quinta-feira, 8 de outubro de 2026

RAQUEL FECHA A PORTA PARA LULA E DIZ QUE PRESIDENTE JÁ TEM PALANQUE EM PERNAMBUCO

Governadora evita declarar apoio a Lula e manda recado direto ao PT, ao PSB e aos aliados: o presidente já tem palanque em Pernambuco

A governadora Raquel Lyra (PSD) parece ter encontrado uma forma elegante — e politicamente bastante clara — de encerrar a pressão que vem sofrendo desde o resultado das urnas para declarar apoio a um dos candidatos à Presidência da República no segundo turno.

Em entrevista à GloboNews, ontem, Raquel foi direta ao afirmar que “o presidente Lula já tem palanque em Pernambuco”. A frase, embora diplomática, carrega um recado político evidente: a governadora não está disposta, neste momento, a subir no palanque petista.

E quem comanda esse palanque já tem nome, sobrenome e uma derrota recente no currículo: João Campos (PSB), derrotado por Raquel na disputa pelo Governo de Pernambuco.

A governadora voltou a reconhecer a importância das parcerias com o presidente Lula e afirmou ser grata ao governo federal pela relação institucional construída durante sua gestão. Mas fez questão de colocar outra prioridade na mesa: cuidar do governo, organizar a casa e se preparar para o segundo mandato.

A declaração acontece justamente quando setores do PT e do PSB começaram a movimentar suas peças para tentar aproximar Raquel de Lula.

A senadora eleita Marília Arraes (PDT), que durante a campanha não poupou críticas à governadora e chegou a associá-la ao bolsonarismo, agora defende a união de forças para garantir a reeleição de Lula e coloca Raquel dentro desse campo de articulação.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também entrou no jogo. Filiado ao PSD, mesmo partido de Raquel, o ministro afirmou que pretende tentar convencer a governadora a participar do palanque de Lula.

O problema é que, dentro do grupo político de Raquel, existe uma história recente que não foi esquecida.

Aliados da governadora afirmam que ela teria pedido para que Lula não viesse a Pernambuco durante o primeiro turno. O presidente acabou vindo às vésperas da eleição, justamente para reforçar a candidatura de João Campos e da Frente Popular.

A visita não foi suficiente para impedir a vitória de Raquel. E, agora, a lembrança daquela movimentação retorna ao debate político.

Raquel venceu João Campos, derrotou uma ampla estrutura política e saiu das urnas ainda mais fortalecida para o segundo turno nacional. Nesse cenário, declarar apoio imediato a Lula significaria, para parte de seus aliados, dividir o protagonismo de uma vitória que ela construiu praticamente com as próprias pernas.

Por isso, a frase sobre Lula já ter palanque em Pernambuco pode ser lida como uma espécie de “cada um no seu quadrado”.

Lula tem João Campos.

Raquel tem o próprio governo, sua base política e um segundo mandato pela frente.

E é justamente aí que começa a conta que o PT terá de fazer.

Sem Raquel no palanque, Lula terá de confiar na estrutura montada pelo PT, pelo PSB, por Marília Arraes e pelos demais aliados para tentar repetir ou ampliar sua votação em Pernambuco. A governadora, por sua vez, poderá manter uma postura institucional, sem transformar sua relação com o presidente em uma adesão política ao projeto petista.

Raquel não rompeu com Lula. Também não atacou o presidente. Pelo contrário: fez questão de reconhecer as parcerias entre os governos.

Mas, politicamente, deixou uma coisa bastante clara.

Não será fácil colocá-la em cima de um palanque que acabou de ser derrotado nas urnas.

O segundo turno presidencial começa, em Pernambuco, com uma situação curiosa: Lula precisa de Raquel, mas Raquel aparentemente não precisa de Lula para continuar ocupando o centro do jogo político estadual.

E talvez seja justamente essa a maior força da governadora neste momento.

A eleição estadual acabou. Raquel venceu. E agora ela parece disposta a escolher com muito cuidado quais serão os próximos palanques que vai subir.

DIREITA SE REÚNE EM PERNAMBUCO E FECHA FILEIRAS POR FLÁVIO BOLSONARO NO 2º TURNO

A direita pernambucana decidiu colocar o pé na estrada e transformar a reta final do segundo turno em uma verdadeira operação de mobilização. Deputados estaduais e federais eleitos, além de lideranças identificadas com o bolsonarismo, se reuniram para alinhar estratégias e ampliar a campanha de Flávio Bolsonaro em Pernambuco.

O encontro reuniu nomes de peso do campo conservador no estado. Estiveram presentes Clarissa Tércio, Júnior Tércio, Gilson Machado Neto, Gilson Machado Filho e Renato Antunes. Abimael Santos, Thiago Medina e Eduardo Moura participaram de forma on-line.

Mais do que uma reunião política, o encontro serviu para organizar o exército eleitoral da direita pernambucana para os últimos dias de campanha. Cada liderança deverá atuar diretamente em suas regiões e bases eleitorais, com uma agenda permanente de mobilização até a votação.

A estratégia inclui carreatas, adesivaços, encontros com lideranças políticas e comunitárias e ações diretamente nos municípios onde esses grupos possuem atuação. A ideia é ocupar as ruas e tentar transformar a força política demonstrada nas urnas no primeiro turno em votos para Flávio Bolsonaro no segundo.

“ A ordem é uma só: trabalhar até o último minuto. Estamos do lado certo da força e vamos seguir mobilizados pela vitória de Flávio Bolsonaro”, afirmou Gilson Machado Neto, deputado federal eleito com expressivos 156.754 votos.

O encontro também teve um componente simbólico: reunir parlamentares que fazem questão de se apresentar como integrantes do chamado bolsonarismo raiz. A mensagem transmitida foi de unidade, disciplina e disposição para enfrentar a reta final sem baixar a guarda.

A direita pernambucana sabe que a disputa presidencial entra agora em sua fase decisiva. E, enquanto os adversários apostam suas fichas na estrutura partidária e nas alianças tradicionais, o grupo bolsonarista pretende explorar justamente aquilo que considera seu maior patrimônio eleitoral: a militância.

O recado dado na reunião foi direto: ninguém está autorizado a tirar o pé do acelerador. A eleição ainda não terminou e, para esse grupo, cada município, cada liderança e cada voto podem fazer diferença no resultado final.

Em Pernambuco, portanto, a ordem bolsonarista para o segundo turno está dada: rua, mobilização e trabalho até o último minuto.

GOVERNADORA RAQUEL LYRA VISTORIA REQUALIFICAÇÕES NO HOSPITAL GERAL DE AREIAS, QUE RECEBE R$ 17 MILHÕES EM INVESTIMENTOS

A governadora Raquel Lyra acompanhou, nesta quarta-feira (7), as requalificações que estão acontecendo no Hospital Geral de Areias (HGA), no Recife. A unidade recebe R$ 17 milhões em investimentos, que contemplam obras, reformas, aquisição de equipamentos e manutenção, algumas já entregues para a população. Durante a visita, a gestora, junto a vice-governadora Priscila Krause, verificou o funcionamento do novo Centro de Especialidades Odontológicas, que teve a requalificação entregue e já está em atendimento para os pacientes, e vistoriou as obras de ampliação da Emergência Pediátrica.

“Estamos visitando toda a mudança que está acontecendo no Hospital Geral de Areias. Entregamos o Centro de Especialidades Odontológicas, com salas novas e climatizadas, equipamentos todos novos, para o melhor atendimento à população e aos trabalhadores. E também vistoriei as obras da Emergência Pediátrica, que vai garantir novos leitos, representando uma ampliação importante para essa necessidade”, ressaltou a governadora Raquel Lyra, que também vistoriou salas de raio-X, com um dos equipamentos já entregue e outro a ser entregue em breve.

A Emergência Pediátrica vai ser ampliada e contará com dois consultórios, um deles odontológico, sala de procedimentos, sala de laudos e prescrição, quatro leitos de observação na sala vermelha, um leito de isolamento, posto de enfermagem e sala de serviço. Somando essa nova área com a nova Emergência Adulto, que também passa por requalificação, serão 36 leitos a mais.

“É uma verdadeira transformação o que está sendo feito. É um grande projeto de reestruturação desse hospital, onde vamos melhorar os fluxos, vai ter ganho de leitos e vai haver portas de entradas separadas para as emergências de pediatria e as emergências de adulto”, explicou a secretária de Saúde, Zilda Cavalcanti.

Já no Centro de Especialidades Odontológicas, foram requalificados a recepção, sete consultórios odontológicos e de bucomaxilofacial, dois consultórios para Pessoas com Necessidades Especiais (PNE), sala de materiais, sala de coordenação e banheiros acessíveis. O espaço também recebeu renovação do mobiliário clínico e novos equipamentos, incluindo nove cadeiras odontológicas.

Fotos: Janaína Pepeu/Secom

EDUARDO MOURA ESTREIA EM BRASÍLIA E JÁ PARTICIPA DAS PRIMEIRAS ARTICULAÇÕES DO NOVO

Deputado federal eleito por Pernambuco reúne-se com novos parlamentares do partido antes de definição sobre o segundo turno

O deputado federal eleito por Pernambuco Eduardo Moura (NOVO) já começou a colocar os pés em Brasília antes mesmo de assumir oficialmente o mandato. Nesta quarta-feira (7), o futuro parlamentar participou de uma agenda com os novos eleitos do partido para a Câmara dos Deputados e o Senado, em um momento de definição política da legenda para o segundo turno presidencial.

Eleito com 113.482 votos, Eduardo Moura participou pela manhã de um café da manhã reservado com os demais parlamentares eleitos pelo NOVO. O encontro serviu para aproximar a nova bancada e discutir os próximos movimentos do partido.

A agenda ganhou ainda mais peso porque, às 10h, o NOVO realizou o anúncio oficial de seu posicionamento para o segundo turno. Eduardo Moura acompanhou a manifestação ao lado dos demais eleitos.

A chegada de Eduardo Moura ao Congresso também representa uma marca para o NOVO. Ele se tornou o primeiro deputado federal eleito pelo partido no Norte e Nordeste, ampliando a presença da legenda fora de seu principal reduto eleitoral.

No Recife, onde exerce o mandato de vereador desde 2025, Moura construiu sua atuação política em torno de pautas como fiscalização dos recursos públicos, combate à corrupção e cobrança por melhorias nos serviços oferecidos à população.

Agora, o desafio muda de escala.

A partir de 2027, Eduardo Moura deixará a Câmara Municipal do Recife para ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados e pretende levar para o plano estadual e federal a mesma linha de atuação desenvolvida na capital pernambucana.

A proposta anunciada pelo parlamentar é ampliar essa atuação para os 184 municípios de Pernambuco, transformando a fiscalização e a cobrança por resultados em uma agenda de alcance estadual.

Com a eleição, Eduardo Moura também passa a integrar uma nova geração de representantes pernambucanos que chegará à Câmara Federal em 2027. A partir de janeiro, começa de fato o teste de transformar os 113 mil votos conquistados nas urnas em atuação política no Congresso Nacional.

GILSON MACHADO FILHO CHEGA À ALEPE COMO O GRANDE NOME DA DIREITA EM PERNAMBUCO

Com 132.322 votos, deputado eleito foi o segundo mais votado de Pernambuco e o segundo mais votado do Podemos em todo o Brasil

A urna de 2026 não deixou muita margem para interpretação: Gilson Machado Filho chega à Assembleia Legislativa de Pernambuco com uma das maiores votações do Estado e como o principal nome da direita pernambucana na nova composição da Alepe.

Com 132.322 votos, conquistados nos 184 municípios pernambucanos e em Fernando de Noronha, Gilson foi o deputado da direita mais votado em Pernambuco, além de terminar como o segundo deputado estadual mais votado de todo o Estado. No Podemos, o desempenho também chamou atenção nacionalmente: foi o segundo candidato a deputado estadual mais votado do partido em todo o Brasil.

O resultado coloca Gilson Machado Filho em uma posição privilegiada dentro da política pernambucana. Mais do que conquistar uma cadeira na Alepe, ele chega ao Legislativo estadual carregando uma votação espalhada por praticamente todo o território pernambucano.

E a força eleitoral não veio isolada.

Ao lado do pai, Gilson Machado, eleito deputado federal com expressivos 156.754 votos, a família Machado sai das urnas de 2026 com duas cadeiras no Congresso estadual e federal e com um capital político ampliado para a disputa dos próximos anos.

Mas Gilson Filho já deixou claro que não pretende esperar fevereiro para começar a trabalhar.

A prioridade agora é outra: eleger Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial.

“Agradeço a cada um que reconheceu o trabalho que exerci na Câmara de Vereadores e depositou sua confiança para que mais uma vez eu siga trabalhando por Pernambuco, desta vez como deputado estadual, na Alepe. Agora sigo para a missão de eleger Flávio Bolsonaro no segundo turno. Assim, minha vitória será completa”, afirmou.

E a campanha já está em campo.

Gilson Machado e Gilson Machado Filho mantêm os comitês abertos em Pernambuco, com distribuição de material, realização de carreatas, adesivaços e mobilização política em diferentes regiões do Estado em defesa da candidatura de Flávio Bolsonaro.

A votação de Gilson Filho, portanto, não representa apenas uma vitória eleitoral. É também um recado político.

A direita pernambucana ganhou um novo protagonista dentro da Alepe — e, pelo tamanho da votação, ele chega ao primeiro mandato sem precisar pedir licença para ocupar espaço.

ANDERSON LUIZ NÃO FOI ELEITO, MAS SAI DAS URNAS MAIOR EM CARUARU

A eleição terminou, a cadeira na Alepe não veio, mas Anderson Luiz (PSD) conseguiu algo que muita gente não esperava: saiu das urnas politicamente maior e como o nome mais votado de Caruaru.

Nem toda derrota eleitoral significa sair menor. Em Caruaru, o caso de Anderson Luiz é justamente o contrário. Mesmo sem conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco, o resultado das urnas colocou seu nome em evidência e abriu uma nova frente para sua trajetória política.

O agora secretário de Governo da Prefeitura de Caruaru encerra a eleição com capital político renovado e, principalmente, com uma estrutura que pode ser decisiva daqui para frente: a proximidade com o prefeito Rodrigo Pinheiro (PSD) e a possibilidade de atuar diretamente na gestão municipal.

Anderson deixa de olhar apenas para o resultado eleitoral e passa a mirar aquilo que acontece depois da eleição: a entrega.

À frente da Secretaria de Governo, terá contato direto com bairros, zona rural, comércio, lideranças comunitárias e diferentes setores da sociedade. É justamente nesse espaço que pretende transformar a votação obtida em presença política e trabalho.

“Eu não fui eleito, mas saio dessa eleição maior. Mais do que ser o mais votado, tenho a oportunidade de trabalhar e executar avanços reais para os caruaruenses”, afirmou Anderson.

E esse talvez seja o principal recado político deixado pelas urnas. A votação mostrou que existe espaço para seu nome e, agora, caberá a ele transformar esse capital eleitoral em resultados concretos.

Ao lado de Rodrigo Pinheiro, Anderson aposta na gestão como caminho para consolidar sua atuação em Caruaru.

“Estou ao lado do prefeito Rodrigo Pinheiro, conheço a realidade da nossa cidade e posso estar na ponta, ouvindo as pessoas e buscando soluções”, destacou.

A eleição acabou, mas para Anderson Luiz o jogo político está longe de terminar. Pelo contrário. Com mandato ou sem mandato, ele ganhou visibilidade, assumiu uma posição estratégica dentro da Prefeitura e agora terá a oportunidade de provar, na prática, que votação também pode virar trabalho.

Em política, às vezes o candidato que não ganha a cadeira é justamente aquele que sai da eleição com mais motivos para ser observado.

E Anderson Luiz terminou 2026 no radar.

Informações do Blog Cenário 

NA LUPA 🔎 - MARÍLIA ARRAES SAI DAS URNAS COM OITO ANOS DE MANDATO E UM NOVO TABULEIRO PELA FRENTE, O JOGO VIROU

Senadora eleita começa a ocupar espaço nacional, reabre pontes com Raquel Lyra e encontra um campo político remodelado após a derrota de João Campos

Marília Arraes não esperou nem a poeira das urnas baixar para começar a ocupar o espaço que a eleição lhe entregou. A vitória para o Senado, com 2.325.127 votos, não significou apenas a conquista de uma cadeira em Brasília. Significou a entrada em uma nova etapa de sua trajetória política, agora com oito anos de mandato pela frente e uma posição institucional que muda o tamanho do seu jogo em Pernambuco. O mandato começa em 1º de fevereiro de 2027 e vai até janeiro de 2035. 

E há um detalhe político que não pode ser ignorado: enquanto Marília comemorava uma vitória expressiva, João Campos, seu primo e cabeça da chapa da Frente Popular, era derrotado por Raquel Lyra na disputa pelo Governo de Pernambuco. Raquel terminou reeleita com 53,3% dos votos válidos, contra 44,8% de João. 

É justamente aí que começa a mudança de cenário.

Marília entra em 2027 com mandato longo, votação estadual expressiva, experiência acumulada e uma agenda política que rapidamente ultrapassou as fronteiras de Pernambuco. João, por sua vez, terá de reorganizar seu caminho depois de uma derrota que interrompeu o projeto de chegar ao Palácio do Campo das Princesas.

Não é preciso transformar isso em guerra familiar para compreender o efeito político. A política pernambucana funciona por espaços. Quando um projeto perde força, outros projetos encontram espaço para crescer.

E Marília está encontrando o seu.

A SENADORA QUE JÁ CHEGOU A BRASÍLIA

O comportamento de Marília nos primeiros dias depois da eleição é revelador.

No dia seguinte à votação, ela já estava em Brasília participando da reunião convocada por Lula para avaliar o resultado do primeiro turno e discutir a estratégia para a segunda etapa da eleição presidencial. A futura senadora participou das conversas sobre comunicação, ampliação do diálogo com eleitores e busca de apoio entre lideranças que não estão alinhadas ao bolsonarismo.

Não foi uma simples fotografia de comemoração.

Marília já começa a se posicionar como uma peça política do segundo turno presidencial.

E fez isso justamente quando ainda nem tomou posse no Senado.

Durante a reunião, segundo relato da própria Marília, o nome de Raquel Lyra apareceu nas discussões sobre a busca de apoios para Lula. A governadora foi reeleita no primeiro turno, mas declarou que não havia definido apoio a nenhum dos dois candidatos presidenciais que chegaram à segunda etapa. 

Aí entrou outro movimento de Marília.

Ela ligou para Raquel.

Não para continuar o palanque da eleição estadual, mas para parabenizá-la pela vitória e se colocar à disposição para trabalhar por Pernambuco no Senado.

A mensagem política é clara: acabou a eleição estadual, começa uma nova fase.

Marília afirmou que não vê sentido em manter as divergências eleitorais como obstáculo para a relação institucional e defendeu inclusive que os três senadores de Pernambuco dialoguem com Raquel em busca de convergência em temas de interesse do Estado. 

É uma mudança importante de postura porque Marília foi candidata ao Senado na chapa de João Campos, justamente o candidato derrotado por Raquel.

Mesmo assim, ela escolheu construir uma ponte.

O RECADO MAIS IMPORTANTE TAMBÉM FOI PARA LULA

A frase de Marília sobre Raquel tem uma dimensão que vai além do segundo turno presidencial.

Ao defender que a bancada federal trabalhe em conjunto e ao propor uma relação permanente entre senadores, deputados federais e o Governo de Pernambuco, a futura senadora está apresentando uma espécie de modelo de atuação para os próximos anos.

Ela defende a criação de um grupo permanente de trabalho para discutir recursos federais, emendas de bancada e projetos estruturantes para Pernambuco. Entre os exemplos citados está a necessidade de uma articulação permanente em torno da Transnordestina. 

Isso é Brasília na prática.

E também é construção de capital político.

Porque senador não depende apenas de voto. Depende de articulação, trânsito institucional, capacidade de conversar com diferentes grupos e presença nos assuntos que interessam diretamente ao Estado.

Marília está começando a montar esse terreno antes mesmo de assumir oficialmente o mandato.

DEPOIS DE TANTAS VOLTAS, O SENADO

A trajetória até aqui ajuda a entender o peso dessa vitória.

Marília já foi vereadora do Recife por três mandatos e deputada federal. Na Câmara, exerceu funções de liderança e chegou à Segunda Secretaria da Mesa Diretora. 

Também atravessou mudanças partidárias e disputas eleitorais que a colocaram em posições diferentes dentro do campo político pernambucano.

Sua chegada ao Senado pelo PDT representa, portanto, mais do que uma troca de cargo.

É a consolidação de uma carreira que passou por períodos de enorme exposição, derrotas eleitorais, afastamentos de grupos tradicionais e reconstrução política.

Agora, entretanto, existe uma diferença fundamental: Marília terá oito anos para trabalhar.

Não precisará voltar às urnas para disputar uma eleição proporcional em 2028.

Não precisará montar uma candidatura para sobreviver politicamente em 2030.

O mandato está garantido até 2035.

Isso produz uma liberdade política que poucos atores do Estado possuem.

OITO ANOS PARA PLANTAR

É aqui que o jogo fica interessante.

Marília terá tempo para construir uma atuação nacional, ampliar sua relação com prefeitos, deputados, movimentos sociais, setores empresariais e lideranças regionais e, principalmente, transformar a votação de 2026 em uma estrutura política permanente.

Ela chega ao Senado aos 42 anos e com espaço temporal para pensar o futuro sem a pressão de uma eleição imediata.

Isso abre possibilidades.

Uma candidatura ao Governo de Pernambuco em 2030 pode fazer parte das hipóteses de longo prazo. Uma eventual disputa pela Prefeitura do Recife também pode permanecer no radar político. Mas nenhuma dessas possibilidades está definida e qualquer conclusão sobre isso, hoje, seria precipitada.

O que existe concretamente é uma senadora eleita com mandato até 2035 e liberdade para construir sua trajetória.

E isso, por si só, já altera o tabuleiro.

O ESPAÇO DE JOÃO CAMPOS

Do outro lado está João Campos.

A derrota para Raquel não apaga sua trajetória nem elimina sua estrutura política. Mas muda o calendário e obriga o ex-prefeito do Recife a trabalhar com outra variável: o tempo.

João terá de decidir qual será o próximo movimento.

Pode reconstruir a oposição estadual, concentrar forças no Recife, atuar nacionalmente, aguardar novos ciclos ou simplesmente deixar a poeira baixar antes de escolher o caminho.

E talvez essa seja uma das principais lições desse resultado.

Na política, nem sempre quem está na frente hoje precisa correr amanhã.

Às vezes, o maior movimento é saber esperar.

João Campos continua sendo uma liderança relevante do PSB e da política pernambucana. Mas a derrota de 2026 retirou dele, pelo menos neste momento, o caminho direto para o Palácio do Campo das Princesas.

Marília, ao contrário, sai da mesma eleição com uma cadeira no Senado e oito anos de horizonte político.

São situações diferentes.

E o tempo será decisivo para mostrar como cada um vai administrar esse novo cenário.

A ESQUERDA PERNAMBUCANA TAMBÉM MUDOU

A eleição de 2026 mexeu profundamente com a configuração da esquerda pernambucana.

Marília e Humberto Costa foram eleitos para o Senado, juntando-se a Teresa Leitão, que já possui mandato. Pernambuco terá, portanto, três senadores ligados ao campo progressista a partir de 2027.

Mas Marília chega com uma característica própria.

Ela não é apenas uma dirigente partidária ou uma parlamentar que acaba de conquistar uma cadeira.

Carrega o sobrenome Arraes, uma história política familiar conhecida em Pernambuco, uma trajetória própria e, principalmente, uma votação que lhe confere capital eleitoral.

A eleição também teve um componente simbólico: Marília foi uma das 12 mulheres eleitas para o Senado em 2026, número que ampliará a bancada feminina da Casa para 18 parlamentares no início de 2027. 

E O PDT?

Isso acrescenta outra dimensão à sua chegada.

Ela entra no Senado em uma legislatura que terá uma bancada feminina ampliada e em um ambiente político nacional bastante mais fragmentado.

Outro ponto a observar será a capacidade de Marília de transformar seu mandato em uma plataforma que dialogue além do próprio partido.

O PDT terá nela sua representação pernambucana no Senado, enquanto o PT contará com Humberto Costa e Teresa Leitão.

A convivência entre esses espaços será uma das equações políticas importantes a partir de 2027.

Marília, pelo seu histórico, não chega a Brasília como uma parlamentar sem experiência.

Ela conhece o funcionamento do Congresso e já ocupou posições de destaque na Câmara. Agora terá a oportunidade de fazer isso em uma Casa onde o mandato é mais longo e o peso político individual de cada senador costuma ser maior.

O SOBRENOME AJUDA. MAS A URNA É QUE CARIMBOU

Existe ainda uma leitura que merece atenção.

Marília carrega uma das marcas políticas mais conhecidas de Pernambuco: o sobrenome Arraes.

Mas a eleição de 2026 não pode ser explicada apenas pelo sobrenome.

Ela recebeu mais de 2,3 milhões de votos e foi escolhida diretamente pelos eleitores pernambucanos para representar o Estado durante oito anos. 

O desafio agora é transformar essa força eleitoral em força política permanente.

É aí que começa a verdadeira prova.

Porque ganhar uma eleição é uma coisa.

Construir um ciclo político é outra.

RAQUEL NO PALÁCIO, MARÍLIA NO SENADO E JOÃO FORA DO PALÁCIO

O desenho que saiu das urnas é curioso.

Raquel Lyra continuará no Palácio do Campo das Princesas.

Marília Arraes irá para o Senado.

João Campos terá de reorganizar seu projeto político depois de perder a eleição estadual.

E a relação entre esses três personagens poderá influenciar boa parte da política pernambucana nos próximos anos.

O mais interessante é que Marília já sinalizou que pretende transitar nesse novo ambiente sem permanecer prisioneira do palanque de 2026.

Ela pode fazer oposição quando entender que deve fazer oposição.

Pode dialogar quando houver espaço para diálogo.

E pode construir pontes institucionais sem necessariamente abandonar suas posições políticas.

O contato com Raquel é o primeiro exemplo.

A defesa de uma bancada federal articulada em torno dos interesses de Pernambuco é outro.

A participação na coordenação da campanha de Lula mostra o terceiro lado dessa equação: sua atuação nacional.

A NOVA FASE

Marília Arraes passou anos plantando.

Agora terá oito anos para colher, mas também para plantar novamente.

A diferença é que desta vez ela começa a nova etapa sentada em uma cadeira do Senado, com mandato até 2035, presença nacional e uma vitória eleitoral que lhe dá tempo para construir sem precisar disputar uma nova eleição imediatamente.

O resultado de 2026 não encerra a disputa política entre os grupos de Pernambuco.

Pelo contrário.

Ele abre uma nova rodada.

Raquel terá de administrar um segundo mandato no Palácio.

João terá de decidir qual será sua próxima estação.

E Marília terá diante de si a oportunidade de transformar uma vitória eleitoral em um projeto político de longo prazo.

Depois de tantos capítulos, a política pernambucana acaba de ganhar um novo detalhe no mapa.

Marília não está mais correndo atrás do mandato. O mandato agora é dela. E são oito anos para decidir até onde pretende chegar.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

JANJÃO ESTREIA NA ALEPE COM UM MAPA DE VOTOS QUE ASSUSTA OS CACIQUES DO AGRESTE

Com 67.479 votos, sendo 49.494 no Agreste, Janjão deixa de ser apenas uma liderança de Bom Jardim e chega à Alepe com território suficiente para incomodar quem há décadas trata a região como propriedade particular

O resultado das urnas começa a produzir um efeito que talvez alguns caciques do Agreste ainda estejam tentando digerir.

Janjão está chegando à Assembleia Legislativa de Pernambuco com 67.479 votos. E não chega apenas com uma votação expressiva. Chega com um mapa eleitoral espalhado por muitos municípios do Agreste, região onde grupos tradicionais há décadas disputam espaço, influência e, em alguns casos, tratam determinadas cidades como se fossem quintais particulares.

O problema para essa velha guarda é simples: Janjão apareceu no mapa. E apareceu grande.

Dos 67.479 votos conquistados em Pernambuco, 49.494 vieram de municípios do Agreste. São quase 50 mil votos dentro da região que agora passa a ser, naturalmente, um dos principais territórios políticos do novo deputado.

E não estamos falando de uma votação confinada a Bom Jardim.

Muito pelo contrário.

Bom Jardim foi a largada. Mas Janjão colocou o pé na estrada e conseguiu espalhar sua votação por uma quantidade expressiva de municípios do Agreste, mostrando que existe um eleitorado disposto a apostar em uma nova liderança.

É justamente aí que mora o incômodo.

Porque a política regional está acostumada com nomes que possuem território demarcado, alianças tradicionais, famílias políticas, prefeitos, vereadores e estruturas que se repetem eleição após eleição.

Janjão entrou nessa fotografia sem pedir licença.

E entrou pelo voto.

Sem mandato anterior na Alepe, sem quatro anos de estrutura parlamentar e sem a cadeira de deputado como ponto de partida, o novo parlamentar conseguiu construir 67.479 votos e concentrar quase 50 mil deles no Agreste.

Isso não é pouca coisa.

É o tipo de votação que faz muito cacique olhar para o mapa e começar a fazer contas.

Quem antes enxergava Janjão apenas como uma liderança de Bom Jardim terá agora de atualizar o endereço político.

Porque o deputado eleito não pertence eleitoralmente apenas a uma cidade.

Ele pode se tornar um legítimo representante de todo o Agreste pernambucano.

E aí começa a parte interessante.

O Agreste não é um território político homogêneo. É uma região dividida em vários centros de poder, com lideranças que construíram suas carreiras controlando bases eleitorais específicas.

Durante muito tempo, funcionou assim: cada grupo cuidava do seu pedaço e, na hora da eleição, as peças eram movimentadas.

Só que as urnas de 2026 colocaram uma peça nova no tabuleiro.

Janjão.

E uma peça com quase 50 mil votos no Agreste não chega para fazer figuração.

Chega para conversar.

Chega para cobrar.

Chega para disputar espaço.

Chega, principalmente, para dizer que existe eleitorado além das estruturas tradicionais.

Não significa que Janjão tenha derrotado os caciques. Seria precipitado afirmar isso.

Mas significa algo talvez mais incômodo: ele mostrou que é possível construir uma votação regional sem necessariamente pedir autorização aos donos históricos dos territórios políticos.

E isso muda o jogo.

A partir de agora, cada prefeito, vereador ou liderança que enxergar em Janjão uma possibilidade de parceria estará olhando também para uma votação comprovada nas urnas.

E cada cacique que imaginar que o novo deputado deve permanecer limitado ao seu berço eleitoral poderá descobrir, nos próximos quatro anos, que o mapa já mudou.

O primeiro mandato será justamente o teste.

Janjão terá de transformar os votos em presença, os municípios em articulação e as alianças eleitorais em uma rede política permanente.

Se fizer isso, poderá sair de 2026 como deputado eleito e chegar ao próximo ciclo como uma das principais lideranças regionais do Agreste.

É aí que a conta pode ficar salgada para a velha política.

Porque uma coisa é enfrentar um candidato em uma eleição.

Outra é ver nascer, dentro da própria região, um deputado com mandato, 67.479 votos e presença eleitoral em muitos municípios.

Os caciques sabem que mandato passa.

Mas sabem também que território eleitoral, quando bem cuidado, cria raízes.

E Janjão acaba de plantar as suas.

O recado das urnas foi direto: Bom Jardim continua sendo uma base importante, mas o projeto eleitoral ultrapassou suas fronteiras.

49.494 votos no Agreste não são apenas votos. São portas abertas em dezenas de municípios, relações políticas construídas e um território que agora precisa ser ocupado politicamente.

Janjão estreia na Alepe.

E talvez essa seja a parte que mais incomode os donos tradicionais do poder:

ele não chega pedindo um lugar à mesa. Chega com votos suficientes para construir a própria mesa.

O deputado ainda terá muito a provar.

Mas o mapa eleitoral de 2026 já deixou uma certeza: o Agreste ganhou uma nova voz — e os caciques ganharam um novo concorrente. É assim que se passa a régua do poder em 2017.