A corrida pelo Palácio do Planalto ganhou novos números nesta quarta-feira (14). A primeira pesquisa Quaest para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 coloca o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença, porém, está dentro da margem de erro, o que configura empate técnico entre os dois candidatos.
De acordo com o levantamento, Flávio aparece com 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Portanto, apesar da vantagem numérica do senador, os dados não permitem afirmar que ele tenha uma dianteira estatisticamente consolidada.
Encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Globo, a pesquisa ouviu 2.154 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 10 e 13 de outubro. O resultado oferece o primeiro retrato da disputa direta entre os dois adversários nesta etapa da eleição.
Outro dado que chama atenção é a rejeição. Segundo a Quaest, 54% dos entrevistados afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro, enquanto 53% dizem rejeitar Lula. Os índices mostram que ambos enfrentam resistência significativa entre os eleitores, um fator que pode pesar na busca por votos durante a campanha.
A pesquisa também indica que 91% dos entrevistados consideram definitiva a escolha do candidato, enquanto 9% admitem a possibilidade de mudar de opinião. Embora a maioria declare já ter decidido o voto, esse percentual de eleitores ainda indecisos quanto à escolha final pode ganhar importância em uma disputa apertada.
O resultado chega depois de um primeiro turno que colocou os dois políticos frente a frente. Agora, sem outros candidatos na disputa presidencial, a estratégia passa pela manutenção das bases eleitorais, pela conquista de novos apoios e pela capacidade de dialogar com segmentos que ainda apresentam resistência aos dois projetos políticos.
O QUE DIZEM OS NÚMEROS
A primeira fotografia da Quaest mostra uma eleição sem distância estatística entre os candidatos. Flávio Bolsonaro aparece na frente numericamente, mas Lula permanece dentro da margem de erro. A rejeição elevada dos dois também indica que a disputa não se resume à votação já conquistada: a capacidade de ampliar o apoio e reduzir resistências será um dos pontos centrais desta etapa.
NA LUPA
O segundo turno começou com um recado claro: nenhum dos lados pode tratar a eleição como resolvida. Os números colocam Flávio Bolsonaro à frente na contagem das intenções de voto, mas o empate técnico impede transformar essa diferença em uma conclusão definitiva.
A rejeição praticamente empatada também merece atenção. Em vez de olhar apenas para quem aparece numericamente na frente, é preciso observar o tamanho da resistência enfrentada por cada candidato e como as campanhas vão trabalhar para conquistar eleitores além de suas bases tradicionais.
A política brasileira entra, assim, em mais uma disputa marcada pela polarização. De um lado, Flávio tenta consolidar o espaço eleitoral do bolsonarismo; do outro, Lula busca manter sua base e ampliar o apoio para mais um mandato. A pesquisa não aponta um vencedor antecipado. Mostra uma disputa aberta, na qual cada movimento de campanha pode ter repercussão.
Edney Souto — Blog do Edney | A notícia verdade.