ENTRE A OPERAÇÃO E O PALANQUE: QUEM GANHA COM O FURACÃO POLÍTICO EM PERNAMBUCO
INVESTIGAÇÃO, NARRATIVA DE PERSEGUIÇÃO E O JOGO PESADO DA SUCESSÃO ESTADUAL
A deflagração da Operação Vassalos pela Polícia Federal colocou novamente Pernambuco no centro de um turbilhão político. Entre os alvos das buscas estão o ex-prefeito de Petrolina e pré-candidato ao Senado Miguel Coelho, o deputado federal Fernando Filho e o ex-senador Fernando Bezerra Coelho.
A reação veio rápida e calculada. Em nota conjunta, Miguel e Fernando Filho disseram estar tranquilos, questionaram o timing da operação e apontaram “viés político”. O episódio deixou de ser apenas jurídico. Virou combustível eleitoral.
E em ano pré-eleitoral, combustível sempre encontra faísca.
O TIMING QUE NÃO PASSA DESPERCEBIDO
Miguel Coelho vinha se movimentando como peça relevante na disputa majoritária. Presidente estadual do União Brasil e pré-candidato ao Senado, ampliava conversas e consolidava espaço.
A operação surge exatamente quando o tabuleiro começa a ser montado.
Coincidência institucional? Pode ser.
Mas, politicamente, o momento levanta sobrancelhas.
Na política, o tempo de uma ação pesa tanto quanto o conteúdo dela.
A DEFESA: PETROLINA COMO PROVA
Na nota, os irmãos Coelho sustentam que as emendas questionadas foram responsáveis por impulsionar Petrolina a índices recordes de crescimento no Nordeste.
O argumento é estratégico: se os recursos geraram desenvolvimento, como poderiam ser sinônimo de irregularidade?
Eles afirmam que as contas do município estão aprovadas e que jamais deixaram de prestar informações aos órgãos de controle.
O discurso não é apenas jurídico. É simbólico.
A mensagem é clara: atacar o grupo seria atacar o crescimento da cidade.
STF, ARQUIVAMENTO E A MENÇÃO A FLÁVIO DINO
A defesa cita decisão do ministro Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal, apontando que parte dos fatos já teria sido analisada anteriormente no Inquérito 4513, arquivado.
Também menciona manifestação da Procuradoria-Geral da República contrária às medidas solicitadas pela PF.
Esse trecho da nota tem peso político: sugere que não há novidade substancial e que a operação reapresenta algo já examinado.
No campo da opinião pública, isso se transforma em questionamento.
O VIÉS POLÍTICO E A NARRATIVA DE PERSEGUIÇÃO
É aqui que o discurso ganha temperatura. Miguel e Fernando Filho afirmam ser “impossível não destacar o viés político”.
Não apontam nomes. Não fazem acusações diretas.
Mas no ambiente político, especulações surgem naturalmente. O prefeito do Recife, João Campos, e o senador Humberto Costa aparecem nas conversas de bastidor como possíveis beneficiários indiretos de uma eventual fragilização do grupo Coelho.
Importante frisar: não há qualquer prova de articulação desses líderes na operação.
Mas em política, benefício indireto já altera o equilíbrio do jogo.
FOGO AMIGO OU SIMPLES CONSEQUÊNCIA DO SISTEMA?
A tese de “fogo amigo” circula entre aliados. A ideia de que dentro do próprio campo político poderia haver interesse em enfraquecer Miguel antes da consolidação das chapas.
É teoria. Não fato.
Mas teorias, quando encontram ambiente polarizado, ganham vida própria.
O ponto central é que, com ou sem articulação, o resultado concreto é o mesmo: o tabuleiro mudou.
A ELEIÇÃO COMEÇA NA PERCEPÇÃO
Investigação não é condenação.
Busca não é sentença.
Mas desgaste é imediato.
A simples associação a uma operação federal produz ruído, insegurança e impacto na opinião pública. Em disputas majoritárias, imagem é ativo decisivo.
Enquanto a Justiça segue seu curso técnico, a política já opera em modo máximo.
ENTRE O PROCESSO E O PALANQUE
A Operação Vassalos ainda terá desdobramentos jurídicos. Miguel Coelho e Fernando Filho reafirmam confiança na Justiça e denunciam viés político. A Polícia Federal cumpre decisão judicial.
Mas no campo político, não existe vazio.
Se um ator enfraquece, outro ocupa espaço.
Se surge crise, nasce narrativa.
Se há investigação, há disputa de versões.
A pergunta que permanece no ar não é apenas jurídica. É política:
Quem sairá maior quando a poeira baixar?
Em Pernambuco, a sucessão de 2026 já deixou de ser apenas articulação de bastidor. Agora é também batalha de resistência. É desse jeito!