domingo, 1 de fevereiro de 2026

ARCOVERDE CELEBRA RENASCIMENTO CULTURAL EM NOITE MEMORÁVEL COM O BAILE MUNICIPAL 2026

O sábado que antecedeu o início oficial do Carnaval 2026 ficará marcado na memória dos arcoverdenses como uma das noites mais vibrantes de celebração comunitária e valorização da cultura local. Na noite de 31 de janeiro de 2026, a cidade foi palco do 18º Baile Municipal, evento que não apenas abriu os festejos da folia momesca, mas também reafirmou a força das tradições sertanejas e a capacidade de união em torno das celebrações populares. Organizado pela Prefeitura Municipal por meio da Secretaria de Turismo, Esportes e Eventos, em parceria com a Secretaria de Cultura, o baile reuniu um público diversificado no espaço escolhido para celebrar a música, a dança e a identidade cultural que Arcoverde tanto cultiva. 

A edição de 2026 contou com atrações de grande impacto, incluindo a apresentação do Grupo Revelação, referência nacional do samba, que conduziu a multidão em um repertório que mesclou clássicos do gênero com interpretações que dialogaram com o público presente, atravessando faixas etárias com naturalidade e energia contagiante. Ao lado de Revelação, a Orquestra Super Oara e o prestigiado Maestro Spok subiram ao palco, oferecendo uma diversidade sonora que incluía elementos do frevo, samba e ritmos brasileiros que ecoaram por toda a noite, criando um ambiente onde tradição e inovação se encontraram para envolver os foliões. 

O baile, mais do que um simples evento social, foi pensado para celebrar a cultura popular de forma ampla, com impacto que ultrapassou a música. A presença de públicos de variadas gerações — de jovens foliões a famílias inteiras — trouxe ao local um clima de reencontro e pertencimento comunitário, fortalecendo o sentimento de que Arcoverde segue conectada às suas raízes culturais enquanto se projeta como polo referencial de festa no interior pernambucano. Autoridades municipais, lideradas pelo prefeito Zeca Cavalcanti, destacaram em seus discursos o valor histórico e social do Baile Municipal, sinalizando que sua manutenção e crescimento refletem o compromisso da gestão com a preservação das tradições locais e o fortalecimento do calendário cultural da cidade.


Além da música de qualidade, o Baile Municipal 2026 também foi um motor de movimentação econômica e social para a cidade. A chegada de visitantes impulsionou os setores de hospedagem, gastronomia e comércio local, criando um ciclo de circulação de renda que se estende para além da própria noite do baile e contribui para o fortalecimento da economia criativa na região. A presença de artistas consagrados em um ambiente tradicional reforça a importância de eventos como este para a visibilidade de Arcoverde no cenário cultural do interior de Pernambuco.

O clima de festa e expectativa se estende, pois o Baile Municipal foi apenas o primeiro capítulo de uma extensa programação preparada pela Prefeitura, que inclui shows gratuitos no Pátio de Eventos com artistas locais e nacionais durante os dias oficiais de Carnaval, manifestações populares como o Bloco do Zé Pereira e a tradicional Folia dos Bois pelos bairros, atividades que prometem manter acesa a chama da folia até meados de fevereiro. 

Na avaliação de muitos participantes, a noite de sábado simbolizou mais do que o início do Carnaval — foi um reencontro com as tradições culturais e um sinal claro de que Arcoverde vive um momento de afirmação da sua identidade festiva e comunitária. A música, as cores e a alegria compartilhada foram destaque em uma noite que, sem dúvida, mereceu ser lembrada como um marco no calendário cultural municipal. 

MPPE EXIGE ACESSO A AUTOS NO STF E DIZ QUE INVESTIGAÇÃO CORRE SOB SIGILO

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) informou que, apesar de ter solicitado formalmente vista dos autos da Petição n° 15.115-DF/STF na manhã da sexta-feira (30/01/2026), ainda não teve acesso ao procedimento que tramita no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Gilmar Mendes. Segundo a instituição, até o momento não houve intimação nem remessa de cópia de qualquer decisão judicial proferida pela Corte Suprema.

O órgão ressaltou que o Procedimento de Investigação Criminal, de sua competência e dirigido pelo MPPE/GAECO, bem como as medidas cautelares dele decorrentes, estão sujeitos a segredo de justiça por força de decisão proferida nos autos do processo n° 0048809-13.2025.8.17.2001, que corre na Vara dos Crimes Contra a Administração Pública da Capital. Esse segredo, apontou o MPPE, impede comentários sobre decisões mencionadas pela imprensa.

Diante da situação, o Ministério Público aguarda o efetivo acesso aos autos para ser devidamente cientificado e compreender o contexto, os fundamentos e as disposições da decisão citada, reiterando que sua atuação seguirá estritamente pautada pela legalidade.

MPPE EMITE NOTA

Apesar de ter formalmente solicitado vista dos
autos da Petição n° 15.115-DF/STF desde a manhā da sexta-feira (30/01/2026), até o momento o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) não obteve acesso ao procedimento que tramita no Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do
Ministro Gilmar Mendes, tampouco foi intimado ou recebeu cópia de qualquer decisão judicial da Corte Suprema.
Ademais, por força de decisão judicial nos autos do processo n° 0048809-13.2025.8.17.2001, que tramita na Vara dos Crimes Contra a Administração Pública da Capital, o Procedimento de
Investigação Criminal em referência dirigido pelo MPPE/ GAECO e medidas cautelares decorrentes, encontram-se sob segredo de justiça,o que impede o órgão de comentar qualquer decisão mencionada pela imprensa.
O MPPE aguarda o acessO aos autos processuais para ser cientificado e entender o contexto, fundamentos e disposições da mencionada decisão, sempre pautando sua conduta pela observância da legalidade estrita.

GILMAR MENDES INTERROMPE INVESTIGAÇÃO EM PERNAMBUCO E LEVA POLÍCIA FEDERAL À ESCOLTA POLÍTICA

Gilmar Mendes resolveu, mais uma vez, transformar o Supremo Tribunal Federal em palco de espetáculo jurídico-político: nesta última sexta-feira, o ministro determinou o trancamento de uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que apurava supostas irregularidades envolvendo secretárias da Prefeitura do Recife, e ao mesmo tempo jogou a Polícia Federal no centro de uma outra apuração — desta vez para investigar suposta espionagem praticada pela Polícia Civil local contra aliados do prefeito João Campos (PSB).

Não se trata de uma intervenção técnica que corrige vícios processuais isolados ou obscurecidos por tecnicismos. A decisão de Mendes enterra uma investigação estadual legítima — que já vinha sendo comandada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MPPE e que mirava possíveis irregularidades na adesão do município a atas de preços e medidas amplas de requisição de dados — sob a justificativa de “falta de definição do objeto” e “desvio de finalidade”. Ao mesmo tempo, Mendes autoriza a PF a investigar um suposto monitoramento ilegal, incluindo rastreamento de veículos e reconhecimento facial, que seria voltado a um secretário e seu irmão — casos que ganharam ampla repercussão na mídia após uma reportagem televisiva. 

O resultado desse movimento é politicamente explosivo: a investigação que poderia atingir figuras ligadas à administração municipal é sufocada por ordem monocrática, enquanto a Polícia Federal, um órgão federal com histórico de relações estreitas com instâncias do poder central, é convocada a destrinchar a suposta “espionagem” que hoje alimenta a narrativa de perseguição política do prefeito João Campos

A escolha de Mendes de atuar assim, à moda de um árbitro com placa de técnico político, acende o alerta sobre o uso do aparato judicial como ferramenta de intervenção em momentos particularmente sensíveis — com eleições estaduais se aproximando e atores políticos buscando espaço e narrativa favorável. Em vez de consolidar a autoridade do Judiciário como árbitro imparcial e guardião das normas, a atuação de Mendes lança a Corte como protagonista de um embate institucional que ultrapassa o Direito e adentra o terreno pantanoso da política partidária. 

Sob o pretexto de neutralidade, o que se vê é uma suspensão abrupta de uma investigação local — mesmo com críticas de falta de acesso dos próprios procuradores aos autos e à motivação da decisão — enquanto outro fio de apuração, ligado à PF, servirá para alimentar linhas narrativas concorrentes no tabuleiro eleitoral. O MPPE, por exemplo, afirma que ainda não teve acesso à decisão e sequer foi oficialmente notificado, o que realça a falta de transparência em um processo que, na prática, tem efeitos políticos imediatos.

No fim das contas, a ação de Gilmar Mendes não só contribui para obscurecer investigações que podem revelar irregularidades na gestão pública, como também engrandece o papel da Polícia Federal e do STF como atores centrais em um momento de tensão política no estado. É um tipo de decisão que, longe de pacificar, amarra o Estado de Direito a interesses de curto prazo, deixando no ar a pergunta que nenhum tribunal deveria querer ouvir: quem manda aqui — a lei ou o jogo político?

DANIEL COELHO PRESTIGIA AS VIRGENS DO BAIRRO NOVO AO LADO DA PREFEITA MIRELLA ALMEIDA E CUMPRE MARATONA DE PRÉ-CARNAVAL NA RMR

O domingo (1º) está sendo de intensa movimentação política e cultural na Região Metropolitana do Recife, e o pré-candidato a deputado federal Daniel Coelho (PSD) fez questão de mergulhar no clima das prévias carnavalescas. A primeira parada do dia foi em Olinda, onde ele participou do tradicional bloco Virgens do Bairro Novo, acompanhado da prefeita Mirella Almeida e do vereador Felipe Nascimento.

Em meio às fantasias irreverentes, à música contagiante e a milhares de foliões que tomaram as ruas, Daniel ressaltou o peso simbólico e econômico do Carnaval olindense. Segundo ele, a festa vai muito além da diversão: movimenta o turismo, gera renda e projeta Pernambuco para o mundo. O pré-candidato também enfatizou o apoio do Governo do Estado na estrutura do evento, destacando a importância da organização e da segurança para garantir que a folia aconteça de forma tranquila.

A prefeita Mirella Almeida reforçou o caráter histórico do desfile das Virgens e detalhou o trabalho de bastidores realizado nos últimos meses. Ela pontuou que a gestão municipal atuou em parceria com o Governo de Pernambuco para montar um esquema de segurança reforçado, além de manter serviços públicos funcionando durante o evento. A proposta, segundo Mirella, é assegurar que moradores e turistas aproveitem a festa com conforto e proteção.

Após a passagem por Olinda, Daniel Coelho seguiu para o Recife, onde marcou presença em outros polos da prévia carnavalesca. Ele visitou o bloco Canguru, no bairro de Campo Grande; o Samba Louco, em Afogados; e Os Monstros, no Espinheiro, ampliando o roteiro que une cultura popular e diálogo com a população em diferentes áreas da capital.

A agenda carnavalesca do pré-candidato também incluiu eventos tradicionais e festivais fora do eixo Recife-Olinda. Daniel esteve no Bal Masquê, um dos bailes mais tradicionais do período pré-carnavalesco recifense, conhecido por reunir música, fantasia e memória cultural. Já no Litoral Norte, participou do Festival Pernambuco Meu País Verão, em Itamaracá, evento que integra programação cultural e turística do Estado.

E a maratona não para. Daniel Coelho já confirmou presença na abertura da próxima edição do Festival Pernambuco Meu País, que acontecerá entre os dias 6 e 8 de fevereiro, no Terminal Marítimo de Passageiros, no Recife, reunindo atrações locais e nacionais. A participação reforça a estratégia de circular por diferentes territórios e dialogar com públicos diversos em um dos períodos de maior efervescência cultural do calendário pernambucano.

Entre frevos, fantasias e palcos, o domingo deixou claro que, além de celebrar a cultura popular, o pré-candidato tem utilizado o ciclo carnavalesco como vitrine de proximidade com a população e de valorização dos eventos que movimentam a economia e a identidade de Pernambuco.

Crédito da foto: Tarciso Augusto/divulgação

PT EM PERNAMBUCO FECHA QUESTÃO: SEM APOIO A LULA, NÃO HÁ CHAPA MAJORITÁRIA


O Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco decidiu subir o tom e estabelecer um critério político claro para as eleições de outubro. O deputado federal Carlos Veras, presidente estadual da legenda, afirmou que o partido não deverá integrar chapas majoritárias com candidaturas que não estejam alinhadas de forma explícita ao projeto político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Jornal, nesta sexta-feira (30), e ocorre em meio à intensificação das articulações eleitorais no Estado, especialmente na disputa pelo apoio do presidente Lula, considerado um dos ativos políticos mais valiosos do pleito estadual. Segundo Veras, a diretriz foi reafirmada em reunião do diretório estadual do PT, realizada na última quinta-feira (29), e deverá orientar todas as negociações com partidos aliados.

De acordo com o parlamentar, a posição do partido é de coerência política. Para ele, não faz sentido que o PT componha uma chapa majoritária ao lado de candidatos que não estejam dispostos a defender o presidente Lula e o projeto nacional liderado pelo governo federal. “Não cabe uma chapa majoritária em que tenha candidato que não vá pedir voto para o presidente Lula”, afirmou Veras, acrescentando que o tema também será levado para discussão na direção nacional do partido.

O presidente estadual do PT destacou ainda que a legenda trabalha para construir alianças que estejam em sintonia com o projeto de país defendido por Lula, baseado na defesa da democracia, da soberania nacional e na ampliação dos direitos sociais. Nesse contexto, ele avaliou que especulações sobre composições envolvendo partidos ou lideranças de oposição ao presidente não encontram respaldo interno dentro do PT pernambucano.

As declarações de Carlos Veras se inserem diretamente no cenário de disputa pelo Governo de Pernambuco. A governadora Raquel Lyra (PSD) busca a reeleição, enquanto o prefeito do Recife, João Campos (PSB), é apontado como o principal nome da oposição estadual. Embora ainda não tenha confirmado oficialmente sua candidatura, João Campos vem intensificando agendas no interior do Estado e ampliando articulações políticas, o que reforça sua presença no tabuleiro eleitoral.

No plano nacional, o cenário adiciona camadas de complexidade às negociações locais. O PSB mantém uma aliança histórica com o PT, integrando a chapa presidencial com Geraldo Alckmin na Vice-Presidência da República. Já o PSD, partido de Raquel Lyra, ocupa atualmente três ministérios no governo federal, o que amplia a disputa simbólica e política pelo palanque do presidente Lula em Pernambuco.

Diante desse contexto, a fala de Carlos Veras funciona como um recado direto aos aliados: para o PT pernambucano, o alinhamento com Lula não é apenas desejável, mas condição essencial para qualquer composição majoritária nas eleições estaduais. Com informações da Agência Brasil.

SALOA REFÉM DO BARULHO E DO PERIGO: MOTOS E PAREDÕES DOMINAM MADRUGADAS, INVADEM PRAÇAS E PODER PÚBLICO LOCAL "SEGUE ASSISTINDO"

Saloá vive um retrato claro de desordem urbana nas madrugadas — e o que mais revolta a população não é apenas o barulho ensurdecedor de motos e paredões, mas a sensação de que o problema cresce livremente sob a sombra da omissão do poder público municipal. O que deveria ser uma cidade tranquila do Agreste tem se transformado, noite após noite, em território sem controle, onde o direito ao descanso perdeu espaço para o ronco de motores adulterados e manobras perigosas em espaços públicos.

Moradores relatam que grupos de motociclistas tomam conta das ruas durante a madrugada, acelerando sem qualquer limite, promovendo algazarras e exibindo escapamentos que parecem competir para ver qual faz mais barulho. Não satisfeitos em transformar avenidas em pistas improvisadas, muitos invadem praças e calçadas em alta velocidade, ignorando completamente que aqueles espaços são destinados a pedestres, crianças e idosos. O risco de atropelamentos e acidentes é constante, e o medo passou a fazer parte da rotina de quem mora próximo às áreas mais afetadas.

Como se não bastasse, há relatos de que parte desses grupos vem de cidades vizinhas como Bom Conselho, Paranatama, Iati e localidades da região, encontrando em Saloá o ambiente perfeito: pouca fiscalização, quase nenhuma consequência e a certeza de que a madrugada será de impunidade. A perturbação do sossego é prevista na legislação brasileira como contravenção penal, e conduzir veículo de forma perigosa ou com equipamentos irregulares também é infração. No papel, as regras existem. Na prática, o que a população enxerga é o oposto disso.

A Polícia Militar já realizou operações pontuais no município, com apreensão de motos irregulares, mostrando que quando há ação, o resultado aparece. O problema é que essas ações são esporádicas, quase simbólicas diante da frequência dos abusos. Sem presença constante nas ruas, os mesmos grupos voltam dias depois, como se nada tivesse acontecido.

É nesse ponto que a crítica à Prefeitura de Saloá se torna inevitável. Moradores cobram, há tempos, uma postura mais firme da gestão municipal para enfrentar o problema, mas o que se vê é silêncio e falta de articulação. Falta pressão por reforço de efetivo, faltam operações integradas permanentes, faltam medidas urbanas que desestimulem aglomerações desordeiras. Falta, sobretudo, prioridade.

A desativação da Guarda Municipal é apontada como um dos marcos do agravamento da situação. A corporação, que poderia atuar na fiscalização urbana, no ordenamento de espaços públicos e no apoio às forças estaduais, simplesmente deixou de existir — e nada foi colocado no lugar. O resultado é uma cidade dependente de um efetivo policial reduzido, com uma única viatura para dar conta de zona urbana e rural, enquanto a desordem noturna cresce sem freio.

Para quem perde noites de sono, convive com sustos de motos passando a centímetros de calçadas e teme deixar crianças brincarem nas praças à noite, a sensação é clara: a cidade está sem comando quando o assunto é ordem pública. O barulho virou rotina, o risco virou normal e a ausência de respostas virou padrão administrativo.

Saloá não sofre por falta de leis. Sofre pela falta de iniciativa de quem deveria liderar soluções. Enquanto a gestão municipal não assumir a responsabilidade de articular reforços, cobrar presença efetiva do Estado e criar mecanismos locais de controle urbano, a madrugada seguirá sendo território do barulho, da imprudência e da impunidade — e o sossego da população continuará sendo tratado como detalhe, não como direito.

TJPE VALIDA PROVAS E REABRE INVESTIGAÇÃO SOBRE SUPOSTO ESQUEMA MILIONÁRIO NA PREFEITURA DO RECIFE

O Tribunal de Justiça de Pernambuco decidiu destravar uma investigação de grande porte que apura possíveis irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura do Recife. Em julgamento unânime realizado pela 2ª Câmara Criminal, os desembargadores consideraram válidas as provas reunidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), permitindo que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) retome a apuração de um suposto esquema que envolveria cerca de R$ 120 milhões em recursos públicos.

A investigação estava suspensa por decisão de primeira instância, que havia acolhido argumentos de nulidade das provas e interrompido o andamento do inquérito. O novo entendimento do TJPE reverteu esse cenário ao afirmar que as medidas adotadas pelo Ministério Público tiveram base concreta e fundamentação específica, afastando a tese de que as diligências teriam ocorrido de forma genérica ou sem direcionamento claro.

O caso gira em torno de contratos celebrados a partir de 2021, período que coincide com o primeiro ano da atual gestão municipal. Segundo o MPPE, há indícios de um modelo de contratação que pode ter burlado o processo licitatório tradicional por meio da adesão a Atas de Registro de Preços de entidades localizadas fora de Pernambuco. A Prefeitura do Recife teria aderido a atas vinculadas à Associação dos Municípios da Bacia do Médio São Francisco (AMMESF) e ao Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Ambiental Sustentável do Norte de Minas (Codanorte), ambos sediados em Minas Gerais, a mais de 1.600 quilômetros da capital pernambucana.

Os valores sob análise chamam a atenção. De acordo com os autos, aproximadamente R$ 99,4 milhões teriam sido contratados por meio da AMMESF e outros R$ 19,2 milhões via Codanorte. A empresa formalmente beneficiada pelos contratos seria a construtora mineira Sinarco Ltda. No entanto, os investigadores suspeitam que a companhia possa ter atuado apenas como intermediária, dando aparência de regularidade a um arranjo cujo centro operacional estaria, na prática, em Pernambuco.

Relatórios de inteligência financeira anexados ao processo indicam que, após receber recursos da Prefeitura, a Sinarco teria transferido mais de R$ 60 milhões para outra empresa, a Alca Engenharia, com atuação local. Para o MPPE, essa movimentação pode indicar que a execução efetiva dos serviços e a maior parte dos ganhos financeiros teriam ficado com a empresa pernambucana, levantando dúvidas sobre a lisura da cadeia de contratação.

Outro ponto destacado na investigação envolve a fiscalização das obras. Um dos sócios da empresa responsável por auditar serviços ligados à Sinarco teria registrado movimentações financeiras da ordem de R$ 1,2 milhão em curto espaço de tempo, valor considerado incompatível com sua renda declarada. A suspeita é de que esses recursos possam estar relacionados a pagamentos ilícitos ou a tentativas de ocultação de valores, hipótese que ainda será aprofundada com a retomada das diligências.

Ao autorizar a continuidade do inquérito, o TJPE também ressaltou que os indícios apurados até agora apontam, em tese, para crimes como organização criminosa, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. Com isso, o Ministério Público volta a ter respaldo judicial para analisar contratos, fluxos financeiros e a eventual participação de empresas e pessoas físicas no suposto esquema.

Procurada, a Prefeitura do Recife informou anteriormente, em declarações à imprensa nacional, que não figura formalmente como investigada e que o foco da apuração estaria restrito a um núcleo empresarial. A gestão municipal também declarou confiar na legalidade das contratações realizadas e afirmou que os procedimentos adotados seguiram os parâmetros administrativos vigentes. Até o momento mais recente, não havia novo posicionamento oficial sobre a decisão do Tribunal.

Com a validação das provas e a retomada das investigações, o caso entra em uma nova fase, na qual o MPPE poderá aprofundar a análise de documentos, quebras de sigilo e movimentações financeiras. O desfecho ainda é incerto, mas a decisão do TJPE recoloca sob escrutínio judicial um conjunto de contratos de alto valor firmados pela administração municipal, ampliando a atenção sobre a transparência e a regularidade no uso de recursos públicos.

ENCONTRO ENTRE JOÃO CAMPOS E MIGUEL COELHO TERMINA SEM ACORDO SOBRE CHAPA DA FRENTE POPULAR: “MUITO FOI DEFINIDO, INCLUSIVE NADA”

Em um cenário político que prometia aquecer as rodas de conversa na capital e no interior, o encontro recente entre o prefeito do Recife, João Campos, e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, terminou sem a definição de um denominador comum sobre a composição da chapa majoritária da Frente Popular. Apesar de ser celebrado por muitos como um passo em direção à unidade partidária, líderes e aliados agora reconhecem que o resultado foi, sobretudo, a manutenção do impasse entre as partes.

A reunião, ocorrida ao longo da última semana, foi marcada por expectativas de consensos e movimentações estratégicas nos bastidores eleitorais. Ainda assim, ao fim do encontro, ficou claro que as divergências sobre o timing da oficialização da chapa continuam a lançar sombras sobre o projeto político conjunto.

Em entrevista à CNN Brasil, João Campos reafirmou que a definição da chapa majoritária será feita apenas em março, período em que, segundo ele, toda a base política terá amadurecido as discussões internas e consolidado os melhores caminhos para o bloco. Para o prefeito, “a construção de uma chapa forte e competitiva demanda tempo e sintonia com as necessidades do projeto coletivo”.

Por outro lado, Miguel Coelho tem uma visão distinta da urgência do processo. O ex-prefeito de Petrolina defende que a oficialização da sua postulação — e, consequentemente, de toda a chapa — ocorra antes do Carnaval. Essa antecipação, na avaliação de setores do bloco próximo a Miguel, poderia consolidar antecipadamente a identidade política e permitir maior tempo de articulação junto ao eleitorado.

O IMBRÓGLIO QUE PERDURA

Embora o encontro tenha sido interpretado por militantes e observadores como um passo em direção ao alinhamento entre as lideranças, a constatação entre participantes é de que a declaração de intenções acabou evidenciando o desequilíbrio de ritmos e prioridades dentro da Frente Popular.

Aliados de João Campos destacam que o prefeito quer garantir que a chapa represente toda a base aliada, abrindo espaço para negociações com legendas parceiras e buscando estratégias que fortaleçam o palanque majoritário. Para essa corrente, uma decisão antecipada pode fechar portas que ainda estão abertas para construção de alianças.

Já o entorno de Miguel Coelho entende que a demora de Campos em consolidar a chapa pode gerar insegurança entre correligionários e aliados, além de reduzir o tempo disponível para mobilizações e estruturação de campanha em 2026.

EXPECTATIVAS E APOSTAS

Conforme interlocutores próximos às negociações, o encontro serviu para que ambas as partes reafirmassem seus compromissos políticos, mas sem abrir mão de suas posições estratégicas. O que se viu, na análise de analistas políticos, foi um acordo tácito para manter o diálogo aberto e adiar uma definição clara até que fatores externos ao encontro — como a evolução das alianças partidárias — sejam revelados.

No campo eleitoral, a indefinição tende a gerar debates entre os militantes e observadores. A proximidade do Carnaval, evento cultural que tradicionalmente marca o início do calendário político mais intenso no país, coloca sob pressão os líderes partidários para dar respostas claras ao eleitor.

OS PRÓXIMOS PASSOS

Com a palavra final pendente, as atenções agora se voltam para os meses de fevereiro e março. O cenário é de tensão controlada, com negociações internas, consultorias estratégicas e avaliações eleitorais em andamento nos bastidores.

Enquanto isso, setores da Frente Popular mantêm otimismo cauteloso, afirmando que a construção de uma chapa solida ainda é possível e que o encontro — embora sem definição — serviu para mapear posições e ajustar agendas.

A história, portanto, não terminou no encontro desta semana. Pelo contrário: abriu um novo capítulo de um processo político que pode se desenrolar de forma decisiva a partir de março, quando, segundo João Campos, o martelo poderá — enfim — ser batido.