quarta-feira, 28 de outubro de 2026

ARTIGO - A HISTÓRIA NÃO PERDOA OS COVARDES, NEM ESQUECE OS CORAJOSOS: LULA VOLTOU PELAS URNAS, FLÁVIO FOI PARA OS EUA APÓS A DERROTA

Por Edney Souto | Blog do Edney

A política tem uma memória que incomoda. O poder muda de mãos, os aliados trocam de lado, os discursos perdem a validade e aquilo que ontem era apresentado como uma demonstração de patriotismo pode se transformar, no dia seguinte, em uma pergunta incômoda. É justamente nesses momentos que a história começa a separar o discurso da atitude.

Lula enfrentou a prisão, atravessou um dos períodos mais difíceis de sua trajetória política, recuperou seus direitos políticos e voltou às urnas. Em 2022, derrotou Jair Bolsonaro. Em 2026, enfrentou novamente uma disputa presidencial, desta vez contra Flávio Bolsonaro, e conquistou mais uma vitória. No domingo, 25 de outubro, recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos de seu adversário, que alcançou 48,21%. A diferença foi superior a 4,4 milhões de votos. 

É um percurso que pode ser discutido, criticado e questionado em diferentes aspectos, mas que contém um dado político incontestável: Lula voltou a se apresentar aos eleitores e submeteu seu destino à decisão das urnas. Depois de ter sido preso em 2018, teve suas condenações da Justiça Federal de Curitiba anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, por questões de competência, e recuperou a elegibilidade. Em vez de abandonar a disputa política, voltou a pedir votos e venceu duas eleições presidenciais consecutivas, em 2022 e 2026.

Do outro lado, o resultado eleitoral produziu uma cena que entrou imediatamente para o debate nacional. Flávio Bolsonaro, senador e candidato derrotado à Presidência, viajou para os Estados Unidos na terça-feira, 27 de outubro, menos de 48 horas depois da eleição. A informação foi confirmada à Reuters por um aliado próximo do parlamentar e por uma fonte do governo norte-americano. Segundo o relato, ele chegou à Flórida.

O episódio ganhou ainda mais repercussão porque, na véspera, Flávio havia afirmado que não pensava em deixar o Brasil. A reportagem da Reuters informou também que o senador não cumpriu o prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para entregar seus passaportes à Polícia Federal. A decisão judicial citava risco de fuga e o poder econômico dos envolvidos no contexto da medida. 

A sequência dos acontecimentos é o que torna a história politicamente explosiva. Primeiro, a campanha. Depois, a derrota. Em seguida, a declaração de que não sairia do país. E, por fim, a confirmação da viagem para os Estados Unidos.

Não é necessário inventar fatos para compreender o tamanho do desgaste político. Basta colocar as declarações e os acontecimentos lado a lado.

Durante a campanha, o discurso patriótico ocupou espaço importante na disputa. A bandeira brasileira, o amor à pátria e a defesa dos interesses nacionais foram apresentados como elementos centrais do projeto político bolsonarista. Milhões de brasileiros confiaram nesse discurso e depositaram seus votos em Flávio Bolsonaro. O candidato terminou a eleição com quase 60 milhões de votos, uma votação expressiva que lhe confere representatividade política e uma responsabilidade proporcional diante de seus eleitores.

Mas a pergunta permanece: o que significa defender o Brasil quando o resultado das urnas não corresponde àquilo que se desejava?

Viajar para outro país não é, por si só, prova de culpa ou covardia. Todo cidadão tem direitos, e qualquer medida judicial deve ser cumprida e discutida pelos meios legais. O problema político está na contradição entre uma declaração pública de que não deixaria o Brasil e a posterior confirmação de sua saída, especialmente em um momento de tensão institucional e questionamentos sobre o resultado eleitoral.

Quem pede votos em nome da pátria precisa compreender que o compromisso com o eleitor não termina no fechamento das urnas. A responsabilidade pública continua depois da derrota, quando não existem mais palanques para sustentar o discurso e quando as promessas precisam ser confrontadas com a realidade.

O episódio também provocou uma reação direta de Lula. Na terça-feira, dia em que completou 81 anos, o presidente classificou a saída de Flávio como um ato vergonhoso e afirmou que o senador deveria permanecer no Brasil para responder às questões que envolvem seu nome. A declaração foi publicada pela Reuters. 

A viagem ainda expôs dificuldades dentro do próprio campo bolsonarista. Segundo a Reuters, o senador Rogério Marinho, coordenador-geral da campanha de Flávio, declarou que estava surpreso e que não sabia onde o candidato se encontrava. Marinho afirmou que esperava que o senador assumisse o papel de liderança da oposição, considerando a expressiva votação recebida. Um aliado informou à agência que Flávio pretendia dar um tempo. 

É aí que a discussão deixa de ser apenas sobre uma viagem internacional e passa a envolver o futuro da oposição brasileira. Quase 60 milhões de votos não são propriedade de uma família, nem autorização para transformar um projeto político em patrimônio particular. São votos de cidadãos que esperam representação, posicionamento e responsabilidade.

Flávio ainda não havia reconhecido oficialmente a derrota quando a Reuters publicou a notícia da viagem. Segundo a agência, ele havia falado em buscar a anulação do resultado e, posteriormente, em pedir a cassação da chapa de Lula ao Tribunal Superior Eleitoral. Na segunda-feira, 26 de outubro, o Partido Liberal declarou reconhecer a vitória do petista. 

Enquanto isso, Lula se preparava para iniciar um novo mandato, conquistado democraticamente, com uma votação superior à que recebeu em 2022. A disputa de 2026 também entrou para a história por garantir ao petista um quarto mandato presidencial, feito inédito no país. 

É impossível olhar para essas duas trajetórias recentes sem perceber o contraste político. Lula foi preso, perdeu temporariamente seus direitos políticos, recuperou a elegibilidade e voltou a disputar a Presidência. Flávio Bolsonaro pediu votos, foi derrotado e, poucos dias depois, teve sua ida aos Estados Unidos confirmada por fontes ouvidas pela imprensa internacional.

A comparação não apaga as diferenças entre os casos nem dispensa a análise jurídica de cada situação. Mas permite uma reflexão sobre liderança, responsabilidade e coerência. Na política, coragem não significa concordar com decisões judiciais ou aceitar passivamente críticas. Significa enfrentar as consequências dos próprios atos dentro das regras democráticas, sem transformar a dificuldade em motivo para abandonar as responsabilidades assumidas diante do eleitor.

A família Bolsonaro conhece esse roteiro. Depois da derrota de Jair Bolsonaro para Lula em 2022, o então presidente viajou para os Estados Unidos antes do fim de seu mandato e retornou posteriormente ao Brasil. Anos depois, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por sua participação na trama golpista, decisão que pertence a um processo distinto dos fatos relacionados à viagem de Flávio. A repetição de episódios de afastamento do país após derrotas eleitorais inevitavelmente alimenta o debate público sobre como a família lida com os resultados das urnas. 

O patriotismo não pode ser tratado como um figurino que se veste durante a campanha e se guarda quando a realidade muda. A bandeira brasileira não deveria servir apenas como cenário para discursos, assim como o amor à nação não deveria ser utilizado somente como instrumento de mobilização eleitoral.

O Brasil precisa de lideranças que entendam que a democracia não funciona apenas quando o resultado agrada. O direito de contestar decisões existe, desde que exercido pelos meios legais. A oposição é necessária, os milhões de eleitores de Flávio merecem representação e o país não pode reduzir uma disputa tão expressiva a uma guerra permanente entre famílias políticas.

Mas a responsabilidade também precisa ter endereço. Quem se apresenta como alternativa para governar o país precisa estar disposto a responder pelas próprias decisões, inclusive quando perde. A vitória traz prestígio; a derrota exige maturidade. E nenhuma das duas elimina o dever de prestar contas à sociedade.

Na política, o ditado continua atual: rei morto, rei posto. Quando o poder muda de mãos, muitos dos que ontem juravam fidelidade começam a procurar novos caminhos. Os discursos mudam, as alianças se reorganizam e a fotografia do passado passa a incomodar aqueles que preferem esquecer o que disseram.

Só que existe uma diferença entre adaptar estratégias e abandonar responsabilidades. A primeira é parte do jogo político. A segunda pode comprometer a confiança pública.

A história não se escreve apenas com os nomes dos vencedores. Também registra os gestos de quem permaneceu, as decisões de quem enfrentou as consequências e as contradições de quem prometeu uma coisa e fez outra.

Lula voltou às urnas e venceu novamente. Flávio Bolsonaro, depois de perder a eleição e afirmar que não deixaria o país, teve sua viagem aos Estados Unidos confirmada. São fatos que ajudam a compreender o momento político brasileiro e que continuarão a ser discutidos muito depois de encerrada a apuração.

A história não perdoa nem os covardes, nem esquece os corajosos. A frase não precisa ser uma sentença antecipada sobre ninguém. É um alerta para toda liderança que confunde discurso com compromisso e aplauso com legitimidade permanente.

O poder passa. Os cargos acabam. As alianças se desfazem. Mas as palavras pronunciadas diante do eleitor permanecem registradas, assim como as atitudes tomadas quando chega a hora de demonstrar coerência.

No fim, não é a quantidade de bandeiras levantadas em uma campanha que determina a dimensão de um compromisso com o Brasil. É aquilo que cada liderança faz quando os votos são contados, o resultado é conhecido e o país espera que seus representantes assumam as consequências de suas escolhas.

Porque o verdadeiro teste de uma liderança não acontece somente quando ela pede votos. Acontece, sobretudo, quando o resultado não vem como esperado.

Edney Souto

FLÁVIO BOLSONARO SAI DO BRASIL APÓS DERROTA PARA LULA, E COMBOIO DE CARROS PRETOS LEVANTA SUSPEITAS EM BRASÍLIA

Senador foi para os Estados Unidos depois de afirmar que permaneceria no país para liderar a oposição. Na véspera, quatro veículos deixaram sua residência e despistaram equipes de reportagem.
A derrota nas urnas foi seguida por uma reviravolta que colocou Flávio Bolsonaro (PL) no centro de uma crise política. Depois de afirmar que não deixaria o Brasil e que entregaria seus passaportes à Polícia Federal, o senador seguiu para os Estados Unidos, conforme informações confirmadas por um aliado e por fontes do governo norte-americano à Reuters. A viagem ocorreu após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. 

Na noite da última segunda-feira (26), quatro carros pretos ligados ao parlamentar deixaram sua residência no Residencial Ouro Branco, no Lago Sul, em Brasília, por volta das 19h40. A movimentação foi acompanhada por equipes de reportagem, que tentaram seguir o comboio.

Em um dos veículos, os jornalistas identificaram Fernanda Bolsonaro, esposa do senador. No primeiro carro, que liderava o grupo, não havia ninguém no banco traseiro. Na altura da Ponte JK, os automóveis se dividiram e seguiram por caminhos diferentes, dificultando o acompanhamento da imprensa.

Naquela noite, não foi possível confirmar se Flávio estava em algum dos carros. No dia seguinte, porém, a informação de que ele havia deixado o país ganhou força e foi confirmada por fontes ouvidas pela imprensa internacional.

PROMETEU FICAR, MAS FOI PARA OS EUA

A viagem chamou atenção porque, na segunda-feira, Flávio havia declarado publicamente que não pretendia deixar o Brasil. Em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou que entregaria os passaportes e que se prepararia para liderar a oposição ao governo Lula.

Na terça-feira (27), a Reuters informou que um aliado próximo do senador confirmou sua ida aos Estados Unidos. Uma fonte do governo norte-americano também confirmou a viagem, enquanto outra pessoa próxima à família afirmou que ele havia chegado à Flórida.

A mudança de planos ocorreu em meio à pressão judicial e à derrota eleitoral. A saída do país passou a ser questionada porque o senador tinha recebido uma determinação para entregar seus documentos de viagem.

PASSAPORTES CANCELADOS E INVESTIGAÇÃO

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Flávio entregasse os passaportes à Polícia Federal dentro do prazo estabelecido. Como os documentos não foram entregues, a corporação cancelou o passaporte comum e o diplomático, segundo informações divulgadas pela Reuters e pela CNN Brasil.

A decisão foi relacionada a uma investigação que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O advogado Willer Tomaz também é investigado no caso. Ambos negam irregularidades.

A ida aos Estados Unidos, portanto, ocorreu em um momento de questionamentos sobre o cumprimento da determinação judicial. A viagem foi confirmada por fontes, mas os detalhes completos da rota e das circunstâncias da saída do Brasil não foram esclarecidos publicamente pelas autoridades brasileiras.

TRUMP ABRE AS PORTAS PARA A FAMÍLIA

O governo de Donald Trump informou que emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e seus familiares e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos, segundo um alto funcionário do Departamento de Estado ouvido pela CNN Brasil. A medida não significa, por si só, que tenha sido concedido asilo político ao senador. 

A possibilidade de um pedido de asilo chegou a ser mencionada em reportagens, mas não havia confirmação oficial de que o procedimento tivesse sido formalizado.

A saída de Flávio também provocou repercussão entre aliados do próprio PL. Integrantes da campanha esperavam que o senador permanecesse no Brasil para organizar a oposição, e alguns disseram ter sido surpreendidos pela notícia de sua viagem. 

No fim das contas, o episódio reuniu três acontecimentos que passaram a marcar o pós-eleição: a derrota para Lula, o descumprimento do prazo para entrega dos passaportes e a ida para os Estados Unidos.

Flávio deixou o país depois de declarar que ficaria. O comboio da noite anterior alimentou as dúvidas sobre a movimentação em Brasília, e a confirmação da viagem transformou o caso em mais um foco de tensão entre o senador, as instituições brasileiras e o governo norte-americano.

MORRE AOS 83 ANOS EDUARDO PAES MENDONÇA, EMPRESÁRIO QUE TRANSFORMOU DIFICULDADES EM LEGADO DE SOLIDARIEDADE

Irmão de João Carlos Paes Mendonça, empresário construiu trajetória própria nos negócios, marcou o setor gráfico pernambucano e criou uma iniciativa de acolhimento para famílias de pacientes com fissura labiopalatina.

O mundo empresarial pernambucano perdeu, nesta terça-feira (27), um de seus nomes de destaque. Morreu, no Recife, aos 83 anos, o empresário Eduardo Paes Mendonça, sergipano que fez de Pernambuco sua terra de trabalho, de negócios e de construção de um legado que ultrapassou as fronteiras do mundo empresarial.

Irmão de João Carlos Paes Mendonça, presidente do Grupo JCPM, Eduardo construiu uma história própria, marcada pela capacidade de empreender, pela disposição para enfrentar dificuldades e por uma visão de negócios que o levou a atuar em diferentes setores da economia. Mas foi fora das empresas que deixou uma de suas marcas mais humanas: a criação de uma estrutura de acolhimento para famílias que precisam viajar ao Recife em busca de tratamento especializado.

O velório será realizado nesta quarta-feira (28), a partir das 10h, no cemitério Morada da Paz, em Paulista. A missa está prevista para as 14h, seguida da cerimônia de cremação, às 15h. As informações são do Jornal do Commercio.

UMA TRAJETÓRIA CONSTRUÍDA COM TRABALHO

A história de Eduardo começou longe dos grandes centros empresariais. Nascido na Serra do Machado, distrito de Ribeirópolis, em Sergipe, ele cresceu em uma família trabalhadora, liderada por Pedro Paes Mendonça e Maria Dudu. Desde cedo, aprendeu que os negócios exigiam dedicação, disciplina e disposição para recomeçar.

Em 1959, quando um incêndio destruiu o armazém que sustentava a família, Eduardo se uniu aos irmãos João Carlos e José Américo para ajudar o pai a reconstruir o patrimônio. Aos 16 anos, estudava Contabilidade à noite e trabalhava durante o dia, embalando mercadorias e organizando produtos.

A confiança conquistada dentro de casa logo se transformou em responsabilidades maiores. Ainda adolescente, passou a administrar lojas, cuidar da distribuição de produtos e participar diretamente das atividades comerciais da família. Aos 19 anos, assumiu a gerência de uma usina de beneficiamento de arroz e farinha de milho, em Propriá, experiência que consolidou sua formação como empresário.

Anos depois, Pernambuco se tornaria o principal cenário de sua atuação profissional.

DO BOMPREÇO À INTERGRAF

Eduardo trabalhou na rede Bompreço, onde acompanhou de perto a operação da empresa e assumiu responsabilidades que iam da central de distribuição à segurança, às compras, às embalagens, às obras e à gestão de veículos. Permaneceu no grupo até a venda total da rede aos holandeses, encerrando aquele ciclo ao lado do irmão João Carlos.

Mas Eduardo não era homem de ficar parado. Durante o processo de venda, adquiriu a Gráfica JC, ligada ao Jornal do Commercio, e transformou uma estrutura que enfrentava dificuldades em um empreendimento competitivo. À frente da empresa, que passou a se chamar Intergraf, investiu em modernização e levou o negócio a um novo patamar tecnológico.

A gráfica se tornou pioneira em Pernambuco na impressão de folha inteira em quatro cores e conquistou a certificação ISO 9001. Em pouco tempo, passou a disputar espaço com a Gráfica Santa Marta, então uma das referências do mercado.

Depois de dez anos no setor, Eduardo decidiu encerrar sua participação. Insatisfeito com práticas comerciais que considerava incompatíveis com seus princípios, optou por desativar a empresa em vez de vendê-la. Uma decisão que traduzia uma característica de sua trajetória: os resultados financeiros tinham importância, mas não estavam acima de seus valores.

NEGÓCIOS, SHOPPINGS E A FORÇA DA FAMÍLIA

A atuação empresarial também passou pela Wolk Elevadores. Eduardo ampliou a presença da companhia no mercado e firmou uma parceria com a Hyundai para distribuição e manutenção de elevadores da fabricante no Brasil, antes de se desfazer do negócio.

Nos últimos anos, concentrou suas atividades na Emel Investment, holding voltada aos empreendimentos imobiliários e shopping centers. Ao lado dos filhos, manteve participação em diferentes negócios, incluindo empreendimentos ligados aos shoppings Recife, Tacaruna, Guararapes, RioMar Recife, RioMar Fortaleza, RioMar Presidente Kennedy e Salvador Shopping.

A família também possuía participações em negócios herdados dos pais e em uma empresa de investimentos no mercado internacional.

Na estrutura familiar, Danielle assumiu responsabilidades administrativas e financeiras, Eduardo Filho ficou à frente da operação e Viviane, residente em São Paulo, permaneceu como acionista.

A DOR QUE VIROU SOLIDARIEDADE

A dimensão mais sensível da história de Eduardo Paes Mendonça está na luta pessoal que enfrentou durante décadas. Ele nasceu com uma fissura submucosa no palato, condição que só foi diagnosticada quando tinha 69 anos. Desde a infância, conviveu com dificuldades na fala, passou por avaliações médicas e chegou a ser submetido a procedimentos que não resolveram o problema.

A busca por respostas atravessou boa parte de sua vida. Em 2012, quando já havia recebido o diagnóstico de doença de Parkinson, decidiu enfrentar também a possibilidade de corrigir a fissura. O tratamento envolveu cirurgias, complicações e novas intervenções em 2013 e 2014. Nesse período, também passou por duas pontes de safena e uma mamária.

O resultado não foi o esperado. Ainda assim, Eduardo não permitiu que a experiência terminasse apenas como uma batalha pessoal.

Ao compreender as dificuldades enfrentadas por quem convive com a fissura labiopalatina, decidiu transformar sua vivência em uma iniciativa de apoio a outras pessoas. Foi assim que nasceu a Casa Sorrir, inaugurada em 2017, vinculada ao Instituto José Eduardo Mendonça, formalizado em janeiro de 2018.

A instituição foi criada para acolher pacientes e familiares que chegam ao Recife em busca de tratamento especializado, especialmente aqueles atendidos pelo Centro de Atenção aos Defeitos da Face (Cadefi), do Imip. Muitos vêm do interior de Pernambuco e de outros estados, sem condições financeiras para custear uma longa permanência na capital.

A Casa Sorrir foi concebida para oferecer mais do que hospedagem durante o tratamento. A proposta inclui apoio às famílias, acesso à educação, capacitação e oportunidades para reconstruir a vida.

Foi uma resposta concreta a uma dificuldade que Eduardo conhecia de perto. Em vez de guardar para si a experiência, ele decidiu abrir caminhos para quem enfrentava situação semelhante

UM HOMEM QUE NÃO ESCONDIA OS ERROS

Em suas memórias, Eduardo tratava os acertos com naturalidade, mas atribuía especial importância aos erros. Considerava que as experiências malsucedidas poderiam ensinar muito às novas gerações de empreendedores, sobretudo quando envolviam decisões tomadas sem o devido estudo sobre o negócio.

Defendia que gostar da atividade e trabalhar duro eram condições importantes, mas insuficientes para garantir o sucesso. Ética, credibilidade, respeito aos clientes, fornecedores e parceiros e um ambiente saudável de trabalho também faziam parte da equação.

Entre seus conselhos, a humildade ocupava lugar especial, principalmente nas empresas familiares, onde a convivência entre parentes pode se tornar um desafio tão grande quanto a própria gestão.

A FAMÍLIA, AS RAÍZES E AS MEMÓRIAS

A vida de Eduardo também foi marcada pela ligação com suas origens e pela importância dos laços familiares. Casado com Ana Maria Santa Rita, deixa esposa, três filhos, cinco netos e os irmãos João Carlos Paes Mendonça, José Américo Mendonça, Reginaldo Paes Mendonça, Maria Mendonça, Ester Mendonça Ferreira, Josefa Cecinha Mendonça e Joseilde Mendonça Prado.

O irmão João Carlos fez questão de destacar a dimensão humana da perda. “Perdemos um irmão querido. Uma pessoa exemplar. Um homem de muitos amigos e de uma leveza que agregava as pessoas em torno dele”, afirmou, ao recordar também sua atuação no Bompreço e a confiança que conquistou entre os colegas.

Durante a pandemia, Eduardo passou a revisitar episódios de sua vida e transformou lembranças em livros. Escreveu A pedra do meu caminho, em primeira pessoa, e O dito e o não dito, em terceira pessoa, registrando experiências, dificuldades, conquistas e aprendizados.

O que começou como uma forma de ocupar o tempo acabou se tornando uma maneira de preservar sua história e transmiti-la às próximas gerações.

Eduardo Paes Mendonça deixa uma trajetória que não cabe apenas na lista de empresas das quais participou ou nos empreendimentos em que investiu. Sua história reúne trabalho, coragem para recomeçar, respeito aos próprios princípios e a capacidade de transformar uma dor pessoal em oportunidade de acolher outras famílias.

No mundo dos negócios, construiu seu caminho. Na vida, deixou uma lição que vai além de qualquer patrimônio: o verdadeiro legado de uma pessoa também se mede pelas vidas que ela ajuda a transformar.

Edney Souto | Blog do Edney

MORRE AOS 83 ANOS EDUARDO PAES MENDONÇA, EMPRESÁRIO QUE TRANSFORMOU DIFICULDADES EM LEGADO DE SOLIDARIEDADE

Irmão de João Carlos Paes Mendonça, empresário construiu trajetória própria nos negócios, marcou o setor gráfico pernambucano e criou uma iniciativa de acolhimento para famílias de pacientes com fissura labiopalatina.

O mundo empresarial pernambucano perdeu, nesta terça-feira (27), um de seus nomes de destaque. Morreu, no Recife, aos 83 anos, o empresário Eduardo Paes Mendonça, sergipano que fez de Pernambuco sua terra de trabalho, de negócios e de construção de um legado que ultrapassou as fronteiras do mundo empresarial.

Irmão de João Carlos Paes Mendonça, presidente do Grupo JCPM, Eduardo construiu uma história própria, marcada pela capacidade de empreender, pela disposição para enfrentar dificuldades e por uma visão de negócios que o levou a atuar em diferentes setores da economia. Mas foi fora das empresas que deixou uma de suas marcas mais humanas: a criação de uma estrutura de acolhimento para famílias que precisam viajar ao Recife em busca de tratamento especializado.

O velório será realizado nesta quarta-feira (28), a partir das 10h, no cemitério Morada da Paz, em Paulista. A missa está prevista para as 14h, seguida da cerimônia de cremação, às 15h. As informações são do Jornal do Commercio.

UMA TRAJETÓRIA CONSTRUÍDA COM TRABALHO

A história de Eduardo começou longe dos grandes centros empresariais. Nascido na Serra do Machado, distrito de Ribeirópolis, em Sergipe, ele cresceu em uma família trabalhadora, liderada por Pedro Paes Mendonça e Maria Dudu. Desde cedo, aprendeu que os negócios exigiam dedicação, disciplina e disposição para recomeçar.

Em 1959, quando um incêndio destruiu o armazém que sustentava a família, Eduardo se uniu aos irmãos João Carlos e José Américo para ajudar o pai a reconstruir o patrimônio. Aos 16 anos, estudava Contabilidade à noite e trabalhava durante o dia, embalando mercadorias e organizando produtos.

A confiança conquistada dentro de casa logo se transformou em responsabilidades maiores. Ainda adolescente, passou a administrar lojas, cuidar da distribuição de produtos e participar diretamente das atividades comerciais da família. Aos 19 anos, assumiu a gerência de uma usina de beneficiamento de arroz e farinha de milho, em Propriá, experiência que consolidou sua formação como empresário.

Anos depois, Pernambuco se tornaria o principal cenário de sua atuação profissional.

DO BOMPREÇO À INTERGRAF

Eduardo trabalhou na rede Bompreço, onde acompanhou de perto a operação da empresa e assumiu responsabilidades que iam da central de distribuição à segurança, às compras, às embalagens, às obras e à gestão de veículos. Permaneceu no grupo até a venda total da rede aos holandeses, encerrando aquele ciclo ao lado do irmão João Carlos.

Mas Eduardo não era homem de ficar parado. Durante o processo de venda, adquiriu a Gráfica JC, ligada ao Jornal do Commercio, e transformou uma estrutura que enfrentava dificuldades em um empreendimento competitivo. À frente da empresa, que passou a se chamar Intergraf, investiu em modernização e levou o negócio a um novo patamar tecnológico.

A gráfica se tornou pioneira em Pernambuco na impressão de folha inteira em quatro cores e conquistou a certificação ISO 9001. Em pouco tempo, passou a disputar espaço com a Gráfica Santa Marta, então uma das referências do mercado.

Depois de dez anos no setor, Eduardo decidiu encerrar sua participação. Insatisfeito com práticas comerciais que considerava incompatíveis com seus princípios, optou por desativar a empresa em vez de vendê-la. Uma decisão que traduzia uma característica de sua trajetória: os resultados financeiros tinham importância, mas não estavam acima de seus valores.

NEGÓCIOS, SHOPPINGS E A FORÇA DA FAMÍLIA

A atuação empresarial também passou pela Wolk Elevadores. Eduardo ampliou a presença da companhia no mercado e firmou uma parceria com a Hyundai para distribuição e manutenção de elevadores da fabricante no Brasil, antes de se desfazer do negócio.

Nos últimos anos, concentrou suas atividades na Emel Investment, holding voltada aos empreendimentos imobiliários e shopping centers. Ao lado dos filhos, manteve participação em diferentes negócios, incluindo empreendimentos ligados aos shoppings Recife, Tacaruna, Guararapes, RioMar Recife, RioMar Fortaleza, RioMar Presidente Kennedy e Salvador Shopping.

A família também possuía participações em negócios herdados dos pais e em uma empresa de investimentos no mercado internacional.

Na estrutura familiar, Danielle assumiu responsabilidades administrativas e financeiras, Eduardo Filho ficou à frente da operação e Viviane, residente em São Paulo, permaneceu como acionista.

A DOR QUE VIROU SOLIDARIEDADE

A dimensão mais sensível da história de Eduardo Paes Mendonça está na luta pessoal que enfrentou durante décadas. Ele nasceu com uma fissura submucosa no palato, condição que só foi diagnosticada quando tinha 69 anos. Desde a infância, conviveu com dificuldades na fala, passou por avaliações médicas e chegou a ser submetido a procedimentos que não resolveram o problema.

A busca por respostas atravessou boa parte de sua vida. Em 2012, quando já havia recebido o diagnóstico de doença de Parkinson, decidiu enfrentar também a possibilidade de corrigir a fissura. O tratamento envolveu cirurgias, complicações e novas intervenções em 2013 e 2014. Nesse período, também passou por duas pontes de safena e uma mamária.

O resultado não foi o esperado. Ainda assim, Eduardo não permitiu que a experiência terminasse apenas como uma batalha pessoal.

Ao compreender as dificuldades enfrentadas por quem convive com a fissura labiopalatina, decidiu transformar sua vivência em uma iniciativa de apoio a outras pessoas. Foi assim que nasceu a Casa Sorrir, inaugurada em 2017, vinculada ao Instituto José Eduardo Mendonça, formalizado em janeiro de 2018.

A instituição foi criada para acolher pacientes e familiares que chegam ao Recife em busca de tratamento especializado, especialmente aqueles atendidos pelo Centro de Atenção aos Defeitos da Face (Cadefi), do Imip. Muitos vêm do interior de Pernambuco e de outros estados, sem condições financeiras para custear uma longa permanência na capital.

A Casa Sorrir foi concebida para oferecer mais do que hospedagem durante o tratamento. A proposta inclui apoio às famílias, acesso à educação, capacitação e oportunidades para reconstruir a vida.

Foi uma resposta concreta a uma dificuldade que Eduardo conhecia de perto. Em vez de guardar para si a experiência, ele decidiu abrir caminhos para quem enfrentava situação semelhante

UM HOMEM QUE NÃO ESCONDIA OS ERROS

Em suas memórias, Eduardo tratava os acertos com naturalidade, mas atribuía especial importância aos erros. Considerava que as experiências malsucedidas poderiam ensinar muito às novas gerações de empreendedores, sobretudo quando envolviam decisões tomadas sem o devido estudo sobre o negócio.

Defendia que gostar da atividade e trabalhar duro eram condições importantes, mas insuficientes para garantir o sucesso. Ética, credibilidade, respeito aos clientes, fornecedores e parceiros e um ambiente saudável de trabalho também faziam parte da equação.

Entre seus conselhos, a humildade ocupava lugar especial, principalmente nas empresas familiares, onde a convivência entre parentes pode se tornar um desafio tão grande quanto a própria gestão.

A FAMÍLIA, AS RAÍZES E AS MEMÓRIAS

A vida de Eduardo também foi marcada pela ligação com suas origens e pela importância dos laços familiares. Casado com Ana Maria Santa Rita, deixa esposa, três filhos, cinco netos e os irmãos João Carlos Paes Mendonça, José Américo Mendonça, Reginaldo Paes Mendonça, Maria Mendonça, Ester Mendonça Ferreira, Josefa Cecinha Mendonça e Joseilde Mendonça Prado.

O irmão João Carlos fez questão de destacar a dimensão humana da perda. “Perdemos um irmão querido. Uma pessoa exemplar. Um homem de muitos amigos e de uma leveza que agregava as pessoas em torno dele”, afirmou, ao recordar também sua atuação no Bompreço e a confiança que conquistou entre os colegas.

Durante a pandemia, Eduardo passou a revisitar episódios de sua vida e transformou lembranças em livros. Escreveu A pedra do meu caminho, em primeira pessoa, e O dito e o não dito, em terceira pessoa, registrando experiências, dificuldades, conquistas e aprendizados.

O que começou como uma forma de ocupar o tempo acabou se tornando uma maneira de preservar sua história e transmiti-la às próximas gerações.

Eduardo Paes Mendonça deixa uma trajetória que não cabe apenas na lista de empresas das quais participou ou nos empreendimentos em que investiu. Sua história reúne trabalho, coragem para recomeçar, respeito aos próprios princípios e a capacidade de transformar uma dor pessoal em oportunidade de acolher outras famílias.

No mundo dos negócios, construiu seu caminho. Na vida, deixou uma lição que vai além de qualquer patrimônio: o verdadeiro legado de uma pessoa também se mede pelas vidas que ela ajuda a transformar.

Edney Souto | Blog do Edney

O NORDESTE NÃO É TERRA DE VAGABUNDO: É TERRA DE GENTE QUE APRENDEU A VENCER MESMO QUANDO O BRASIL LHE VIRA AS COSTAS



Por Edney Souto | Blog do Edney

Voltei de Goiânia, em Goiás, carregando na bagagem novos conhecimentos, boas lembranças de pessoas que tive a oportunidade de conhecer e uma sensação amarga que ainda custa a desaparecer. Fui para estudar, aprender, conhecer outras culturas e ampliar horizontes. Encontrei gente acolhedora, educada, generosa e disposta a conversar. Mas também encontrei, em meio ao calor de uma eleição que já passou, uma face dolorosa do Brasil: o preconceito contra quem nasceu no Nordeste.

Ouvi frases que parecem ter saído de um Brasil que insiste em não se enxergar no espelho. “Nordestino é tudo vagabundo.” “O Nordeste só suga as riquezas do país.” “Lá só tem preguiçoso.”

E eu estava ali, com meu sotaque carregado, sem esconder de onde vim, ouvindo atentamente aquelas declarações. Não fui a Goiânia para brigar. Fui para aprender. Mas, como jornalista, aprendi que os números também falam. E, diante de tamanha ignorância, eles se tornam instrumentos poderosos para desmontar mentiras repetidas como se fossem verdades absolutas.

O que mais incomoda não é uma divergência política. Democracia é isso mesmo: pessoas pensando diferente, votando em candidatos distintos e defendendo projetos que nem sempre combinam. O problema começa quando alguém acredita que a escolha eleitoral de milhões de brasileiros lhe dá o direito de humilhar uma região inteira. Quando o voto vira pretexto para chamar um povo de preguiçoso, a discussão deixa de ser política e passa a revelar um preconceito muito mais antigo.

Passadas as eleições, com Lula reeleito presidente da República, essa reflexão ganha um significado ainda mais especial para mim. Lula é meu conterrâneo, pernambucano de nascimento, natural de Garanhuns, a mesma terra do Agreste que carrego comigo por onde ando. E não há como negar que, depois de ouvir tantas ofensas contra os nordestinos, ver um filho da nossa região novamente escolhido para comandar o país tem um peso simbólico particular.

Não escrevo isso para dizer que todo nordestino precisa votar em Lula, muito menos para afirmar que quem votou contra ele vale menos. Democracia é liberdade de escolha. O que não pode existir é a ideia absurda de que o nordestino merece menos respeito porque vota de determinada maneira. O resultado das urnas não transforma ninguém em cidadão de primeira ou segunda categoria.

O que me incomoda é perceber que, para algumas pessoas, o voto nordestino se transforma em autorização para atacar a dignidade de milhões de brasileiros. Como se o resultado eleitoral apagasse nossa história, diminuísse nossa capacidade de trabalho ou nos tornasse menos merecedores de respeito.

Lula saiu de Garanhuns, no Agreste pernambucano, e chegou à Presidência da República. Sua trajetória política tem controvérsias, desperta paixões e provoca críticas legítimas, como acontece com qualquer liderança nacional. Mas sua origem não pode ser usada como instrumento de humilhação contra os nordestinos. Independentemente da posição política de cada um, sua história mostra que o lugar onde alguém nasce não determina até onde essa pessoa pode chegar.

E é justamente por isso que precisamos falar de números.

O Nordeste tem problemas? Evidentemente. Tem desigualdades históricas, dificuldades de infraestrutura, desafios no mercado de trabalho e municípios que ainda lutam contra a pobreza. Negar isso seria irresponsabilidade jornalística. Mas transformar essas dificuldades em uma sentença contra a dignidade de quase 60 milhões de pessoas é outra coisa. É desconhecer a história e, pior, usar a ignorância como argumento.

Segundo dados demográficos do IBGE, o Nordeste reúne aproximadamente 54,6 milhões de habitantes no Censo de 2022, pouco mais de um quarto da população brasileira. Estamos falando de uma região formada por nove estados, com economias, culturas, sotaques e realidades muito diferentes. Não é uma pequena parcela do país, muito menos um território que possa ser reduzido a meia dúzia de estereótipos.

A economia nordestina está presente na agricultura, na indústria, no comércio, nos serviços, no turismo, na energia e em inúmeras atividades que sustentam milhões de famílias. Pernambuco tem um polo médico, um complexo portuário e industrial e uma economia de serviços expressiva. A Bahia tem uma estrutura industrial e agropecuária de grande relevância. Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Maranhão e Piauí também possuem atividades produtivas e potencialidades próprias.

Não existe uma única fotografia do Nordeste. Existe uma região inteira, diversa, que trabalha e busca oportunidades, apesar das desigualdades que ainda precisam ser enfrentadas.

E o mercado de trabalho também conta uma história que não cabe na conversa preconceituosa. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, registrou avanços importantes no emprego brasileiro em 2025, com a menor taxa anual de desocupação da série histórica nacional. Os indicadores variam entre os estados e as regiões, e o Nordeste continua enfrentando obstáculos próprios. É justamente por isso que os dados devem ser analisados com seriedade, sem esconder dificuldades nem apagar conquistas.

Uma coisa, porém, precisa ficar clara: estar desempregado não é sinônimo de preguiça. Viver na pobreza não significa falta de capacidade. Enfrentar desigualdades históricas não transforma ninguém em cidadão inferior.

É justamente isso que diferencia uma análise séria de um preconceito: os números permitem enxergar a realidade com suas conquistas e dificuldades. O preconceituoso escolhe uma caricatura e tenta obrigar o mundo inteiro a caber dentro dela.

Há ainda uma questão que merece atenção: o Nordeste não é apenas uma região que precisa de oportunidades. É também uma região que produz oportunidades, movimenta o consumo e participa ativamente da economia nacional. De acordo com as Contas Regionais do IBGE, o Nordeste respondeu por aproximadamente 13,8% do Produto Interno Bruto brasileiro em 2023. O Centro-Oeste, por sua vez, respondeu por cerca de 10,6% naquele mesmo ano.

São economias diferentes, com características próprias, e esses percentuais não devem ser confundidos com uma disputa entre povos. O Centro-Oeste tem sua força no agronegócio, nos serviços, na administração pública e em outras atividades econômicas. Goiânia tem sua importância, sua história e suas contribuições para o Brasil. Reconhecer isso não exige diminuir Pernambuco, o Ceará, a Bahia ou qualquer outro estado nordestino.

O desenvolvimento de uma região não precisa acontecer às custas da humilhação de outra.

O que vi e ouvi em Goiânia não me autoriza a condenar os goianos. Conheci pessoas boas e não seria justo colocar uma população inteira no mesmo saco por causa de declarações preconceituosas de alguns. Seria repetir, do outro lado, o mesmo erro que me feriu. O problema não é Goiás. O problema é o preconceito, esteja ele onde estiver.

E não se trata apenas de uma impressão individual. Estudos sobre o discurso de ódio nas redes sociais identificaram o crescimento de manifestações hostis contra nordestinos durante períodos eleitorais, especialmente nas disputas presidenciais. A associação entre origem regional e escolha política transforma milhões de pessoas em alvo de ataques que não deveriam ter espaço em uma sociedade democrática.

O preconceito regional não nasce nas urnas, mas muitas vezes encontra nas eleições o combustível para se manifestar. Basta uma diferença de votos entre regiões para que apareçam acusações coletivas, ofensas e tentativas de desqualificar o eleitor nordestino.

É triste perceber que, em pleno século XXI, ainda exista gente que acredita que o CEP de nascimento define o caráter de alguém. Como se honestidade, inteligência, disposição para o trabalho e capacidade de vencer fossem propriedades exclusivas de determinada região do Brasil.

O nordestino que sai de sua terra para estudar, trabalhar ou empreender não carrega consigo apenas uma mala. Carrega a história de uma região marcada por dificuldades, resistência, criatividade e capacidade de recomeçar. Carrega a força de pais e mães que fizeram sacrifícios para garantir aos filhos oportunidades que eles próprios não tiveram. Carrega a memória de trabalhadores rurais, professores, comerciantes, profissionais liberais, artistas, cientistas e tantos outros brasileiros que ajudaram a construir este país.

Eu conheço essa realidade. Sou nordestino, pernambucano, tenho orgulho do meu sotaque e não preciso disfarçar minha origem para ser respeitado. Não preciso falar como alguém de outro lugar, nem diminuir minhas raízes para caber na visão limitada de quem acredita que o Brasil termina na fronteira de sua própria experiência.

Passadas as eleições, o resultado das urnas deveria servir também como um convite à reflexão. Lula foi reeleito, mas o país continua sendo formado por brasileiros que fizeram escolhas diferentes. A vitória de um candidato não apaga a existência de quem votou no adversário, assim como a derrota de outro não autoriza ataques a quem o apoiou.

A eleição terminou. A obrigação de respeitar o próximo continua.

Confesso: houve momentos em que tive vontade de voltar àqueles lugares, abrir os dados, apresentar as estatísticas e esfregar os números na cara de quem falou tanta bobagem. A indignação é humana. Quando alguém ofende sua terra, sua história e seu povo, a vontade de responder aparece quase imediatamente.

E, sim, a vitória de Lula lavou minha alma em um sentido muito pessoal. Não porque um resultado eleitoral resolva todos os problemas do Nordeste, nem porque todos os nordestinos pensem da mesma maneira. Lavou minha alma porque, depois de ouvir aquelas frases, senti ainda mais orgulho de pertencer a uma região que tantas vezes é julgada sem ser conhecida.

Meu conterrâneo nasceu em Garanhuns e chegou novamente à Presidência pelo voto popular. Isso não faz dele um representante de todos os nordestinos, nem significa que a região tenha uma única opinião política. Mas torna impossível apagar a presença do Nordeste no centro da história brasileira.

Não quero transformar minha indignação em outra guerra entre regiões. Quero fazer o que a profissão me ensinou: informar, apresentar os fatos e exigir respeito. O Brasil não precisa de nordestinos contra goianos, pernambucanos contra paulistas ou qualquer outra disputa alimentada por estereótipos. Precisa de cidadãos capazes de reconhecer que as diferenças regionais não tornam ninguém superior.

O Nordeste não precisa ser apresentado como uma região perfeita. Nenhuma região brasileira é. Precisa ser reconhecido como ele realmente é: diverso, produtivo, cheio de talentos, com dificuldades reais e uma população que merece as mesmas oportunidades e o mesmo respeito concedidos a qualquer cidadão brasileiro.

Voltei de Goiânia com novos conhecimentos, boas lembranças e uma ferida provocada por palavras que não deveriam encontrar espaço em uma sociedade democrática. Mas voltei também com uma certeza ainda maior sobre quem sou e de onde vim.

Meu sotaque não é defeito. Minha origem não é motivo de vergonha. Minha terra não é sinônimo de atraso.

Sou nordestino. Sou pernambucano. Sou de Garanhuns, terra que também viu nascer o presidente Lula. E não aceito que confundam desigualdade com incapacidade, pobreza com preguiça ou divergência política com inferioridade humana.

Se os números ainda não são suficientes para convencer quem escolheu viver dentro do preconceito, talvez seja porque o problema nunca esteve apenas na falta de informação, mas na falta de disposição para enxergar o outro como igual.

O Nordeste segue trabalhando, produzindo, estudando, empreendendo e criando seus filhos. Segue enfrentando suas dificuldades sem pedir autorização a ninguém para ter orgulho de sua história.

E eu sigo fazendo o que aprendi na profissão: mostrando os fatos, contando as histórias e dando voz a quem muitas vezes é julgado antes mesmo de ser ouvido.

Porque o Nordeste não precisa baixar a cabeça para caber no Brasil. O Nordeste é Brasil.

Edney Souto — Blog do Edney

NA LUPA 🔎 | REI MORTO, REI POSTO! FLÁVIO SAI DE CENA, MICHELLE SORRI COM VALDEMAR E O PL JÁ CALCULA QUEM VAI MANDAR NO BOLSONARISMO

Na política, existe uma velha máxima que nunca perde a validade: rei morto, rei posto! Basta uma liderança perder força para que outros comecem a medir o espaço disponível. E é exatamente esse o cenário que começa a se desenhar no bolsonarismo depois da derrota de Flávio Bolsonaro para Lula. Nesta terça-feira (27), enquanto as notícias sobre a saída do senador do Brasil rumo aos Estados Unidos dominavam o noticiário, Michelle Bolsonaro apareceu sorridente ao lado de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, na sede da legenda, em Brasília. A fotografia pode parecer um registro comum de reunião partidária, mas, no atual momento político, ganhou outro peso.

O encontro aconteceu dois dias depois da derrota presidencial e em meio à repercussão da viagem de Flávio. Valdemar afirmou que conversou com Michelle sobre o futuro do partido e os desafios pela frente. Oficialmente, o discurso é de união e diálogo. Nos bastidores, porém, a política não costuma esperar que os derrotados reorganizem os pensamentos. Enquanto uns tentam explicar o resultado das urnas, outros começam a calcular o próximo movimento.

É preciso separar os fatos das especulações: a fotografia não prova que Michelle e Valdemar estivessem comemorando a derrota de Flávio, nem que tenham articulado uma substituição dentro da família Bolsonaro. Mas o momento em que a imagem apareceu ajuda a explicar por que ela provocou tanta repercussão. A disputa pelo protagonismo da direita está aberta, e ninguém precisa anunciar uma guerra interna para perceber que existem interesses diferentes em jogo.

Michelle não chega a essa nova fase de mãos vazias. Eleita senadora pelo Distrito Federal com 938.496 votos, ela conquistou um mandato próprio e uma votação expressiva, capaz de lhe garantir espaço nas discussões nacionais. Durante a pré-campanha, teve divergências com Flávio e não participou das agendas do enteado no segundo turno, alimentando comentários sobre a relação política entre os dois. Embora tenha declarado apoio à candidatura na convenção do PL, os episódios mostraram que a unidade familiar não significa ausência de disputas.

Agora, com Flávio envolvido em uma crise que exige esclarecimentos, Michelle aparece como um dos nomes com potencial para ampliar sua influência. Ainda é cedo para proclamá-la a nova chefe do bolsonarismo, mas seria um erro político ignorar sua votação, seu mandato e sua capacidade de mobilização. Ela não precisa herdar formalmente o comando de ninguém para crescer no espaço deixado por uma liderança enfraquecida.

REI MORTO, REI POSTO! A expressão não significa que Flávio esteja politicamente acabado, mas resume uma regra conhecida da política: quando alguém perde força, outros se movimentam para ocupar o terreno. E, nesse jogo, a velocidade vale muito. O capital eleitoral de Michelle, a estrutura partidária de Valdemar e os interesses de uma bancada numerosa podem pesar tanto quanto o sobrenome que, durante anos, concentrou praticamente toda a atenção da direita brasileira.

O PL perdeu a Presidência da República, mas saiu das urnas com uma força parlamentar expressiva. A partir de 2027, a legenda contará com 121 deputados federais e deverá ter 29 senadores, conforme a composição divulgada para a próxima legislatura. É uma estrutura capaz de pressionar o governo Lula, negociar espaços no Congresso e influenciar votações importantes. A derrota presidencial não transformou o partido em figurante; pelo contrário, colocou sobre seus dirigentes a responsabilidade de decidir como essa força será utilizada.

É justamente aí que Valdemar Costa Neto se torna uma peça decisiva. O presidente nacional do PL precisa manter a bancada coesa, administrar interesses diferentes e definir a estratégia de oposição ao novo governo. Um partido desse tamanho não se sustenta apenas com declarações de fidelidade à família Bolsonaro. Deputados, senadores e lideranças regionais têm projetos próprios, ambições eleitorais e interesse em participar das decisões sobre o futuro da direita.

A situação de Flávio acrescenta mais incerteza a esse cenário. A saída do senador para os Estados Unidos ganhou repercussão após uma determinação judicial relacionada à entrega de seus passaportes. As circunstâncias da viagem e seus desdobramentos precisam ser tratados com cautela, sem transformar versões e suspeitas em conclusões definitivas. Ainda assim, o episódio abriu uma frente de desgaste para quem pretendia se apresentar como protagonista da oposição nacional.

O contraste é evidente. Durante a campanha, Flávio buscou consolidar seu nome como herdeiro político do pai e candidato capaz de enfrentar Lula. Depois da derrota, passou a ocupar o noticiário por causa de sua saída do país, enquanto Michelle e Valdemar apareciam juntos discutindo o futuro do PL. A política tem uma memória curta para os momentos de fraqueza e uma velocidade impressionante para identificar novas oportunidades.

E não é apenas Michelle que observa esse movimento. Valdemar controla a estrutura partidária, os parlamentares possuem força própria e outros nomes da direita esperam a oportunidade de ampliar sua influência. O bolsonarismo terá de decidir se continuará girando exclusivamente em torno da família Bolsonaro ou se abrirá espaço para uma liderança mais ampla, capaz de manter o movimento unido mesmo depois de uma derrota nas urnas.

Michelle tem votos, mandato e visibilidade. Valdemar tem o partido e uma das maiores bancadas do Congresso. Flávio ainda carrega um sobrenome de enorme peso eleitoral, mas precisa enfrentar o desgaste do momento e mostrar qual será seu papel daqui para a frente. Nenhum desses elementos, isoladamente, define quem comandará a direita. O que está em disputa é justamente a combinação entre votos, estrutura, capacidade de articulação e poder de mobilização.

NA LUPA: a fotografia de Michelle sorrindo ao lado de Valdemar não prova uma comemoração pela situação de Flávio, mas revela um momento politicamente simbólico. O bolsonarismo perdeu a Presidência, manteve uma bancada poderosa e entrou numa fase em que o comando já não pode ser tratado como assunto resolvido. Flávio pretendia liderar a oposição; Michelle tem um mandato próprio; Valdemar precisa manter o partido unido. E, quando a política começa a discutir sucessão antes mesmo de enterrar a derrota, a velha máxima volta a fazer sentido: rei morto, rei posto! O reinado de um nome pode até não ter terminado, mas já tem gente olhando para o trono.

Blog do Edney — A notícia verdade.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

LULA DETONA SAÍDA DE FLÁVIO BOLSONARO DO BRASIL: “ATO VERGONHOSO” E “LAMBER BOTAS DOS EUA”

Presidente reeleito questiona decisão do senador de deixar o país, critica a postura da família Bolsonaro diante dos Estados Unidos e relaciona a viagem à investigação que levou à determinação de apreensão dos passaportes
A saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, depois da derrota na eleição presidencial, ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (27). O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu publicamente à viagem do senador aos Estados Unidos e não economizou nas palavras. Chamou a decisão de “vergonhosa”, criticou a postura da família Bolsonaro em relação aos americanos e afirmou que quem deixa o país escondido dá motivos para questionamentos.

A declaração foi feita no Palácio da Alvorada, durante uma manifestação em frente à residência oficial, justamente no dia em que Lula completa 81 anos. Diante de apoiadores, o petista transformou o episódio em mais um confronto político com o grupo bolsonarista, que ainda enfrenta os desdobramentos da derrota nas urnas e as repercussões de investigações envolvendo seus integrantes.

“Eu lamento que ele tenha saído do Brasil, porque ele poderia ficar aqui e provar que as acusações não são verdadeiras. Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso. Lamentavelmente, a família Bolsonaro é isso, é lamber botas dos EUA”, declarou Lula.

O presidente também questionou a necessidade de deixar o território brasileiro em meio às suspeitas que envolvem o senador. “Quem sai escondido do país é porque deve alguma coisa. Quem não deve não teme”, afirmou, reforçando o tom de enfrentamento.

Lula voltou a utilizar a palavra “miliciano” ao se referir a Flávio Bolsonaro e contestou qualquer tentativa de apresentar o Brasil, no exterior, como um país sem liberdade política ou democrática. “Não vai dizer lá fora que o Brasil não tem democracia. Se não tivesse, um miliciano não seria candidato a presidente”, declarou.

VIAGEM SOB SIGILO E COM CÍRCULO RESTRITO DE ALIADOS

A viagem de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, acompanhado da esposa e das duas filhas, foi revelada nesta terça-feira pelo portal Metrópoles, em informação publicada na coluna do jornalista Igor Gadelha. Segundo a reportagem, a saída teria sido organizada com a participação de um grupo restrito de aliados no Brasil e nos Estados Unidos, numa tentativa de evitar vazamentos antecipados.

O deslocamento ganhou repercussão porque ocorreu em meio a uma situação jurídica delicada para o senador. De acordo com as informações apresentadas sobre o caso, a viagem aconteceu após uma determinação para que ele entregasse seus passaportes à Polícia Federal.

A medida foi solicitada pela própria PF e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão envolvendo Flávio Bolsonaro e o empresário Willer Tomaz.

A investigação busca esclarecer possíveis irregularidades relacionadas a empresas de apostas e plataformas de pagamento. As suspeitas ainda precisam ser apuradas pelas autoridades competentes, e a existência de uma investigação não significa, por si só, que os investigados tenham cometido os crimes sob apuração.

PASSAPORTES, INVESTIGAÇÃO E PRESSÃO POLÍTICA

A coincidência entre a determinação judicial envolvendo os passaportes e a saída do senador do Brasil colocou o episódio no centro do debate político nacional. A pergunta que passou a circular nos bastidores é por que Flávio Bolsonaro decidiu viajar justamente nesse momento e quais serão os próximos desdobramentos jurídicos da situação.

É importante distinguir, porém, os fatos confirmados das interpretações políticas. A viagem aos Estados Unidos foi noticiada, assim como a existência da investigação e o pedido de apreensão dos documentos. Já a caracterização da saída como fuga e a afirmação de que o senador estaria tentando escapar das autoridades são avaliações que exigem cautela e não podem ser tratadas automaticamente como conclusões judiciais.

Ainda assim, o episódio oferece munição para os adversários políticos da família Bolsonaro. Lula aproveitou a oportunidade para atacar não apenas Flávio, mas também a relação dos Bolsonaro com os Estados Unidos, transformando a viagem em símbolo do embate entre o governo reeleito e o grupo derrotado nas urnas.

DERROTA NAS URNAS E UM NOVO CAPÍTULO DA DISPUTA

A eleição presidencial terminou, mas a disputa política está longe de esfriar. Para Lula, a saída de Flávio representa uma oportunidade de reforçar o discurso de que o Brasil possui instituições democráticas capazes de investigar e responsabilizar quem quer que seja, independentemente de sobrenome ou posição política.

Para o campo bolsonarista, a repercussão da viagem acrescenta um novo problema a uma conjuntura já marcada pela derrota eleitoral e pelas pressões jurídicas. O silêncio, a explicação pública ou uma eventual reação do senador poderão influenciar os próximos capítulos dessa história.

O ponto central, neste momento, é que a viagem aconteceu em meio a uma investigação sensível e provocou uma reação contundente do presidente reeleito. Lula escolheu palavras duras, vinculou o episódio à relação da família Bolsonaro com os Estados Unidos e cobrou que Flávio permaneça no Brasil para responder às acusações.

Na política brasileira, uma viagem pode ser apenas uma viagem. Mas, quando ocorre cercada de sigilo, em meio a uma determinação judicial e depois de uma derrota presidencial, dificilmente deixa de produzir consequências políticas. Agora, caberá às autoridades esclarecer os aspectos jurídicos do caso e ao próprio senador explicar publicamente as circunstâncias de sua saída do país.


FEIRA DE IMÓVEIS DE CARUARU REÚNE OPORTUNIDADES DO ENTRADA GARANTIDA, QUE JÁ APROVOU MAIS DE 6.500 FAMÍLIAS NO MUNICÍPIO

Evento acontece de 29 de outubro a 1º de novembro, na estação ferroviária; Caruaru conta com 2.147 unidades habitacionais  disponíveis no Programa Morar Bem Pernambuco

Com mais de 29 mil famílias aprovadas no estado, o Morar Bem Pernambuco – Entrada Garantida será um dos destaques da Feira de Imóveis de Caruaru, de 29 de outubro a 1º de novembro, na Estação Ferroviária. O evento reunirá 19 construtoras e imobiliárias e contará com um estande do Governo do Estado para orientar o público sobre o programa, que já soma 6.529 aprovações no município.

Em Caruaru, das 8.679 unidades habitacionais disponibilizadas na modalidade, 2.147 ainda estão disponíveis, distribuídas em 58 empreendimentos. Os números representam novas oportunidades para famílias que desejam adquirir o primeiro imóvel com o apoio do subsídio estadual.

“O Morar Bem Pernambuco é uma oportunidade concreta para muitas famílias realizarem o sonho da casa própria. A Feira de Imóveis de Caruaru aproxima esse público das construtoras, amplia o acesso à informação e permite que as pessoas conheçam as opções disponíveis e entendam como o benefício pode ajudar na conquista do primeiro imóvel. Com 19 construtoras e imobiliárias participando, temos um ambiente favorável para conectar as famílias às oportunidades habitacionais”, destaca o diretor-presidente da Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab), Paulo Lira.

No estande do Governo de Pernambuco, os visitantes poderão esclarecer dúvidas sobre o funcionamento do programa e os critérios para receber o benefício de R$ 20 mil, concedido pelo Estado para auxiliar no pagamento da entrada do primeiro imóvel, além de realizar sua inscrição no programa. A iniciativa busca facilitar o acesso ao financiamento habitacional para famílias que atendam aos requisitos estabelecidos.

A Caixa Econômica Federal também terá um estande na feira, com atendimento para simulações de financiamento e orientações sobre crédito imobiliário. Os interessados poderão conhecer as condições de programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida, e verificar a possibilidade de ampliar os descontos na entrada do financiamento em até R$ 75 mil, junto com o Morar Bem Pernambuco, conforme os critérios aplicáveis.

A expectativa dos organizadores é movimentar aproximadamente R$ 80 milhões em negócios realizados e prospectados a partir do evento, que deve receber milhares de visitantes ao longo dos quatro dias de programação.

Como participar do Morar Bem Pernambuco?

Para ter acesso ao Entrada Garantida, é necessário residir em Pernambuco, atender ao limite de renda familiar estabelecido pelo programa, não possuir imóvel próprio e ter a documentação e o financiamento aprovados pela Caixa Econômica Federal. Também não é permitido ter recebido anteriormente atendimento habitacional definitivo.

As inscrições são realizadas pelo site www.morarbempe.com.br.

Os valores máximos dos imóveis variam conforme o município: R$ 270 mil no Recife; R$ 255 mil na Região Metropolitana e em cidades com mais de 300 mil habitantes, como Caruaru e Petrolina; R$ 240 mil em municípios com população entre 100 mil e 300 mil habitantes; e R$ 210 mil nas demais cidades.