segunda-feira, 2 de novembro de 2026

ALEPE - NOTA DE PESAR

Nota de pesar

A Assembleia Legislativa de Pernambuco lamenta o falecimento do ex-deputado estadual e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Adalberto Farias Cabral, acontecido nesta segunda-feira (02.11). Com grandes serviços prestados ao estado, Adalberto exerceu três mandatos como deputado estadual, entre 1979 e 1988, quando foi nomeado para o TCE. 
No tribunal, comandou a presidência por dois mandatos, tendo sido também ouvidor-geral, vice-presidente, presidente da Primeira Câmara e corregedor-geral. Ele teve ainda atuação marcante na administração municipal do Recife, ocupando os cargos de secretário de Serviços Públicos, secretário de Abastecimento e presidente da Companhia de Transportes Urbanos (CTU). 
Nascido em Surubim, no Agreste, o ex-deputado era engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Externamos aqui os nossos pêsames e solidariedade aos familiares e amigos neste de momento de despedida e saudade.

Álvaro Porto, presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco.

PERNAMBUCO DE LUTO: MORRE ADALBERTO FARIAS CABRAL, EX-DEPUTADO ESTADUAL E PAI DE DANILO CABRAL

A política pernambucana recebe com pesar a notícia da morte de Adalberto Farias Cabral, ex-deputado estadual e pai do ex-deputado federal Danilo Cabral, nome histórico do PSB em Pernambuco.

Adalberto teve uma trajetória ligada à vida pública pernambucana, com passagem pela Assembleia Legislativa e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), instituição na qual também exerceu a presidência. Sua história se confunde com um período importante da política e da administração pública estadual.

Adalberto nasceu em 15 de fevereiro de 1935, em Surubim, no Agreste pernambucano. Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), construiu uma carreira que passou pelo Legislativo, pelo Executivo municipal do Recife e pelo controle das contas públicas.

Na Assembleia Legislativa de Pernambuco, exerceu dois mandatos consecutivos, entre 1979 e 1986. Também ocupou secretarias municipais, presidiu a Companhia de Transportes Urbanos e, em 1988, chegou ao Tribunal de Contas do Estado como conselheiro.

No TCE-PE, deixou sua marca institucional ao presidir a Corte em dois períodos: 1992-1993 e 2000-2001. Sua trajetória reúne diferentes funções públicas e uma presença de longa data na história administrativa de Pernambuco.

A morte de Adalberto também representa uma perda pessoal para Danilo Cabral, que construiu sua própria trajetória política e administrativa no estado. Ex-deputado federal por três mandatos, ex-secretário estadual de Educação e das Cidades e ex-superintendente da Sudene, Danilo é um dos nomes conhecidos da política pernambucana.

Neste momento de despedida, ficam os sentimentos de solidariedade aos familiares, amigos e a todos que conviveram com Adalberto Farias Cabral.

O Blog do Edney se associa às manifestações de pesar e deseja força à família Cabral para enfrentar este momento de dor.

Edney Souto | Blog do Edney

LULA GARANTE QUE NENHUM PROGRAMA SOCIAL SERÁ EXTINTO E PROMETE CUMPRIR COMPROMISSOS DO QUARTO MANDATO

Presidente reeleito reagiu à circulação de notícias falsas sobre possíveis cortes no Bolsa Família e em outros benefícios. Lula também sinalizou que pretende ampliar iniciativas existentes, criar novos programas e voltar a percorrer o Brasil após a vitória nas urnas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou as redes sociais neste domingo (1º de novembro) para enviar um recado direto à população brasileira: os programas sociais do Governo Federal serão mantidos durante seu próximo mandato, que começa em janeiro de 2027. Em vídeo publicado na internet, o presidente foi enfático ao afastar rumores sobre possíveis cortes de benefícios e assegurou que nenhuma política social será extinta.

“Nenhum programa social será extinto nesse país”, declarou Lula, acrescentando que a próxima gestão poderá trabalhar na criação de novas iniciativas ou no aperfeiçoamento das políticas públicas que já estão em funcionamento.

A manifestação ocorre uma semana depois da vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, quando conquistou mais um mandato à frente do Palácio do Planalto. A declaração também representa uma resposta às informações que circularam nas redes sociais após o resultado eleitoral, apontando supostas mudanças ou encerramentos de programas voltados à população de baixa renda.

REAÇÃO A UMA ONDA DE DESINFORMAÇÃO

Na gravação, Lula afirmou que passou uma semana praticamente sem conseguir falar e associou o período de menor exposição pública ao crescimento da circulação de informações falsas. Segundo o presidente, adversários políticos aproveitaram sua ausência para espalhar mensagens alarmistas sobre o futuro dos benefícios sociais.

“Não acredite nos mentirosos de sempre, que vivem tentando vender desgraça e infelicidade para o nosso povo”, declarou.

O assunto já havia provocado uma manifestação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), no dia 27 de outubro. O governo esclareceu que eram falsas as informações sobre o encerramento do Bolsa Família e do Gás do Povo, assim como os rumores de mudanças no texto que estabeleceu o fim da escala 6x1.

BOLSA FAMÍLIA E GÁS DO POVO NO CENTRO DA DISCUSSÃO

Entre os programas que ganharam destaque nas publicações que circularam na internet estão o Bolsa Família e o Gás do Povo, políticas que atendem milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade econômica.

De acordo com os esclarecimentos oficiais, o Bolsa Família continua funcionando normalmente, sem suspensão dos pagamentos ou redução dos benefícios. Em outubro, o valor mínimo por família passou de R$ 600 para R$ 691, conforme o reajuste informado pelo governo.

Já o Gás do Povo mantém a distribuição de recargas gratuitas de botijões de 13 quilos para as famílias contempladas. O governo também informou que existe previsão de recursos para o programa no orçamento de 2027, cuja proposta foi encaminhada ao Congresso Nacional.

PROMESSAS PARA O QUARTO MANDATO

Além de defender a continuidade das políticas sociais, Lula reafirmou que pretende cumprir os compromissos apresentados durante a campanha eleitoral. Entre as propostas anunciadas estão iniciativas voltadas aos microempreendedores individuais, o Pé-de-Meia Universitário e uma nova etapa do programa Desenrola, voltada à renegociação de dívidas.

A execução dessas medidas, entretanto, exigirá planejamento e adequação orçamentária. Parte das iniciativas dependerá de recursos, regulamentação e articulação com o Congresso Nacional. A garantia de manutenção dos programas existentes não significa que todas as novas propostas já estejam implementadas ou tenham orçamento definitivamente aprovado.

LULA TAMBÉM FALA SOBRE SUA RECUPERAÇÃO E ANUNCIA VIAGENS PELO PAÍS

Outro ponto abordado na publicação foi a recuperação da voz do presidente. Lula explicou que precisou diminuir as aparições públicas durante a semana anterior, depois de enfrentar dificuldades para falar em razão da intensa rotina da campanha eleitoral.

Na mensagem, afirmou estar bem de saúde e disse que pretende retomar as viagens pelo Brasil. O objetivo, segundo ele, é visitar todos os estados e agradecer pessoalmente aos homens e mulheres que participaram da mobilização eleitoral e contribuíram para sua reeleição.

O presidente também agradeceu os mais de 64,2 milhões de votos recebidos no segundo turno e destacou a participação popular na defesa da democracia.

O DESAFIO AGORA É TRANSFORMAR PROMESSAS EM RESULTADOS

A declaração de Lula abre uma discussão importante sobre os rumos do quarto mandato. Manter programas sociais representa um compromisso anunciado pelo presidente, mas o próximo governo também terá de enfrentar o desafio de equilibrar as contas públicas, financiar políticas de transferência de renda, ampliar oportunidades e garantir que os benefícios cheguem a quem realmente precisa.

A fala presidencial procura encerrar as especulações sobre o fim dos programas sociais e estabelecer uma mensagem para os brasileiros que dependem dessas políticas: a intenção anunciada pelo governo é preservar o que já existe e avançar em novas iniciativas.

Com a eleição encerrada, o debate político começa a mudar de endereço. Agora, a cobrança da população estará voltada para o cumprimento das promessas e para os resultados concretos que o governo Lula entregará a partir de 2027.

BLOG DO EDNEY — A NOTÍCIA, A VERDADE.

JOVEM MOTOQUEIRO MORREU AO SOBRAR COM MOTOCICLETA NA RODOVIA ESTADUAL PE-149 EM AGRESTINA

 
O jovem motoqueiro, José Fernando Soares de Barros Filho, de 25 anos de idade, que morava na Rua Santos Dumont no bairro Ipiranga em Agrestina, morreu vítima de um trágico acidente com moto ocorrido no início da noite deste domingo, 01 de novembro, por volta das 18 horas, próximo ao Lixão na rodovia estadual PE-149 entre Agrestina e Altinho, numa área pertencente a Agrestina. O José Fernando faleceu após ser socorrido.
O jovem teria ido a cidade de Altinho deixar um amigo, no retorno do trajeto para Agrestina acabou perdendo o controle da motocicleta uma CG 150 na curva e ficou desacordado, foi solicitado o apoio do SAMU de Agrestina tendo a técnica em enfermagem Graciele e o condutor Adriano ido ao local as pressas, realizaram os primeiros socorros no local e o encaminharam ao Hospital Memorial Alzira Ribeiro em Agrestina, onde não resistiu e faleceu.
O corpo da vítima está na unidade hospitalar e será encaminhado para o IML de Caruaru ainda hoje, de onde deverá ser liberado no final da manhã desta segunda-feira, feriado dia de Finados.

FESTA DAS CRIANÇAS REÚNE JANJÃO E LINDONALDO DA FARINHA EM FREI MIGUELINHO; DEPUTADO ELEITO CHEGA COM PESO DE 67 MIL VOTOS DE PERNAMBUCANOS QUE ACREDITAM EM SEU TRABALHO

Evento movimentou o município neste domingo e reuniu famílias em uma programação dedicada à criançada. Ao lado do prefeito, Janjão também reforçou sua presença política em uma cidade onde foi o deputado estadual mais votado.
Frei Miguelinho viveu um domingo de alegria, diversão e encontro com as famílias. A festa das crianças, promovida pela Prefeitura Municipal, reuniu a criançada em uma programação especial, com atrações e atividades pensadas para proporcionar momentos de lazer aos pequenos. Ao lado do prefeito Lindonaldo da Farinha, o deputado estadual eleito Janjão participou da celebração e acompanhou de perto a movimentação no município.

Pipoca, algodão-doce e o clima de confraternização deram o tom da festa, que transformou o domingo em uma ocasião especial para as crianças e seus familiares. A iniciativa da gestão municipal colocou a infância no centro da programação e proporcionou um momento de convivência entre a população e as lideranças que prestigiaram o evento.
A presença de Janjão ao lado de Lindonaldo também chamou atenção pelo significado político. O deputado eleito mantém uma relação próxima com lideranças do Agreste Setentrional e chega à Assembleia Legislativa com uma votação que o coloca entre os nomes de maior expressão eleitoral da nova bancada pernambucana.

Nas eleições de 2026, Janjão, do PSD, conquistou 67.479 votos, alcançando a 16ª maior votação entre os deputados estaduais eleitos em Pernambuco. Seu nome chegou a 163 dos 185 municípios do estado, demonstrando uma presença eleitoral que ultrapassa sua principal base política. 

Em Frei Miguelinho, o resultado foi particularmente significativo: Janjão recebeu 2.844 votos, correspondentes a 28,12% dos votos válidos para deputado estadual, ficando na primeira colocação no município. Uma votação que ajuda a explicar a importância da relação política com o prefeito Lindonaldo da Farinha e com as lideranças locais. Ele é o Deputado majoritário da terra!

O peso eleitoral de Janjão não está concentrado em uma única cidade. Além de Bom Jardim, onde recebeu 12.754 votos, teve resultados expressivos em Surubim, João Alfredo, Orobó e Limoeiro. É uma votação construída em diferentes municípios e que agora chega à Alepe como representação de uma base política espalhada por todo o estado. 

A festa das crianças foi, portanto, o cenário de um encontro que reuniu duas lideranças com atuação no Agreste. Para Lindonaldo, receber o deputado estadual eleito em uma atividade aberta à população também representa a aproximação com um futuro parlamentar que obteve votação expressiva no município. Para Janjão, a participação reforça a presença em uma região que teve papel importante em sua eleição.

Professor de matemática e ex-prefeito de Bom Jardim, Janjão agora se prepara para assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco, com posse prevista para fevereiro de 2027. O novo mandato amplia sua responsabilidade política e coloca em evidência a relação com os municípios que contribuíram para sua chegada ao Legislativo estadual.

NA LUPA: A festa foi das crianças, mas a presença de Janjão e Lindonaldo também movimentou o cenário político de Frei Miguelinho. Com 67.479 votos em Pernambuco, presença em 163 municípios e a maior votação para deputado estadual na cidade, Janjão chega à Alepe com um capital eleitoral expressivo. A parceria com Lindonaldo ganha importância nesse contexto, enquanto a população de Frei Miguelinho espera que a representatividade conquistada nas urnas também se traduza em diálogo e atenção às demandas do município.

Edney Souto | Blog do Edney

ARTIGO: REFORMA POLÍTICA OU JOGO DE CADEIRAS? A VELHA PIADA DE BRASÍLIA VOLTA A ENTRAR EM CARTAZ

Por Geovani Oliveira
Bastou terminar mais uma eleição para Brasília ressuscitar uma de suas maiores especialidades: anunciar uma reforma política. É quase uma tradição nacional. O eleitor termina de votar, os políticos começam a contar os votos e, antes mesmo de esfriar a urna, aparece alguém prometendo mudar as regras do jogo. Desta vez, o discurso vem acompanhado de nomes sofisticados: voto distrital misto, distritão, lista partidária e outras modalidades que parecem saídas de uma aula de matemática eleitoral. Mas, por trás de tanta discussão técnica, existe uma pergunta muito mais simples: quem realmente quer mudar o sistema e quem está apenas tentando preservar o próprio espaço de poder?

Não é preciso ser cientista político, especialista em estatística ou frequentador dos corredores do Congresso para perceber que a discussão acontece em um momento bastante conveniente. A eleição das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, prevista para fevereiro de 2027, já movimenta alianças, negociações e disputas pelo comando do Legislativo.

Na Câmara, Hugo Motta trabalha pela recondução, enquanto o PL, dono da maior bancada eleita, inicialmente demonstrou resistência ao seu projeto. No Senado, Davi Alcolumbre também articula sua permanência, enquanto o PL apresenta Rogério Marinho como alternativa para a presidência da Casa. É nesse cenário que a reforma eleitoral ganha velocidade. Coincidência? Em Brasília, até coincidência costuma ter endereço, padrinho e interesse político.

A proposta de voto distrital misto, defendida por Hugo Motta e lideranças do Centrão, prevê uma transição com mudanças a partir de 2030 e implantação do novo modelo em 2034. A discussão também envolve regras para a propaganda eleitoral nas redes sociais. E aqui está o detalhe que merece atenção: a reforma não está sendo discutida no vazio. Ela aparece justamente quando as forças políticas tentam reorganizar o tabuleiro para a próxima legislatura. O eleitor precisa entender uma coisa: sistema eleitoral não é assunto de laboratório, muito menos brinquedo de deputado. Mudar as regras significa alterar a maneira como partidos, candidatos e eleitores disputam e conquistam representação.

E há outro ponto que não pode ficar escondido atrás da fumaça da reforma: o poder que o Congresso acumulou sobre o orçamento público. As emendas parlamentares, que deveriam atender às necessidades da população e fortalecer a representação política, passaram a ocupar uma dimensão gigantesca nas negociações entre Legislativo e Executivo. O resultado é um Executivo com sua capacidade de planejamento pressionada por um Congresso cada vez mais influente na destinação dos recursos públicos. Em determinadas circunstâncias, parece que o governo precisa pedir licença para administrar o próprio orçamento. É quase um parlamentarismo informal, só que sem o eleitor ter sido consultado sobre a mudança de regime.

E os grupos de trabalho? Esses são um capítulo à parte. Em Brasília, criar um grupo de trabalho é uma maneira elegante de anunciar que alguma coisa está acontecendo, mesmo quando ainda não se sabe se alguma coisa vai acontecer de verdade. Reuniões, fotografias, declarações e documentos preliminares ajudam a construir a aparência de uma grande transformação. Mas reforma política de verdade exige muito mais do que trocar o nome do sistema eleitoral ou redesenhar o mapa das disputas. Exige discutir financiamento de campanhas, fidelidade partidária, transparência, representatividade, fortalecimento dos partidos e, principalmente, os limites do poder de quem ocupa mandato.

O Brasil não precisa de uma reforma feita sob medida para os interesses circunstanciais das lideranças partidárias. Precisa de regras construídas com transparência, participação social e compromisso com a qualidade da democracia. No fim das contas, a pergunta continua sendo a mesma: estamos discutindo como melhorar a representação do povo ou apenas como organizar a permanência dos mesmos grupos no comando? Porque, se a preocupação maior for distribuir cadeiras, preservar espaços e controlar a próxima Mesa Diretora, não estaremos diante de uma reforma política. Estaremos assistindo a mais uma temporada do velho espetáculo de Brasília.

E o ingresso, como sempre, será pago pelo contribuinte. Reforma política não pode ser cortina de fumaça para disputa de poder. Democracia não é propriedade dos caciques partidários, e o Congresso Nacional não é um condomínio de mandatos com vagas reservadas. A análise deste artigo  considera as movimentações políticas registradas até 2 de novembro de 2026. As articulações indicam que o PL passou a admitir apoio à recondução de Hugo Motta na Câmara, concentrando sua disputa na presidência do Senado, com Rogério Marinho. Em tempo o PL 22 é totalmente contra mudança no sistema eleitoral. Isso reforça a necessidade de separar os fatos documentados da interpretação política sobre os interesses por trás da reforma. A política do nosso país é um jogo de muitas faces e nada é o que aparenta ser. 

*Advogado.

NA LUPA 🔎 | EDUARDO DA FONTE: A FÊNIX DA POLÍTICA, UM LÍDER DE GRUPO QUE FALA ALTO EM PERNAMBUCO E NO NORDESTE E PODE TER UMA NOVA MISSÃO EM BRASÍLIA NO GOVERNO LULA 4.0

Por Edney Souto | Coluna Na Lupa | Blog do Edney

Na política brasileira, sobreviver a diferentes governos, atravessar mudanças de cenário, construir alianças, conquistar sucessivos mandatos e continuar ocupando espaços de decisão exige muito mais do que votos. Exige articulação, capacidade de diálogo, conhecimento institucional, liderança e, sobretudo, a construção de um grupo político capaz de participar das grandes decisões. É sob essa perspectiva que precisa ser analisada a trajetória de Eduardo Henrique da Fonte de Albuquerque Silva, o conhecido Dudu da Fonte, uma das figuras mais presentes na história recente do Progressistas em Pernambuco e um personagem que continua tendo voz nas principais conversas políticas de Brasília.

A imagem da fênix representa bem o momento político de Eduardo. Depois de uma disputa pelo Senado Federal que terminou sem a conquista da cadeira, o parlamentar continua sendo um nome relevante nas discussões sobre o futuro político de Pernambuco e as articulações nacionais. A derrota eleitoral não apaga cinco mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados, não elimina sua influência partidária e tampouco encerra uma trajetória construída durante quase duas décadas no Congresso Nacional. Na política, uma eleição pode interromper um projeto, mas não necessariamente encerra uma liderança.

Natural do Recife, nascido em 17 de outubro de 1972, Eduardo iniciou sua caminhada parlamentar em 2007, depois de conquistar seu primeiro mandato nas eleições de 2006. Foi reeleito em 2010, 2014, 2018 e 2022, construindo uma sequência de cinco mandatos consecutivos. Ao longo desse período, atravessou diferentes governos, composições partidárias e momentos de transformação da política brasileira. Seu nome passou a integrar o grupo de parlamentares pernambucanos com maior experiência em Brasília, não apenas pela permanência na Câmara, mas pelas funções estratégicas que conseguiu ocupar.

Eduardo não se limitou a ocupar uma cadeira no plenário. Construiu uma trajetória de participação nos espaços de comando do Legislativo. Foi segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, corregedor da Casa, presidente da Comissão de Minas e Energia e líder do Progressistas na Câmara. São funções que exigem conhecimento do funcionamento institucional, capacidade de negociação, relacionamento com diferentes bancadas e confiança política. Sua chegada à Mesa Diretora ainda no início da carreira parlamentar demonstrou que conseguiu construir interlocução dentro de uma das instituições mais importantes da República.

Um dos capítulos mais expressivos dessa trajetória foi sua atuação na Comissão de Minas e Energia e na CPI das Tarifas de Energia Elétrica. Em 2009, Eduardo presidiu a comissão parlamentar de inquérito que investigou a metodologia de cálculo das contas de luz e os mecanismos utilizados na formação das tarifas cobradas dos consumidores. A investigação realizou audiências, ouviu representantes do setor e colocou em discussão nacional a relação entre concessionárias, órgãos reguladores e consumidores. O episódio mostrou uma dimensão importante de sua atuação: a capacidade de transformar uma pauta técnica em uma discussão política de repercussão nacional, conduzindo trabalhos, mobilizando parlamentares e dando visibilidade a um tema que atingia diretamente a população brasileira.

Sua passagem pela presidência da Comissão de Minas e Energia, em 2013, também reforçou sua experiência em uma área estratégica para o desenvolvimento nacional. Energia, infraestrutura e serviços públicos são setores que exigem conhecimento técnico e capacidade de diálogo com diferentes segmentos econômicos e institucionais. Eduardo acumulou experiência nesses ambientes e ampliou seu trânsito dentro do Congresso.

Mas existe outro aspecto de sua história que talvez explique melhor sua permanência no cenário político: a construção de um grupo. Eduardo da Fonte não representa apenas um mandato parlamentar. É dirigente partidário, articulador de alianças e uma liderança que construiu uma estrutura política com presença em diferentes regiões de Pernambuco. Na condição de presidente estadual do Progressistas, participou diretamente da organização da legenda, da formação de chapas, da construção de alianças e da aproximação com prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais.

Sua liderança ganhou uma nova dimensão com a eleição de seu filho, Lula da Fonte, para a Câmara dos Deputados. A chegada de Lula da Fonte ao Congresso ampliou a representação familiar e partidária em Brasília e estabeleceu uma nova geração na atuação parlamentar do grupo. Pai e filho passaram a dividir espaço no cenário federal, combinando a experiência acumulada por Eduardo com a atuação de Lula da Fonte nas articulações políticas e legislativas.

Ao lado do filho, Eduardo reúne um conjunto de deputados estaduais, federais, prefeitos, vereadores e lideranças municipais que formam uma estrutura de representação com capilaridade em Pernambuco. Essa rede política é um dos componentes mais importantes de seu patrimônio. Não se trata simplesmente de reunir aliados em fotografias ou eventos partidários. Trata-se de possuir representação em diferentes instâncias do poder, participar das decisões políticas e ter interlocutores capazes de levar demandas municipais e regionais às mesas de negociação.

É justamente por isso que, quando Pernambuco entra em uma grande discussão política, Eduardo da Fonte não chega sozinho. Seu grupo tem voz, representação parlamentar e capacidade de participar das conversas que definem alianças, espaços e estratégias. Na Assembleia Legislativa, a presença de deputados ligados ao seu campo político amplia sua interlocução com diferentes forças estaduais. Na Câmara Federal, sua atuação conjunta com Lula da Fonte e os parlamentares aliados fortalece sua participação nas articulações nacionais.

Essa influência também ultrapassa as fronteiras pernambucanas. O Progressistas possui presença em diferentes estados do Nordeste, e Eduardo mantém relações partidárias e parlamentares que permitem sua participação em discussões regionais. Sua experiência no comando da legenda em Pernambuco e seu relacionamento com dirigentes nacionais, como Ciro Nogueira e Arthur Lira, ampliam seu espaço de interlocução. A federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil, acrescenta uma dimensão nacional a essa estrutura, embora suas decisões dependam de negociações entre os dirigentes e as bancadas das duas legendas.

Em qualquer discussão mais ampla sobre os rumos da política pernambucana, a formação de alianças ou a organização das forças partidárias do Nordeste, o grupo de Eduardo da Fonte precisa ser considerado. É uma liderança que não leva apenas o próprio voto para a mesa. Leva uma representação política, parlamentares, relações institucionais e uma estrutura construída ao longo de anos. Em linguagem direta, quando o assunto é a política de Pernambuco, seu grupo fala alto e tem condições de sentar à mesa para defender seus interesses. Essa é uma das razões pelas quais sua influência não pode ser medida exclusivamente pelo resultado de uma candidatura.

Outro elemento importante de sua trajetória está nas bandeiras que escolheu defender. A saúde tornou-se uma das principais marcas de sua atuação parlamentar. Ao longo dos mandatos, direcionou esforços para a destinação de recursos a hospitais, aquisição de equipamentos, fortalecimento de serviços públicos e ampliação do atendimento médico em Pernambuco. Instituições como o Hospital de Câncer de Pernambuco e o IMIP integram o universo de entidades relacionadas às suas iniciativas parlamentares.

A inclusão de pessoas com deficiência e o atendimento às famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista também ganharam espaço em sua agenda. A proposta das Casas Azuis, voltadas ao atendimento multiprofissional de pessoas com autismo, representa uma das iniciativas associadas à sua atuação nessa área. Educação, segurança pública, direitos dos trabalhadores, desenvolvimento regional e fortalecimento dos municípios também aparecem entre os temas de seu trabalho legislativo. São pautas que permitem ao parlamentar estabelecer diálogo com diferentes segmentos da sociedade e com gestores públicos de várias regiões.

Na política, a capacidade de construir alianças também é um elemento importante. Eduardo atravessou diferentes composições nacionais e estaduais, estabelecendo relações com lideranças de campos políticos distintos. Em Pernambuco, sua participação na composição que apoiou Raquel Lyra na disputa de 2026 demonstrou a presença do Progressistas nas articulações estaduais. Em Brasília, o relacionamento com dirigentes nacionais e parlamentares de diferentes partidos reforça sua experiência no ambiente de negociação política.

A disputa pelo Senado em 2026 representou uma tentativa de ampliar seu espaço institucional. Eduardo deixou temporariamente de olhar apenas para a Câmara e entrou na corrida por uma das duas vagas que Pernambuco tinha em disputa. O resultado não foi o esperado. O estado elegeu Humberto Costa e Marília Arraes, enquanto Eduardo terminou a disputa sem conquistar a cadeira. Ainda assim, recebeu mais de 1,28 milhão de votos, uma votação expressiva que demonstra sua presença eleitoral no estado.

Entre seus apoiadores, ficaram questionamentos sobre a engenharia política da disputa, os movimentos de última hora e a configuração das candidaturas. Há interpretações de que uma arquitetura política teria prejudicado seu projeto. Mendonça Filho também esteve no centro das discussões sobre a composição da disputa, mas não existe comprovação pública de que tenha coordenado uma ação deliberada para inviabilizar a candidatura de Eduardo. É necessário separar a leitura dos bastidores de qualquer acusação que não esteja documentalmente demonstrada.

O fato concreto é que o Senado não veio. Mas Eduardo continua deputado federal, com mandato até janeiro de 2027, e conserva sua experiência parlamentar, sua posição partidária e sua estrutura de relações políticas. O resultado eleitoral não retirou do Progressistas pernambucano sua representação nem desfez o grupo que o parlamentar construiu ao longo dos anos.

É nesse cenário que começa a discussão sobre o governo Lula 4.0. Com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, Brasília volta a ser palco de negociações sobre a formação do Executivo federal, a participação dos partidos e a construção de uma base parlamentar capaz de garantir governabilidade. O Progressistas e a federação União Progressista terão de definir seus movimentos diante do novo governo. Não existe adesão automática da legenda nem confirmação pública de convite a Eduardo da Fonte para ocupar um cargo federal. Entretanto, sua experiência parlamentar, seu histórico de liderança e sua capacidade de articulação colocam seu nome entre aqueles que podem ser observados em uma eventual negociação política.

Uma possível missão no Executivo federal, seja em um ministério, em uma estrutura estratégica ou em outra função administrativa, representaria uma nova etapa de sua trajetória. Saúde, energia, infraestrutura e articulação institucional são áreas que dialogam com sua experiência no Congresso. Mais do que ocupar um cargo, o desafio seria transformar conhecimento político e legislativo em capacidade de gestão, execução e entrega de políticas públicas.

A possibilidade de participar do governo Lula 4.0 também precisa ser analisada pelo peso do grupo que Eduardo representa. Um dirigente que reúne deputados federais, estaduais, prefeitos e lideranças municipais tem uma dimensão de articulação diferente daquela de um parlamentar isolado. A negociação política em Brasília não considera somente currículos individuais. Também observa a capacidade de diálogo, a representação partidária e a força dos grupos que participam da construção de acordos.

Existe ainda uma dimensão humana nessa caminhada. A fé em Deus, a perseverança e a confiança no próprio trabalho fazem parte da narrativa de superação que acompanha a imagem pública de Eduardo da Fonte. Na política, ninguém constrói uma trajetória longa sem enfrentar disputas, frustrações, divergências e momentos de incerteza. A diferença está na maneira como cada liderança reorganiza seus passos e encontra novas possibilidades.

Eduardo chegou ao Congresso em 2007, ocupou a Mesa Diretora, comandou comissão estratégica, presidiu uma CPI de repercussão nacional, liderou seu partido e construiu uma estrutura política em Pernambuco que ganhou uma nova dimensão com a eleição de Lula da Fonte. Agora, diante de um novo
cenário nacional, seu nome volta a ser observado.

NA LUPA: A história de Eduardo da Fonte não pode ser contada apenas pela candidatura ao Senado em 2026. Precisa ser analisada pelo conjunto de sua atuação, pelos espaços de liderança que conquistou, pelas relações institucionais que construiu e, principalmente, pelo grupo político que representa. Seu patrimônio não está somente nos mandatos que exerceu, mas também na capacidade de reunir parlamentares, lideranças e forças municipais em torno de um projeto político.

A eleição de Lula da Fonte ampliou essa estrutura e estabeleceu uma nova geração dentro do grupo. Pai e filho passaram a dividir responsabilidades e espaços de representação, combinando experiência e renovação. É uma estrutura que faz o Progressistas pernambucano ter presença nas grandes conversas estaduais e nacionais. Quando a discussão envolve Pernambuco e o Nordeste, Eduardo tem representação para se sentar à mesa, defender seus interesses e fazer sua voz ser ouvida.

A fênix é a metáfora de um político que enfrenta uma derrota eleitoral sem necessariamente perder sua capacidade de atuação. Eduardo não chegou ao Senado, mas continua com mandato, experiência, liderança partidária e um grupo que fala alto. O próximo capítulo pode ser escrito na Câmara, na direção do PP ou em uma eventual missão no Executivo federal.

Na política, algumas histórias não terminam quando as urnas fecham. Elas simplesmente mudam de capítulo. E Eduardo da Fonte, com sua trajetória, seus aliados, sua fé e sua estrutura política, continua no jogo de Brasília.

Edney Souto | Coluna Na Lupa
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domingo, 1 de novembro de 2026

MARÍLIA ARRAES NÃO QUER SER COADJUVANTE: SENADORA ELEITA ADMITE NOVOS CAMINHOS E PODE DEIXAR O PDT SE HOUVER FEDERAÇÃO COM O PSB

A movimentação nacional para aproximar PDT e PSB abriu uma frente de tensão na política pernambucana. No centro dessa discussão está Marília Arraes, senadora eleita com mais de 2,3 milhões de votos, que não estaria disposta a trocar sua autonomia política por uma acomodação partidária que possa limitar seus próximos passos.

A possibilidade de federação entre as duas legendas, conduzida nacionalmente por Carlos Lupi, presidente do PDT, e João Campos, presidente nacional do PSB, encontrou resistência justamente em Pernambuco. Marília, que também preside o PDT estadual, não vê com bons olhos a união e, segundo informações divulgadas por veículos que acompanham os bastidores políticos, já teria sinalizado a pessoas próximas que poderá deixar a legenda caso o acordo seja confirmado.

A questão é delicada. O PDT não alcançou a cláusula de desempenho nas eleições de 2026 e precisa encontrar uma alternativa para preservar sua estrutura política nacional. A federação com o PSB aparece como uma das saídas discutidas, mas aquilo que pode representar uma solução institucional para o partido também pode criar um problema político para Marília.

A senadora eleita não pretende construir seu futuro dependendo das decisões de um grupo no qual o PSB teria maior peso. A preocupação envolve o comando partidário, a liberdade para formar alianças e, principalmente, a possibilidade de participar das próximas disputas eleitorais sem ficar subordinada aos interesses de João Campos.

O episódio também demonstra que a aproximação eleitoral entre os dois grupos não eliminou antigas diferenças. Marília integrou a chapa de João Campos na disputa estadual de 2026, mas os relatos de bastidores apontam que a convivência política continuou marcada por desconfortos. Entre os episódios mencionados está a ausência da senadora eleita em um encontro promovido pelo socialista durante o segundo turno presidencial. Os envolvidos não confirmaram publicamente esses relatos.

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, entrou nessa discussão e surpreendeu ao acompanhar Marília. Mesmo tendo defendido durante anos uma federação entre PDT e PSB, decidiu votar contra o avanço da proposta na reunião nacional realizada em 27 de outubro. Wolney argumentou que Marília conquistou legitimidade política com sua eleição e que não se sentiria confortável em contrariar a posição da dirigente pernambucana.

O PSDB aparece entre as alternativas mencionadas nos bastidores, assim como Avante, Solidariedade e PRD. Ainda não existe anúncio oficial de mudança partidária, mas a possibilidade passou a integrar as conversas sobre o futuro da senadora.

Há também uma questão estratégica: 2028. Marília já disputou a Prefeitura do Recife em 2020 e poderá voltar a ter o comando da capital como horizonte político. Com oito anos de mandato no Senado pela frente, ela tem tempo para organizar sua atuação e construir novas alianças.

Outro detalhe importante é que senadores, por serem eleitos pelo sistema majoritário, não estão sujeitos à mesma regra de fidelidade partidária aplicada aos parlamentares eleitos pelo sistema proporcional. Isso amplia as possibilidades de movimentação partidária durante o mandato.

A decisão do PDT ainda não está tomada. A direção nacional autorizou o avanço das negociações, e a Executiva terá papel determinante na definição dos próximos passos. Uma eventual federação também precisará cumprir os procedimentos legais e obter aprovação da Justiça Eleitoral.

O que se desenha, portanto, é uma disputa que vai além da sobrevivência do PDT. De um lado, João Campos trabalha pela construção de uma federação capaz de fortalecer nacionalmente o PSB. Do outro, Marília Arraes quer preservar o espaço político que conquistou nas urnas e manter liberdade para decidir seu próprio caminho.

Na política pernambucana, a mensagem dos bastidores é clara: Marília não quer apenas uma legenda para chamar de sua. Quer ter voz, comando e protagonismo nas decisões.

E se a federação com o PSB significar abrir mão disso, a senadora eleita poderá procurar outra casa partidária.

Por Edney Souto | Blog do Edney