Fernandinho integrava uma comitiva de garanhuenses que viajou com o propósito de prestigiar o tributo ao filho mais ilustre da cidade. Desde o despertar, no Centro Educacional Paulo de Assis Ribeiro, em Niterói, ele conta que já sentia que aquela seria uma noite diferente. “Acordei com uma intuição forte, como se algo especial estivesse reservado”, relatou.
Vestindo uma camisa vibrante com as cores da bandeira de Pernambuco — peça emprestada por um amigo de trabalho, Marquinhos —, ele seguiu para a Sapucaí ao lado da esposa Andréa e das amigas Lígia e Andréa. O grupo carregava no peito o orgulho das origens e a expectativa de assistir a um desfile que prometia emoção do início ao fim.
Quando a Acadêmicos de Niterói entrou na avenida exaltando a trajetória de Lula e relembrando a figura marcante de Dona Lindu, o sambódromo se transformou em um grande coro de aplausos, lágrimas e celebração. Fernandinho não conteve a emoção. “Chorei, cantei, pulei. Foi uma entrega total. Ver nossa história sendo contada ali, com tanta grandeza, foi arrebatador”, descreveu.
Mas o ápice da noite ainda estava por vir.
Durante um intervalo entre as apresentações, ao sair em direção ao banheiro, Fernandinho cruzou com Marino, companheiro de militância, que procurava outro colega no meio da multidão. De repente, a movimentação foi interrompida pela passagem de uma ambulância que prestava atendimento a um folião. No meio do tumulto, um segurança o puxou rapidamente para dentro de um camarote que reunia autoridades e convidados especiais.
Foi ali, em meio ao branco predominante da roupa que vestia, que ele se deparou frente a frente com o presidente Lula.
“Na hora, só consegui gritar: ‘Presidente, eu vim de Garanhuns!’”, contou. Segundo ele, o chefe de Estado imediatamente voltou o olhar em sua direção. Em meio ao cerco de seguranças e à presença de personalidades, Lula abriu espaço, aproximou-se e o recebeu com um abraço e um beijo carinhoso.
“Eu tremia da cabeça aos pés. Foi um choque. Parecia que o tempo tinha parado”, relembrou o DJ, que, mesmo tomado pelo nervosismo, conseguiu registrar o momento em uma fotografia — a primeira ao lado do presidente.
Para Fernandinho, a camisa com as cores de Pernambuco acabou funcionando como um símbolo poderoso de identidade e pertencimento. “Acho que foi o imã perfeito. Ele nunca esquece suas raízes”, afirmou.
A noite na Sapucaí, marcada pelo samba, pela emoção coletiva e pelo reencontro simbólico entre conterrâneos, ficará para sempre na memória do locutor de Garanhuns. Mais do que assistir a um desfile, ele viveu uma experiência que uniu destino, orgulho regional e a força de uma homenagem que atravessou a avenida e tocou o coração de quem veio de longe para celebrar suas origens.