O primeiro destaque é a escolha de homenagear Alceu Valença. Não foi apenas uma entrega de placa. O gesto da Prefeitura reconhece um dos maiores embaixadores da cultura pernambucana e reforça uma estratégia de aproximar o FIG de artistas que carregam a identidade do Estado. Alceu representa a essência do Nordeste e sua homenagem foi um dos momentos mais simbólicos desta edição.
Outro fato relevante foi a diversidade artística da programação de encerramento. Padre Fábio de Melo abriu a noite trazendo espiritualidade e poesia. Em seguida, Alceu reafirmou a força da música regional. Depois vieram Roupa Nova e Biquini, representantes da MPB e do rock nacional. Essa mistura de estilos mostra que o FIG continua apostando em um público plural, sem abrir mão de suas raízes.
No campo administrativo, o festival representa mais uma demonstração da capacidade da Prefeitura de Garanhuns e da Secretaria Municipal de Cultura em conduzir um evento de grande porte. Durante 18 dias, milhares de pessoas passaram pelos polos culturais da cidade, exigindo planejamento, logística e articulação entre diversas áreas do governo municipal.
Politicamente, o encerramento também fortalece o prefeito Sivaldo Albino. Independentemente das disputas eleitorais que já movimentam Pernambuco, um festival dessa dimensão inevitavelmente projeta a imagem da gestão. Eventos consolidados costumam se transformar em vitrines administrativas, principalmente quando conseguem reunir grandes públicos sem registros de grandes problemas.
Sandra Albino, à frente da Secretaria de Cultura, também sai fortalecida. A condução da programação, a valorização dos artistas locais e nacionais e a organização do evento consolidam sua atuação em uma das pastas mais estratégicas da administração municipal.
Outro aspecto que merece destaque é o impacto econômico. Hotéis lotados, bares, restaurantes, comércio informal e serviços funcionando em ritmo acelerado confirmam que o FIG deixou de ser apenas um evento cultural para se transformar em um dos principais motores da economia local durante o mês de julho.
Por fim, a homenagem a Alceu Valença resume o espírito desta edição. Enquanto muitos festivais apostam apenas no entretenimento, Garanhuns escolheu reconhecer um artista que simboliza a cultura nordestina. Foi uma decisão acertada e coerente com a história do FIG.
Na Lupa, fica a conclusão de que o 34º Festival de Inverno de Garanhuns termina maior do que começou. Pela qualidade da programação, pela organização, pelo fortalecimento da cultura e pelos reflexos econômicos e políticos, o evento reafirma seu papel como um dos maiores patrimônios culturais de Pernambuco e mantém Garanhuns definitivamente no mapa dos grandes festivais brasileiros.