domingo, 1 de novembro de 2026

COTADO AO MINISTÉRIO DA CULTURA, WAGNER MOURA NUNCA EXERCEU CARGO PÚBLICO NA CARREIRA

O nome do ator baiano Wagner Moura começou a circular nos bastidores de Brasília como uma das possibilidades para assumir o Ministério da Cultura no próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com informações publicadas pelo jornal O Globo, o artista está entre os cotados para comandar a pasta, atualmente chefiada por Margareth Menezes.

Apesar do reconhecimento nacional e internacional, Moura nunca exerceu funções na administração pública. O ator não possui histórico como secretário, diretor de fundações ou ocupante de qualquer outro cargo em órgãos governamentais, o que chama atenção diante da possibilidade de assumir uma das principais estruturas do governo federal voltadas ao setor cultural.

Outros nomes também aparecem nas especulações sobre a sucessão de Margareth Menezes. Entre eles estão o cantor Chico César e a atriz Maria Marighella (PT-BA), deputada federal eleita. A atual ministra está à frente da pasta desde 2023, quando o governo Lula recriou o Ministério da Cultura no início do terceiro mandato presidencial.

O baiano ganhou ainda mais destaque após receber uma indicação ao Oscar de Melhor Ator e conquistar o Globo de Ouro por sua atuação em “O Agente Secreto”. Além da trajetória artística, o ator também se envolveu diretamente nas discussões políticas durante o período eleitoral deste ano.

Durante a campanha em apoio ao petista, Moura participou de uma mobilização de artistas brasileiros que encaminharam uma carta à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

No documento, os profissionais manifestaram preocupação com os impactos que atribuíam à política cultural do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e demonstraram receio diante de uma eventual vitória do candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL).

O ator também integrou a série “Revelando”, produção que abordou denúncias de um suposto complô que envolve o senador do PL e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra os interesses brasileiros. Em um dos episódios, o artista apresentou críticas relacionadas à exploração de recursos naturais e à disputa econômica entre norte-americanos e chineses.

Hoje você vai descobrir a história de um complô pra saquear o Brasil. Um complô que conta com traidores da pátria, gente submissa, e voluntários que estão entregando o país de bandeja pros americanos. De cada dez quilos de terras raras que os Estados Unidos importam, sete vêm da China. E a China e os Estados Unidos estão numa briga que não acaba, por isso e um monte de outras coisas”, afirmou Wagner em um dos episódios.
Do jornalismo à carreira artística
Nascido em Salvador, em 27 de junho de 1976, Wagner Maniçoba de Moura cresceu em uma família de origem simples. Filho de José Moura, sargento da Aeronáutica, e Alderiva Maniçoba, dona de casa, o artista passou parte da infância no município de Rodelas, no interior da Bahia, antes de retornar à capital durante a adolescência.

Antes de conquistar espaço no cinema e na televisão, Wagner também trilhou um caminho ligado à comunicação. O baiano se formou em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mas teve uma passagem curta pela profissão.

Um dos trabalhos do artista na área foi como repórter de celebridades no programa “Michele Marie Entrevista", exibido pela TV Bahia e apresentado por Michelle Marie, que foi casada com Luís Eduardo Magalhães, filho do ex-senador Antonio Carlos Magalhães.

ANDERSON FERREIRA SAI EM DEFESA DO PL E COBRA RESPEITO À DIREITA, MAS SILENCIA SOBRE FUGA DE FLÁVIO BOLSONARO

Presidente do PL em Pernambuco reage às críticas de Carlos Veras, exibe força eleitoral da legenda e evita entrar na polêmica envolvendo o senador que deixou o Brasil após a derrota nas urnas.
Na política, até o silêncio fala. E, em determinados momentos, fala bastante.

O presidente do PL em Pernambuco e deputado federal eleito, Anderson Ferreira, resolveu entrar em campo para defender o partido das críticas feitas pelo deputado federal Carlos Veras, presidente estadual do PT. Em resposta às declarações do adversário, o dirigente liberal cobrou respeito à direita e à legenda, mas chamou atenção por um detalhe: não disse uma palavra sobre a saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos depois da derrota na eleição presidencial.

Anderson classificou as declarações de Veras como “absolutamente descabidas” e aproveitou para lembrar o tamanho político conquistado pelo PL nas urnas. A legenda saiu das eleições como a maior força partidária do Congresso Nacional, com 121 deputados federais e 29 senadores.

O recado foi direto: o PL não aceita ser tratado como uma força política sem representatividade e pretende continuar ocupando espaço no debate nacional.

Com 185.429 votos, Anderson Ferreira também chega a Brasília com credenciais eleitorais de peso. Foi o deputado federal mais votado do seu campo ideológico em Pernambuco e o terceiro colocado no ranking geral. Ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes por dois mandatos e candidato ao Governo do Estado em 2022, ele volta ao Congresso com capital político para assumir protagonismo na oposição pernambucana.

Mas existe uma questão que não passou despercebida nos bastidores.

Ao defender o PL, Anderson preferiu não defender Flávio Bolsonaro. O senador, derrotado na disputa presidencial, deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, numa movimentação que provocou desconforto dentro da própria legenda. O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, chegou a se posicionar contra a viagem e afirmou que a decisão aconteceu sem autorização da direção partidária.

O próprio PL reconheceu oficialmente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, evitando embarcar em novas contestações sem provas sobre o resultado eleitoral.

A postura de Anderson parece seguir uma estratégia bem definida: defender a instituição, preservar o espaço político da direita e evitar que o PL pernambucano seja arrastado para todas as polêmicas envolvendo a família Bolsonaro.

Afinal, uma coisa é fazer oposição ao governo Lula. Outra, bem diferente, é assumir o custo político de cada movimento de Flávio Bolsonaro.

NA LUPA: Anderson Ferreira quer mostrar que o PL tem força, votos e musculatura para fazer oposição. E tem. Mas o silêncio sobre Flávio também é uma mensagem. Em política, quando um dirigente escolhe cuidadosamente o que dizer e, principalmente, o que não dizer, dificilmente é por acaso.

NIKOLAS FERREIRA IRONIZA PROJETO DO PT CONTRA DISCRIMINAÇÃO POLÍTICA: “CHAMAR PETISTA DE JUMENTO VAI DAR CADEIA”

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) encontrou mais um motivo para subir o tom contra o PT. Nesta sexta-feira (30), o parlamentar criticou um projeto de lei apresentado pela bancada petista na Câmara dos Deputados que pretende criminalizar práticas de discriminação motivadas por voto ou convicção política. Com ironia e provocação, Nikolas resumiu sua insatisfação em uma frase que rapidamente chamou atenção: “Chamar petista de jumento vai te levar para a cadeia”.

Na sequência, o deputado questionou o que considera um tratamento desigual entre os campos políticos. “Mas eles podem nos chamar de genocidas, fascistas, nazistas”, acrescentou, numa crítica direta ao que classifica como uma tentativa de impor limites à liberdade de manifestação política.

A proposta foi protocolada na quinta-feira (29), sob liderança do deputado Pedro Uczai (PT-SC), líder do partido na Câmara, e conta com a assinatura de outros 64 parlamentares. O texto pretende criar um tipo penal específico para combater a discriminação política nas relações de trabalho e nas atividades econômicas.

Na prática, o projeto quer punir quem organizar, divulgar ou compartilhar listas de pessoas identificadas por suas posições políticas com a finalidade de provocar demissões, impedir contratações, prejudicar atividades profissionais ou estimular boicotes comerciais. Também entram na mira empregadores que recusarem candidatos ou demitirem funcionários por causa de suas convicções políticas.

Outro ponto previsto é a punição para situações de constrangimento destinadas a obrigar alguém a revelar o próprio voto, além do monitoramento de manifestações políticas com finalidade discriminatória e ameaças de inclusão em listas de boicote.

A pena básica prevista é de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. Quando as condutas forem praticadas por redes sociais, aplicativos de mensagens, meios de comunicação ou publicações, a punição poderá chegar a seis anos.

O projeto ainda estabelece agravantes, com aumento de um terço até a metade da pena, quando houver atuação coordenada de três ou mais pessoas, participação de agentes públicos ou detentores de mandato, prejuízo econômico ou profissional à vítima, cinco ou mais pessoas atingidas ou acordos entre empresários para promover discriminação.

A proposta também modifica a Lei nº 9.029/1995, que trata da proibição de práticas discriminatórias nas relações de trabalho, para incluir expressamente o voto e a convicção política entre os motivos protegidos.

O debate promete esquentar os corredores de Brasília. De um lado, o PT sustenta a necessidade de proteger trabalhadores contra perseguições e retaliações por suas escolhas políticas. Do outro, Nikolas e setores da oposição enxergam risco de restrição à liberdade de expressão e questionam os limites que a legislação pretende estabelecer.

No meio dessa disputa, uma questão merece atenção: proteger alguém de perseguição política no emprego é uma coisa; transformar insultos e provocações do cotidiano em assunto de polícia é outra. O texto ainda precisará enfrentar o debate parlamentar e jurídico sobre seus limites, sua aplicação e a preservação da liberdade de expressão.

Em Brasília, até chamar o adversário de jumento virou assunto de projeto de lei. E a temperatura política continua subindo.

ALCOLUMBRE MARCA VOTAÇÃO DA PEC DA SEGURANÇA NO SENADO, MAS IMPASSE SOBRE MAIORIDADE PENAL CONTINUA

A segurança pública volta ao centro das atenções do Congresso Nacional. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para a próxima terça-feira (3) a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, mas o caminho até a aprovação ainda passa por uma disputa que divide governo e oposição: a redução da maioridade penal.

O principal ponto de divergência é a possibilidade de estabelecer em 14 anos a idade mínima para responsabilização penal em determinadas situações. A discussão provocou resistência entre os parlamentares e acabou retirando a proposta da pauta anterior, diante da falta de consenso sobre o tema.

A PEC tem como objetivo ampliar a participação do governo federal no combate ao crime organizado, fortalecer a integração entre as forças policiais e reorganizar as atribuições dos entes federativos na área da segurança pública. A iniciativa é considerada uma das principais apostas do governo Lula para enfrentar a criminalidade em âmbito nacional.

O problema é que a discussão sobre a maioridade penal ameaça contaminar toda a votação. Enquanto setores da oposição defendem mudanças mais amplas nas regras atuais, integrantes do governo tentam evitar que esse ponto impeça o avanço das demais medidas previstas no texto.

Diante do impasse, uma das alternativas em discussão é fatiar a proposta. A estratégia permitiria aprovar e promulgar os dispositivos que já contam com entendimento entre os parlamentares, deixando a discussão sobre a maioridade penal para uma tramitação separada na Câmara dos Deputados.

A decisão de Alcolumbre de colocar novamente a matéria na pauta mostra que o Senado pretende retomar o debate, mas não elimina as dificuldades de negociação. O governo quer avançar com o novo desenho da segurança pública, enquanto a oposição tenta garantir espaço para suas propostas de endurecimento da legislação penal.

Na próxima terça-feira, o plenário terá diante de si uma discussão que vai muito além de uma votação constitucional. O desafio será encontrar um caminho para fortalecer o combate ao crime organizado sem transformar a PEC em refém de uma disputa política sobre a redução da maioridade penal.

VINI CASTELLO RECONHECE ERRO NA ESTRATÉGIA DE JOÃO CAMPOS E DIZ QUE CHAPA DEVERIA TER ATRAÍDO A DIREITA

Deputado estadual eleito pelo PCdoB admite que a composição exclusivamente de esquerda pode ter afastado eleitores de centro e da direita. Declaração expõe uma das fragilidades da campanha da Frente Popular em Pernambuco.
A derrota de João Campos (PSB) na disputa pelo Governo de Pernambuco continua produzindo reflexões dentro do próprio campo político que sustentou sua candidatura. E uma das avaliações mais interessantes veio justamente de um aliado que participou da disputa: o deputado estadual eleito Vini Castello, do PCdoB.

Em entrevista ao Podcast Dose Dupla, Castello reconheceu que a estratégia adotada pela Frente Popular na montagem da chapa majoritária poderia ter seguido outro caminho. Sem esconder sua avaliação, o parlamentar afirmou que teria buscado uma composição mais ampla, com espaço para nomes de centro e até da direita.

Na avaliação de Vini, a escolha por uma chapa formada exclusivamente por forças de esquerda acabou deixando de lado uma parcela importante do eleitorado pernambucano. Uma decisão política que, diante do resultado das urnas, merece ser analisada.

“Eu faria diferente. Colocaria alguém mais ao centro, até mesmo à direita para poder também fazer um gesto para a outra parcela da população”, afirmou.

O deputado eleito também fez questão de esclarecer que não participou das decisões estratégicas da campanha e não teve influência na montagem da chapa. “Eu não estava na coordenação. Eu não optei”, declarou.

A fala tem peso porque não vem de um adversário de João Campos, mas de alguém que esteve no mesmo palanque e agora reconhece publicamente que a estratégia poderia ter sido outra.

O CENTRO FICOU DE FORA DA CONTA

João Campos chegou a ensaiar uma composição mais abrangente, com a possibilidade de incorporar o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) à chapa. A articulação, entretanto, não avançou como inicialmente esperado.

Com as movimentações políticas envolvendo Marília Arraes (PDT) e Silvio Costa Filho (Republicanos), que também dialogaram com Raquel Lyra (PSD), o desenho da oposição tomou outro rumo.

João terminou apostando na identidade política do chamado Time de Lula, fortalecendo a ligação com o campo progressista, mas deixando em segundo plano uma aproximação mais consistente com setores de centro e centro-direita.

É justamente nesse ponto que a declaração de Vini Castello ganha importância. A eleição mostrou que não basta reunir forças tradicionais de esquerda para construir uma maioria eleitoral. Em uma disputa estadual, ampliar alianças também significa conversar com quem não pensa exatamente da mesma maneira.

UMA DERROTA QUE AINDA PRECISA SER DIGERIDA

Mesmo lamentando o resultado de João Campos, Vini destacou as vitórias de Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) para o Senado, que, segundo ele, terão papel importante diante do avanço da direita no Congresso.

O parlamentar também reconheceu a dimensão da disputa, classificando a eleição como um confronto entre duas grandes forças políticas de Pernambuco.

A questão agora é saber se a avaliação feita pelo deputado eleito será absorvida pelo grupo de João Campos ou se ficará apenas como mais uma declaração depois de uma derrota eleitoral.

Na política, perder uma eleição é uma coisa. Entender por que perdeu é outra. E, pelo visto, dentro da própria Frente Popular já existe quem tenha começado a fazer essa conta.

Suavizar a acusação de erroCortar repetições ao longo do textoDeixar a análise mais equilibrada

LULA PREPARA GESTO DIPLOMÁTICO E AVALIA CONVIDAR ADVERSÁRIOS DE MILEI PARA SUA POSSE; PRESIDENTE ARGENTINO TAMBÉM DEVE RECEBER CONVITE

Em meio à crise diplomática entre Brasil e Argentina, presidente brasileiro considera receber Axel Kicillof e Sergio Massa na cerimônia de janeiro de 2027. Javier Milei também será convidado, mas sua presença é considerada pouco provável.
A diplomacia brasileira começa a desenhar os movimentos políticos para a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro de 2027. Em meio ao desgaste nas relações com o governo argentino de Javier Milei, Lula avalia fazer um movimento que tem significado político e diplomático: convidar representantes da oposição argentina para participar da cerimônia que marcará o início de seu novo mandato.

Entre os nomes que estão no radar do Itamaraty estão o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, uma das principais lideranças do peronismo e apontado como possível candidato à Presidência da Argentina, e o ex-ministro da Economia Sergio Massa, que disputou o segundo turno presidencial contra Milei em 2023 e acabou derrotado.

A informação foi divulgada pela CNN Brasil e repercutiu em outros veículos de comunicação. A iniciativa ainda está em avaliação e não significa que os convites tenham sido oficialmente enviados.

MILEI TAMBÉM DEVE SER CONVIDADO

Apesar da possibilidade de ampliar a representação da oposição argentina na solenidade, Lula também pretende convidar Javier Milei. A orientação diplomática é preservar a formalidade institucional e estender o convite aos chefes de Estado dos países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas.

Nos bastidores do governo brasileiro, entretanto, a avaliação é de que a possibilidade de Milei comparecer à cerimônia é remota. Os dois presidentes acumulam divergências políticas e ideológicas, além de episódios recentes que contribuíram para o afastamento entre Brasília e Buenos Aires.

O convite ao presidente argentino, portanto, não representa uma reaproximação política automática. É também um gesto de respeito ao protocolo diplomático.

FUGA DE FLÁVIO BOLSONARO AUMENTOU A TENSÃO

O novo capítulo da relação entre os dois países acontece depois da saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, passando pela Argentina, em meio às repercussões de sua derrota eleitoral e de questionamentos sobre o cumprimento de determinações judiciais brasileiras.

O episódio provocou desconforto no governo Lula. O Itamaraty convocou a encarregada de negócios da embaixada argentina no Brasil, María Emilia Cortés, para tratar de informações sobre a possível participação de autoridades argentinas na operação.

O caso ganhou dimensão internacional depois que Flávio agradeceu publicamente a Javier Milei pela assistência recebida, sem detalhar a participação do governo argentino.

A Reuters também noticiou a convocação da representante diplomática argentina e o agravamento do relacionamento entre os dois governos.

RELAÇÃO ENTRE OS PAÍSES JÁ ESTAVA DESGASTADA

A crise não começou com o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro. Desde antes das eleições brasileiras, Milei manifestou apoio político ao grupo bolsonarista e fez declarações públicas contra Lula.

Em agosto, depois de novos ataques do presidente argentino ao governo brasileiro e às instituições nacionais, o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado de volta para consultas. Desde então, a representação diplomática brasileira na Argentina passou a funcionar em nível reduzido, com encarregados de negócios.

Em entrevista repercutida pelo UOL, o assessor especial de Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, classificou o relacionamento entre Brasil e Argentina como um dos piores momentos de sua história e criticou o comportamento diplomático do governo Milei.

Apesar do cenário político, o governo brasileiro procura preservar os canais institucionais e os interesses econômicos que unem os dois países.

AXEL KICILLOF E SERGIO MASSA NO RADAR

A possível presença de Axel Kicillof tem um significado especial. Governador da província de Buenos Aires, ele é uma das principais referências da oposição peronista e aparece entre os nomes cotados para representar esse campo político na disputa presidencial argentina de 2027.

Já Sergio Massa carrega a experiência de ter enfrentado Milei diretamente nas urnas em 2023. Ex-ministro da Economia, foi o candidato peronista derrotado naquele segundo turno.

A eventual participação dos dois na posse de Lula poderá ampliar a interlocução do governo brasileiro com diferentes setores da política argentina, sem que isso represente um rompimento com a atual administração daquele país.

A DIPLOMACIA E A POLÍTICA CAMINHAM JUNTAS

O movimento em estudo revela o cuidado do governo brasileiro em separar relações de Estado de afinidades entre governos. Lula pode receber Milei formalmente e, ao mesmo tempo, abrir espaço para lideranças que fazem oposição ao presidente argentino.

A cerimônia de janeiro de 2027 deverá reunir autoridades estrangeiras e lideranças internacionais em Brasília, num momento em que o novo mandato brasileiro começa cercado por desafios diplomáticos importantes.

No tabuleiro sul-americano, o convite aos adversários de Milei poderá representar mais um capítulo da disputa política entre diferentes projetos para a região. Mas a decisão de convidar também o presidente argentino demonstra que, mesmo diante das divergências, o protocolo institucional continua fazendo parte do jogo diplomático.

Na política internacional, os convites também falam. E, desta vez, Brasília poderá colocar adversários de Milei na mesma lista de convidados do próprio presidente argentino.

MORRE RUBAN BARRA, CANTOR DE “CINDERELA”, AOS 76 ANOS

Músico fluminense se destacou como intérprete nos anos 1980 e assinou sucessos icônicos como "Dancin' Days" e "Eu Sou Free"

Ruban Barra marcou a música brasileira como intérprete e compositor de clássicos nacionais. (Foto: Reprodução / Redes Sociais)

O cenário musical brasileiro perdeu um de seus importantes nomes da era disco e pop da MPB. O cantor, compositor e produtor musical Ruban Barra faleceu aos 76 anos, nos primeiros minutos desta sexta-feira (30), no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por meio de nota publicada em suas redes sociais oficiais.

De acordo com apurações da imprensa nacional, o artista estava hospitalizado em estado grave devido a complicações de uma enfermidade diagnosticada em 2024, cuja natureza não foi revelada pela família.

Nascido em Valença, no interior do Estado do Rio de Janeiro, Rubens de Queiroz Barra construiu uma carreira multifacetada como instrumentista, produtor e cantor. Seu maior sucesso vocal ocorreu com a música “Cinderela”, fruto de parceria com a atriz e compositora Patricya Travassos, lançada no disco Vitrine (1986).

Como autor, Ruban Barra imortalizou grandes hinos da música brasileira. Entre suas obras de maior projeção está “Dancin’ Days”, escrita com Nelson Motta e interpretada pelo grupo As Frenéticas para a abertura da clássica novela homônima da TV Globo (1978-1979). Ele também assinou, ao lado de Patricya Travassos, o hit “Eu Sou Free”, gravado pela banda Sempre Livre em 1983.

Principais Sucessos de Ruban Barra

  • “Cinderela” (1986): Sucesso na voz de Ruban Barra (parceria com Patricya Travassos).
  • “Dancin’ Days” (1978): Tema da novela da TV Globo gravado por As Frenéticas (parceria com Nelson Motta).
  • “Eu Sou Free” (1983): Marcante sucesso pop gravado pela banda Sempre Livre (parceria com Patricya Travassos

sábado, 31 de outubro de 2026

FLÁVIO BOLSONARO VIRA ABACAXI PARA TRUMP: FAMÍLIA BOLSONARO EXPORTA CRISE PARA OS EUA E DEMOCRATAS QUEREM SABER QUEM ABRIU A PORTA

Os Bolsonaros foram procurar proteção política nos Estados Unidos e acabaram criando uma dor de cabeça para Donald Trump. O que deveria ser uma demonstração de prestígio internacional virou munição para os democratas, que agora cobram explicações sobre a entrada de Flávio Bolsonaro e seus familiares no território americano.
A família Bolsonaro parece ter dificuldade para entender que os Estados Unidos não são uma extensão do seu quintal político. Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami depois de perder a eleição presidencial brasileira para Lula, mas a viagem que deveria representar uma ofensiva internacional da oposição começou a produzir um efeito bastante diferente: constrangimento para Donald Trump.

E o problema chegou ao Congresso americano.

Pelo menos 25 deputados democratas enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, com 15 perguntas sobre a entrada de Flávio e de seus familiares nos Estados Unidos. Querem saber quem autorizou o procedimento, qual foi a justificativa e se houve participação de representantes diplomáticos americanos na operação.

O prazo para respostas é 13 de novembro. Ou seja, a família que gosta de cobrar explicações dos outros agora também terá de conviver com perguntas bastante inconvenientes.

A CONTA PODE CHEGAR PARA TRUMP

O momento não poderia ser mais delicado para o presidente americano. No dia 3 de novembro, os Estados Unidos realizam eleições legislativas que podem alterar o controle do Congresso.

Os democratas já encontraram um assunto para explorar: enquanto o governo Trump adota um discurso duro sobre imigração, um senador brasileiro derrotado nas urnas e seus familiares conseguem entrar nos Estados Unidos em circunstâncias que agora estão sendo questionadas.

A deputada democrata Pramila Jayapal não ficou apenas nas críticas. Ela afirmou que, se os democratas conquistarem a maioria da Câmara, pretende usar os instrumentos de fiscalização parlamentar para investigar a atuação do governo Trump e também a influência da Meta nas eleições brasileiras.

Flávio, portanto, pode ter conseguido um endereço em Miami, mas também entrou no radar de uma disputa política que não é pequena.

TRUMP NÃO QUER COMPRAR O PACOTE COMPLETO

Existe uma diferença entre Trump gostar de Bolsonaro e assumir todas as brigas da família Bolsonaro. E essa diferença está ficando cada vez mais evidente.

Segundo reportagem da Reuters, Trump não pretende endossar a declaração de Flávio de que seria o verdadeiro presidente eleito do Brasil.

O secretário Marco Rubio também tratou de colocar limites na história. Neste sábado (31), afirmou que os Estados Unidos não organizaram a saída de Flávio do Brasil, embora Trump tenha autorizado sua entrada quando soube que ele chegaria ao país.

Traduzindo: uma coisa é abrir a porta. Outra, bem diferente, é assumir a confusão que veio junto.

A CASA BRANCA TERIA MANDADO FLÁVIO BAIXAR A BOLA

Segundo reportagem do ICL Notícias, fontes do governo americano relataram que a Casa Branca demonstrou irritação com a primeira carta divulgada por Flávio, na qual ele se apresentou como verdadeiro presidente eleito do Brasil.

A orientação atribuída a Washington teria sido de discrição, evitando declarações que vinculassem o governo americano à contestação do resultado eleitoral brasileiro.

É uma situação constrangedora para quem apostava na força da influência internacional da família. Flávio foi buscar respaldo e, segundo os relatos publicados, recebeu um recado para não transformar a viagem em um espetáculo político.

EDUARDO, FLÁVIO E A EXPORTAÇÃO DA BRIGA

Eduardo Bolsonaro já vinha trabalhando nos Estados Unidos para aproximar a família de setores republicanos e estimular medidas de pressão contra autoridades brasileiras.

Agora, com Flávio em Miami, a operação ganha outra dimensão. Os democratas querem saber se houve favorecimento, qual foi o papel das autoridades americanas e como se deu a movimentação diplomática.

A oposição americana encontrou um novo argumento contra Trump, enquanto os Bolsonaros continuam tentando transformar uma derrota eleitoral brasileira em uma disputa internacional.

O detalhe é que os Estados Unidos têm seus próprios interesses, suas próprias eleições e seus próprios problemas. Nem tudo gira em torno do sobrenome Bolsonaro.

NA LUPA: FORAM BUSCAR PRESTÍGIO E PODEM TER ENTREGADO UM PROBLEMA

A estratégia bolsonarista parece ter produzido um resultado inesperado. A família queria mostrar que continuava influente internacionalmente, mas acabou colocando Trump diante de questionamentos que chegam em péssima hora.

O presidente americano precisa defender sua agenda, seus candidatos e sua maioria no Congresso. Não precisa, necessariamente, carregar no colo uma família política estrangeira que perdeu a eleição e continua tentando prolongar a disputa fora das urnas.

Flávio pode fazer oposição de Miami, Eduardo pode continuar suas articulações e os aliados americanos podem manter seus contatos. Mas existe uma pergunta que ninguém deveria ignorar: até onde Trump está disposto a gastar capital político com os Bolsonaro?

A família queria internacionalizar a crise brasileira. O que talvez não tenha calculado é que também poderia importar a crise para dentro da política americana.

E, em Washington, ninguém costuma oferecer abrigo político sem fazer contas.

Edney Souto | Blog do Edney