaria do debate, confirmou uma entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário em que o encontro estava previsto.

Com o cancelamento, a eleição presidencial chega à reta final sem um dos últimos grandes confrontos televisivos entre os candidatos. Agora, a campanha entra definitivamente na contagem regressiva para o primeiro turno.

As urnas estão logo ali — e cada movimento, declaração e aparição pública ganha ainda mais peso nestes últimos dias de campanha.

ÚLTIMO DEBATE: RAQUEL E JOÃO TROCAM ACUSAÇÕES E COLOCAM OS VICES NO CENTRO DO CONFRONTO

O último debate entre os candidatos ao Governo de Pernambuco antes da reta final da eleição terminou deixando uma coisa clara: quando o assunto é disputa pelo Palácio do Campo das Princesas, os vices também entraram na linha de tiro.

No confronto promovido pela TV Jornal, nesta quinta-feira (1º), Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL) repetiram propostas já conhecidas do eleitorado, mas o momento de maior tensão apareceu logo no primeiro bloco, quando Raquel e João decidiram partir para o confronto direto envolvendo seus companheiros de chapa.

Raquel abriu a rodada questionando João Campos sobre uma informação publicada pela revista Veja envolvendo Carlos Costa, candidato a vice na chapa do socialista. Segundo a publicação citada no debate, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria determinado a manutenção de um pagamento mensal de R$ 100 mil à empresa de Costa.

João Campos reagiu defendendo seu vice e afirmou que Carlos Costa trabalha desde 2019 para a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), além de prestar serviços para instituições financeiras.

“É impressionante como você não deseja debater o futuro de Pernambuco”, rebateu João, ao tentar deslocar o foco da acusação para as propostas de governo.

Mas o contra-ataque veio na mesma resposta. João Campos colocou Priscila Krause, vice-governadora de Raquel, no centro da discussão ao levantar questionamentos sobre recursos destinados à Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, instituição ligada ao marido da vice-governadora.

O candidato do PSB afirmou que Priscila deveria prestar esclarecimentos sobre investigações envolvendo órgãos federais e mencionou uma auditoria do Ministério da Saúde que teria apontado supostas irregularidades em procedimentos de tratamento de câncer e hemodiálise.

A resposta de Raquel Lyra foi imediata e mudou o tom do embate. A governadora afirmou que o caso já havia sido esclarecido e sustentou que a auditoria do Ministério da Saúde apresentava problemas.

Segundo Raquel, a decisão judicial suspendeu os efeitos da auditoria diante de indícios que, conforme sua declaração, apontariam para direcionamento e má-fé na condução do procedimento.

“Essa suposta fraude que você fala do Ministério da Saúde, do hospital do marido de Priscila, que serve ao governo há 55 anos, passando por 15 governadores, ela foi anulada, suspensa, por indícios claros de direcionamento e má-fé da auditoria feita pelo Ministério da Saúde”, afirmou a governadora.

O episódio expôs uma estratégia que marcou boa parte da campanha: em vez de apenas apresentar propostas, os dois principais candidatos passaram a explorar os flancos existentes nas chapas adversárias.

De um lado, João Campos tentou transformar as questões envolvendo a maternidade de Garanhuns em um problema político para Raquel Lyra e Priscila Krause. Do outro, Raquel levou ao palco do debate as informações envolvendo Carlos Costa e a relação profissional dele com o setor bancário.

O curioso é que os dois candidatos terminaram fazendo dos próprios vices personagens centrais de um dos momentos mais duros do debate.

E, na reta final, quando cada voto passou a ser disputado no detalhe, o recado ficou evidente: ninguém entrou naquele palco disposto a deixar munição adversária sem resposta.

No fim das contas, o eleitor recebeu menos novidade em propostas e mais uma amostra da temperatura da disputa entre Raquel Lyra e João Campos. Agora, com a campanha entrando na reta decisiva, as acusações, respostas e decisões judiciais que envolvem os dois grupos devem continuar ocupando espaço no debate público de Pernambuco.

GOVERNO DE PERNAMBUCO ENTREGA NOVAS AMBULÂNCIAS A 100% DOS MUNICÍPIOS QUE ADERIRAM AO PROGRAMA COLO DE MÃE

Com a entrega dos últimos 23 veículos nesta quinta-feira, a iniciativa totaliza 183 ambulâncias destinadas ao transporte de gestantes e bebês
O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria Estadual de Saúde (SES), entregou, nesta quinta-feira (1º), as últimas 23 ambulâncias do Programa Colo de Mãe, garantindo novos veículos a 100% dos municípios que aderiram à iniciativa. O programa disponibilizou 183 ambulâncias para fortalecer a assistência materno-infantil e o deslocamento de gestantes e bebês para os serviços de saúde. Considerando os veículos do Colo de Mãe e as ambulâncias do tipo UTI, já foi entregue um total de 237 das 275 unidades previstas para os municípios.

“Hoje a gente conclui o ciclo de entrega das ambulâncias aos municípios que aderiram ao Programa Colo de Mãe e passam a contar com novos veículos para o transporte de gestantes e crianças. Além dessas, foram entregues ambulâncias do tipo UTI aos municípios para o transporte de pacientes que precisam de atendimento hospitalar. O investimento do Governo de Pernambuco é de aproximadamente R$ 90 milhões, destinado ao transporte sanitário dos usuários do SUS”, destacou o secretário-executivo de Gestão Estratégica e Coordenação Geral da SES, Anderson Oliveira.

Nesta última remessa, foram contemplados os municípios de Terezinha, Buenos Aires, Primavera, Joaquim Nabuco, Orocó, Tracunhaém, Feira Nova, Glória do Goitá, Amaraji, Calumbi e Ilha de Itamaracá. Também receberam ambulâncias Santa Cruz do Capibaribe, Santa Maria da Boa Vista, Sairé, Abreu e Lima, Jatobá, Lagoa Grande, Moreno, São José da Coroa Grande, Pombos, Vitória de Santo Antão, Chã Grande e Ipojuca.

DATAFOLHA MOSTRA RAQUEL LYRA COM 46% E JOÃO CAMPOS COM 44% NA RETA FINAL EM PERNAMBUCO

A eleição para o Governo de Pernambuco chega aos últimos dias com uma disputa extremamente apertada. Nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (1º), mostra a governadora Raquel Lyra (PSD) com 46% das intenções de voto, enquanto o candidato do PSB, João Campos, aparece com 44%.

Na sequência estão Ivan Moraes (PSOL), com 2%, e Renan Hallais (Missão), com 1%. Professora Camila (UP), Guilherme Fonseca (PSTU) e Victor Assis (PCO) não chegaram a 1%. Brancos, nulos ou nenhum dos candidatos somam 4%, enquanto 3% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder. 

O levantamento foi realizado pelo Datafolha entre os dias 28 de setembro e 1º de outubro, com 1.204 eleitores de 16 anos ou mais, distribuídos em 48 municípios de Pernambuco. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela Folha de S.Paulo e TV Globo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PE-06822/2026. 

Na matemática dos votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos, Raquel Lyra aparece com 50%, contra 47% de João Campos. Como a margem de erro é de três pontos, o cenário permanece tecnicamente empatado.

E aqui está um dos pontos mais importantes desta rodada: faltam apenas três dias para a votação. Ou seja, a pesquisa não apresenta uma fotografia de uma disputa distante, mas de uma eleição que já entrou em sua fase decisiva.

A série recente do próprio Datafolha ajuda a entender como a disputa chegou até aqui. No levantamento divulgado em 24 de setembro, Raquel tinha 48%, contra 44% de João Campos. Agora, a governadora oscila dois pontos para baixo, enquanto João permanece nos mesmos 44%.

Isso significa que, dentro da margem de erro, não houve uma mudança estatisticamente conclusiva na liderança. O que existe é uma corrida concentrada nos dois principais candidatos, com uma diferença nominal de apenas dois pontos.

Outro dado que merece atenção está no voto espontâneo. Na rodada anterior do Datafolha, Raquel aparecia com 41%, contra 33% de João Campos, quando os entrevistados eram convidados a declarar espontaneamente em quem pretendiam votar, sem receber a lista de candidatos. O instituto apontou ainda que 64% dos entrevistados conseguiam informar corretamente o número do candidato escolhido para governador.

No segundo turno, o Datafolha também testou um confronto direto entre Raquel Lyra e João Campos. Nesse cenário, a governadora aparece com 50%, enquanto João Campos registra 46%. Brancos e nulos somam 3% e 1% não soube responder. 

O levantamento precisa ser lido com cautela. Uma diferença de dois pontos no primeiro turno está dentro da margem de erro e, portanto, não permite afirmar estatisticamente que exista uma vantagem consolidada de um candidato sobre o outro.

Mas há uma coisa que os números deixam evidente: a eleição pernambucana chegou ao último fim de semana sem uma fotografia de folga para nenhum dos dois principais candidatos.

Raquel entra nessa reta final com 46% no cenário estimulado e 50% dos votos válidos. João aparece com 44% e 47%, respectivamente. A distância nominal é pequena e qualquer oscilação dentro da margem de erro pode alterar a leitura da fotografia.

Também chama atenção o contraste entre a avaliação do governo e a intenção de voto. Em pesquisa Datafolha realizada no final de julho, 66% dos pernambucanos aprovavam o trabalho de Raquel Lyra, enquanto 30% desaprovavam. Naquele levantamento, 49% classificavam a administração como ótima ou boa.

Esse dado não pode ser automaticamente transformado em intenção de voto, porque aprovação de governo e voto são perguntas diferentes. Mas ajuda a contextualizar uma disputa em que a governadora chega ao final do mandato buscando converter avaliação administrativa em apoio eleitoral.

Do outro lado, João Campos chega à reta final sustentando uma campanha baseada também na associação com o presidente Lula e no legado político de seu pai, o ex-governador Eduardo Campos. O próprio Datafolha registra que Lula possui forte vantagem em Pernambuco na disputa presidencial, enquanto João concentra entre seus eleitores uma parcela expressiva dos que aprovam o governo federal. 

É justamente aí que a eleição pernambucana ganha uma característica própria: a disputa estadual não está reproduzindo automaticamente a disputa presidencial.

O eleitor pernambucano pode aprovar Lula e escolher um candidato ao governo diferente daquele apoiado pelo presidente. Da mesma forma, pode avaliar positivamente a gestão estadual e ainda assim votar em João Campos. As pesquisas mostram que essas combinações existem e ajudam a explicar por que a corrida permanece tão apertada.

Outro levantamento recente, o RealTime Big Data divulgado em 28 de setembro, também encontrou um cenário de empate técnico: João Campos tinha 45% e Raquel Lyra, 43%, com margem de erro de dois pontos. No segundo turno, João aparecia com 46% e Raquel com 45%. 

O conjunto das pesquisas recentes, portanto, apresenta uma característica comum: nenhum dos dois candidatos conseguiu transformar a vantagem numérica em uma diferença que ultrapasse de forma consistente as respectivas margens de erro.

O Datafolha desta quinta-feira reforça essa fotografia.

Raquel aparece numericamente à frente no primeiro turno e também nos votos válidos. João está suficientemente próximo para que a diferença permaneça dentro da margem de erro. E, no segundo turno testado pelo instituto, a distância também permanece limitada.

A grande incógnita agora não está mais nos grandes movimentos de campanha, mas na capacidade de cada candidatura de mobilizar seus eleitores, reduzir a abstenção entre seus segmentos de apoio e conquistar os votos que ainda não estão totalmente cristalizados.

PERNAMBUCO CHEGA ÀS URNAS COM UMA ELEIÇÃO ABERTA NA FOTOGRAFIA DAS PESQUISAS.

Raquel Lyra tem 46%. João Campos, 44%. Nos votos válidos, 50% contra 47%. No segundo turno simulado, 50% contra 46%.

Os números mostram uma disputa apertada e deixam para os próximos três dias a tarefa de definir o comportamento de um eleitorado que, segundo os próprios levantamentos, ainda apresenta movimentos importantes na reta final.

Agora não é mais uma questão de quem tem dois ou quatro pontos de vantagem na pesquisa. É a urna que vai transformar intenção em voto contado.