Ao lembrar os dois mandatos de Paulo Câmara, Milton Coelho ressaltou especialmente o período da grave crise econômica nacional entre 2015 e 2016, quando diversos estados brasileiros enfrentaram colapso fiscal, atraso de salários, parcelamento de vencimentos e dificuldades para manter serviços básicos funcionando. Pernambuco, segundo o ex-deputado, conseguiu atravessar aquele momento sem atrasar salários do funcionalismo público nem o pagamento do décimo terceiro salário dos servidores estaduais, algo considerado, à época, um diferencial administrativo em meio ao caos fiscal enfrentado em várias regiões do país.
Milton destacou que a manutenção do equilíbrio das contas públicas foi resultado de uma política de responsabilidade fiscal adotada ao longo de toda a gestão. Segundo ele, o governo priorizou planejamento, controle de despesas e capacidade de investimento mesmo diante de um ambiente econômico nacional adverso. Para aliados de Paulo Câmara, esse modelo administrativo permitiu ao estado manter serviços essenciais funcionando e garantir estabilidade financeira em momentos considerados extremamente delicados para as finanças públicas brasileiras.
Outro ponto enfatizado por Milton Coelho foi a condução do estado durante a pandemia da Covid-19. Ele afirmou que Pernambuco figurou entre os cinco estados brasileiros com menor taxa de mortalidade durante o período mais crítico da crise sanitária, resultado que, segundo aliados do ex-governador, refletiu investimentos em saúde pública, ampliação de leitos, fortalecimento da rede hospitalar e ações coordenadas de enfrentamento à pandemia. A atuação do governo estadual naquele período foi uma das marcas mais debatidas da gestão Paulo Câmara, principalmente diante da pressão sobre os sistemas de saúde em todo o país.
Milton também chamou atenção para o resultado financeiro deixado ao fim da administração socialista. De acordo com ele, Paulo Câmara encerrou os oito anos de mandato com um superávit financeiro de R$ 4,25 bilhões, número frequentemente utilizado por integrantes do antigo governo para rebater críticas sobre a situação econômica do estado. O ex-deputado afirmou que o saldo demonstra capacidade de organização administrativa e responsabilidade na condução das finanças públicas.
Além dos números fiscais, Milton Coelho destacou ainda o fato de todas as contas dos oito anos da gestão Paulo Câmara terem sido aprovadas por unanimidade e sem ressalvas pelo Tribunal de Contas do Estado. Para aliados do ex-governador, o reconhecimento técnico reforça a narrativa de que Pernambuco atravessou os últimos anos mantendo regularidade administrativa, controle fiscal e segurança jurídica nas ações do governo estadual.
A fala de Milton ocorre em um momento em que o legado das gestões passadas volta ao centro do debate político pernambucano. Com a movimentação de grupos políticos para as eleições futuras e o reposicionamento de lideranças no estado, a defesa da herança administrativa deixada pelo PSB passou a ganhar espaço entre antigos integrantes da gestão socialista. O discurso busca consolidar a imagem de Paulo Câmara como um gestor técnico, equilibrado e responsável fiscalmente, sobretudo diante dos desafios econômicos e sanitários enfrentados durante seus dois mandatos.