A eleição em Pernambuco deixou uma conta que nenhum dos dois lados pode ignorar.
Mais de 1,3 milhão de eleitores pernambucanos estavam aptos a votar, mas simplesmente não apareceram para registrar seu voto no primeiro turno. E agora, com a disputa presidencial reduzida a Lula e Flávio Bolsonaro, esse eleitorado ausente ganha um novo peso na estratégia das campanhas.
Pernambuco registrou 18,18% de abstenção no primeiro turno de 2026, o equivalente a mais de 1,3 milhão de eleitores. O percentual ficou abaixo da média nacional, que chegou a 21,08%, mas colocou o estado diante de um fenômeno que merece atenção: uma parcela gigantesca do eleitorado não participou da escolha feita em 4 de outubro.
E aqui está o detalhe que pode movimentar os bastidores da campanha até 25 de outubro: quem não votou no primeiro turno pode votar normalmente no segundo.
Ou seja, aquela multidão que não apareceu na primeira fotografia eleitoral ainda pode entrar na segunda.
E não é pouca gente.
Em Pernambuco, são mais de 1,3 milhão de eleitores. Não existe, evidentemente, como colocar esse contingente inteiro em uma caixinha política. Quem faltou pode ser eleitor de Lula, de Flávio Bolsonaro, de outro candidato que ficou pelo caminho ou simplesmente alguém que decidiu não participar da eleição naquele momento.
Mas é justamente essa incerteza que transforma a abstenção em um dos assuntos mais importantes da nova fase da disputa.
O desafio de Lula, especialmente, passa por mobilizar eleitores que não foram às urnas. O presidente terminou o primeiro turno com ampla vantagem em Pernambuco, alcançando 63,45% dos votos válidos no estado, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 31,03%.
A pergunta que começa a circular nos bastidores é direta: quantos daqueles que ficaram em casa podem ser convencidos a sair de casa no segundo turno?
Não se trata de afirmar que o eleitor ausente votaria em Lula. Os números não permitem essa conclusão. Mas existe um fato político objetivo: se uma parcela significativa desses eleitores resolver participar, o tamanho do eleitorado efetivamente votante aumenta e a composição dos votos válidos pode mudar.
E Flávio Bolsonaro também olha para essa conta.
Depois de terminar o primeiro turno atrás de Lula em Pernambuco, a campanha bolsonarista terá de disputar não apenas os eleitores que já escolheram um candidato, mas também aqueles que não apareceram para votar. A segunda etapa da eleição começa, portanto, com um universo de eleitores que ainda não colocou seu voto na urna.
É aí que a eleição ganha uma nova dinâmica.
Não basta contar quem votou. Agora é preciso olhar para quem não votou.
Nas eleições municipais de 2024, Pernambuco teve 17,53% de abstenção. Em 2022, nas eleições gerais, foram 18,21%. O índice de 2026, de 18,18%, ficou muito próximo do registrado quatro anos atrás e acima do observado no último pleito municipal.
No Brasil inteiro, a fotografia foi ainda mais expressiva. Mais de 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas, correspondendo a 21,08% do eleitorado.
Pernambuco, portanto, não está sozinho nessa equação. Mas, por aqui, a quantidade de ausentes chama atenção justamente porque o estado será palco de uma nova votação presidencial no dia 25.
E há outro detalhe importante: o eleitor que faltou no primeiro turno e não justificou a ausência ainda pode regularizar a situação dentro do prazo previsto pela Justiça Eleitoral e, desde que esteja apto, participar do segundo turno.
No campo político, entretanto, o problema é outro.
É preciso convencer esse eleitor a voltar para a urna.
Porque uma coisa é o eleitor estar habilitado a votar. Outra, completamente diferente, é decidir que vale a pena sair de casa, enfrentar deslocamento, fila e toda a rotina de uma eleição para registrar novamente sua escolha.
É justamente nessa distância entre “poder votar” e “querer votar” que as campanhas devem concentrar parte da sua estratégia.
Lula chega ao segundo turno em Pernambuco carregando os números do primeiro turno e uma votação expressiva no estado. Flávio Bolsonaro começa a segunda etapa tentando ampliar seu espaço. E, entre os dois, existe um enorme contingente de eleitores que ainda não colocou seu voto na conta.
A eleição agora é outra.
Os votos já dados continuam contabilizados. Os candidatos derrotados ficaram pelo caminho. Mas mais de 1,3 milhão de pernambucanos ainda podem decidir que, desta vez, vão aparecer.
E talvez seja essa a pergunta que mais incomode os estrategistas das duas campanhas nas próximas semanas:
quem são esses eleitores, por que não votaram e, principalmente, quem conseguirá levá-los novamente às urnas no dia 25?
Porque no segundo turno, enquanto Lula e Flávio disputam voto a voto o eleitorado que já participou da eleição, existe uma outra disputa acontecendo silenciosamente: a disputa pelo eleitor que até agora preferiu ficar em casa.
E essa conta, em Pernambuco, passa de 1,3 milhão.