sexta-feira, 4 de setembro de 2026
CANDIDATA A DEPUTADA ESTADUAL, SOCORRINHO DECLARA APOIO A EDUARDO DA FONTE PARA O SENADO
PERNAMBUCO REGISTRA EM AGOSTO OS MENORES NÚMEROS DE MVIs E CVPS DAS SÉRIES HISTÓRICAS
NA LUPA | RAQUEL VIRA ALVO DE UMA CAMPANHA QUE DESCEU AO TERRENO MAIS BAIXO DA POLÍTICA
E, nesse episódio específico, Raquel Lyra aparece como vítima de um ataque que ultrapassou todos os limites aceitáveis da disputa eleitoral.
O panfleto apócrifo que acusa a governadora de ter matado o marido para ganhar uma eleição não é crítica administrativa, não é divergência ideológica e muito menos confronto político.
É uma acusação pessoal, brutal e sem qualquer relação com o debate que deveria orientar a escolha do próximo governador de Pernambuco.
Raquel reagiu. Procurou as autoridades, acionou os órgãos competentes e agora cobra que a investigação encontre quem está por trás do material.
Está no seu direito.
E mais: é obrigação das instituições esclarecer o caso.
QUANDO A POLÍTICA PERDE A VERGONHA
Uma coisa é adversário atacar adversário.
Isso faz parte da democracia.
Pode-se questionar uma obra, criticar uma decisão, apontar problemas de gestão, comparar governos, contestar números e até fazer oposição dura.
Outra coisa completamente diferente é transformar uma tragédia familiar em instrumento de campanha.
É aí que a disputa perde qualquer verniz de civilidade.
Raquel não está reclamando de uma crítica política. Está denunciando um ataque que atingiu sua história pessoal, sua família e a memória do marido.
E é justamente nesse ponto que a campanha precisa parar e olhar para si mesma.
Até onde vale tudo para ganhar uma eleição?
A VÍTIMA NÃO PODE VIRAR CULPADA POR SER ATACADA
Há algo particularmente perverso quando uma candidata é atacada e, em seguida, precisa gastar energia política explicando que não foi responsável pelo próprio ataque.
Raquel afirmou que, depois de denunciar o episódio, passou a ser colocada no centro da autoria do material.
É uma inversão preocupante.
Quem deveria estar no foco da investigação é quem produziu, financiou ou distribuiu o panfleto — não a pessoa que aparece como alvo da acusação.
Se houver participação de qualquer grupo político, que a investigação revele.
Mas, enquanto isso não acontece, transformar a vítima em suspeita apenas amplia o dano provocado pelo próprio ataque.
A INDIGNAÇÃO SELETIVA
E aqui aparece uma das faces mais desconfortáveis da política.
É fácil defender respeito quando o ataque atinge alguém do nosso lado.
O verdadeiro teste acontece quando a vítima é o adversário.
Será que os mesmos que hoje condenam esse tipo de expediente teriam a mesma indignação se o alvo fosse João Campos?
A pergunta vale para todos.
Porque democracia não pode ter uma regra para o aliado e outra para o adversário.
O limite precisa existir antes do ataque, e não apenas depois que ele atinge quem está no nosso campo.
RAQUEL TAMBÉM ENTRA NA DISPUTA COMO MULHER
Ao relacionar o episódio às dificuldades enfrentadas por mulheres na política, Raquel tenta colocar outra questão em evidência.
Segundo ela, ocupar um espaço de poder já é difícil e permanecer nele seria ainda mais complicado diante da resistência masculina.
A declaração ganha peso justamente porque o ataque não ficou restrito à sua atuação como governadora.
Ele atingiu sua condição de mulher, sua família e sua história pessoal.
É uma diferença importante.
Uma campanha pode questionar a governadora.
Não deveria precisar destruir a mulher para tentar derrotar a candidata.
A TECNOLOGIA PODE PIORAR O QUE JÁ É RUIM
A discussão sobre inteligência artificial entra no mesmo cenário.
Raquel defende o uso da tecnologia, mas afirma que quem ultrapassar os limites precisa responder, seja de sua campanha ou da campanha adversária.
A regra deveria ser simples.
Não interessa quem produziu.
Não interessa para quem serve.
Não interessa contra quem foi feito.
Se é falso, criminoso ou utilizado para manipular o eleitorado, precisa ser investigado.
A tecnologia não pode transformar a eleição em uma fábrica de ataques anônimos onde ninguém assume a autoria e todos apenas exploram o resultado.
O PASSADO POLÍTICO VOLTA COMO MUNIÇÃO
Raquel também falou sobre sua trajetória no PSB e sua relação com Eduardo Campos.
Disse que não apaga “um milímetro” de sua história.
E não deveria mesmo.
Na política pernambucana, alianças mudam, partidos mudam e adversários mudam. A história, porém, permanece.
Raquel esteve ao lado do grupo de Eduardo Campos, passou pelo PSDB e hoje está no PSD. João Campos, filho de Eduardo, está do outro lado da disputa.
O curioso é que aquilo que um dia serviu para aproximar políticos pode, anos depois, ser utilizado para tentar separá-los.
Na política, o passado raramente morre. Apenas muda de narrativa.
NA LUPA
Raquel tem uma eleição para disputar e adversários para enfrentar.
Mas não deveria precisar enfrentar também acusações criminosas lançadas anonimamente contra sua vida pessoal.
O panfleto apócrifo precisa ser investigado.
A autoria precisa aparecer.
Se houver financiamento político, que seja revelado.
Se houver participação de militantes, grupos ou candidatos, que respondam.
E se não houver qualquer vínculo partidário, que isso também seja esclarecido.
O que não pode acontecer é o ataque desaparecer no meio da guerra eleitoral enquanto a vítima continua carregando o peso da acusação.
Raquel pode ser criticada como governadora. Pode ser cobrada como gestora. Pode ser enfrentada como candidata.
Mas transformar a tragédia de sua família em arma eleitoral é outra coisa.
Isso não é disputa política. É o momento em que a política perde a medida — e a candidata passa a ser vítima de uma campanha que parece não reconhecer mais nenhum limite.
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
EDUARDO DA FONTE SERÁ HOMENAGEADO COM A MAIS ALTA HONRARIA DO TRF5
RAQUEL APRESENTA PROPOSTAS, ESCUTA DEMANDAS DA COMUNIDADE ACADÊMICA E FAZ BALANÇO DURANTE SABATINA na UPE
VEREADORES E EX-SECRETÁRIO DE IPOJUCA SÃO ALVOS DA TERCEIRA FASE DA OPERAÇÃO MUDART
A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira (3), a terceira fase da Operação Mudart, investigação que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. A ação atingiu diretamente o ambiente político do município e teve como alvos três vereadores, um ex-secretário municipal, uma contadora e outras pessoas investigadas.
Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão na Câmara Municipal de Ipojuca e em endereços ligados aos investigados. Segundo o delegado Ney Luiz, responsável pela investigação, o suposto esquema teria movimentado aproximadamente R$ 16 milhões por meio de recursos públicos destinados à Associação Mudart.
A operação também resultou no afastamento de um vereador de suas funções. Segundo o delegado, a Polícia Civil chegou a solicitar prisões durante esta nova etapa da investigação, mas a decisão judicial autorizou apenas o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.
Investigação mira emendas parlamentares
As apurações começaram ainda em 2025, depois de denúncias de que recursos públicos seriam desviados por meio de emendas parlamentares destinadas à Associação Mudart.
A entidade era presidida por Simone Marques, que acabou sendo assassinada após comparecer à delegacia para prestar esclarecimentos relacionados à investigação.
Nas fases anteriores da operação, dois integrantes da Mesa Diretora da Câmara de Ipojuca foram presos: o então presidente da Casa, Flávio do Cartório (PSD), e o então vice-presidente, Professor Eduardo (PSD).
Agora, a Polícia Civil amplia o cerco e busca identificar a participação individual de cada um dos novos alvos.
Polícia aponta divisão de tarefas
De acordo com o delegado Ney Luiz, as investigações indicam a existência de uma estrutura organizada, com diferentes pessoas desempenhando funções específicas dentro do suposto esquema.
Segundo ele, parte dos serviços investigados teria realmente sido executada, mas com indícios de superfaturamento e utilização de notas fiscais falsas.
A contadora investigada teria papel na emissão dessas notas, enquanto outros envolvidos atuariam na articulação política e administrativa.
“A investigação revelou que alguns serviços foram de fato prestados, mas havia um superfaturamento com emissão de notas fiscais falsas”, afirmou o delegado.
Ney Luiz também apontou a existência de diferentes núcleos dentro da organização investigada. Um deles seria político, envolvendo vereadores e um ex-secretário municipal. Outro seria jurídico-administrativo, com participação de advogados que elaborariam projetos e buscariam dar respaldo legal às operações. Já o núcleo financeiro estaria ligado à movimentação dos recursos.
R$ 16 milhões na mira da Polícia Civil
Segundo a Polícia Civil, teria existido um acordo prévio entre vereadores de Ipojuca e um ex-secretário municipal para definir a destinação de valores provenientes de emendas parlamentares para a Associação Mudart.
A investigação agora pretende esclarecer quem participou, quanto recebeu, quais serviços foram efetivamente prestados e de que forma os recursos públicos teriam sido movimentados.
Durante a operação desta quinta-feira, os policiais apreenderam computadores, telefones celulares, documentos e outros materiais que serão submetidos à análise.
“Essa investigação continua a fim de individualizar bem a conduta de cada um deles e indiciá-los”, afirmou Ney Luiz.
O cerco aperta
A terceira fase da Operação Mudart coloca novamente a Câmara de Ipojuca no centro de uma investigação de grande repercussão. O volume de recursos sob suspeita e a quantidade de agentes públicos e particulares alcançados pela apuração mostram que a Polícia Civil ainda considera o caso longe de estar encerrado.
Por enquanto, os alvos desta nova fase são investigados e não foram condenados pela Justiça. O material apreendido deverá ser analisado pelos investigadores para definir a eventual responsabilidade de cada envolvido.
A expectativa agora é de que os documentos e equipamentos recolhidos nesta quinta-feira possam revelar novas conexões e esclarecer o caminho percorrido pelos recursos que estão no centro da Operação Mudart.