sexta-feira, 9 de outubro de 2026

MARÍLIA ARRAES ASSUME PROTAGONISMO DA ESQUERDA NO NORDESTE E VAI ÀS RUAS COM LULA NO SEGUNDO TURNO

A eleição para o Senado foi apenas o primeiro capítulo. Marília Arraes (PDT) já começa a ocupar um espaço de destaque na articulação da esquerda nordestina e estará ao lado do presidente Lula neste sábado (10), em Natal, na primeira viagem do petista para mobilizar sua campanha no segundo turno. O movimento sinaliza que a pernambucana quer ir além das fronteiras do seu estado e se firmar como uma das principais vozes do campo progressista na região.

Com uma vitória expressiva nas urnas pernambucanas, Marília chega a essa nova etapa fortalecida eleitoralmente e com capital político para ampliar sua influência. Sua presença na agenda de Lula não é apenas um gesto de apoio: representa também uma oportunidade de consolidar seu espaço nas articulações nacionais da esquerda, em um momento decisivo para o futuro político do país.

A mobilização está marcada para as 8h, com concentração na Avenida Coronel Estevam, no bairro do Alecrim. Além de reforçar a campanha de Lula, o ato também dará apoio à candidatura de Cadu de Lula (PT) ao Governo do Rio Grande do Norte.

Marília tem defendido a continuidade do governo petista e aposta no diálogo direto com a população para fortalecer o projeto político da esquerda. A senadora eleita afirma que a confiança recebida dos pernambucanos aumenta sua responsabilidade na disputa nacional.

“Essa é a nossa luta, e vou dedicar toda a minha energia para que Lula siga à frente do país”, declarou.

A nova disputa pelo espaço político da esquerda

A movimentação de Marília ocorre em um momento em que liderança regional não se constrói apenas com votos, mas também com presença, capacidade de articulação e acesso aos principais centros de decisão. Ao acompanhar Lula logo no início da agenda de segundo turno, a pernambucana demonstra disposição para participar ativamente desse jogo.

O desafio agora será transformar o peso conquistado nas urnas em influência duradoura. Marília tem experiência eleitoral, reconhecimento em Pernambuco e uma plataforma que pode ganhar dimensão nacional. Se conseguir ampliar suas alianças e manter presença nas grandes mobilizações do campo progressista, poderá se consolidar como uma das lideranças femininas mais relevantes da esquerda nordestina.

A ida a Natal, portanto, tem significado político que ultrapassa o palanque. Marília quer ocupar espaço, construir pontes e mostrar que sua atuação não ficará restrita ao mandato no Senado. No Nordeste, onde Lula mantém uma base eleitoral estratégica, a pernambucana começa a se movimentar para disputar protagonismo.


ARCOVERDE DECRETA CONTENÇÃO DE DESPESAS E SUSPENDE GASTOS COM EVENTOS ATÉ O FIM DE 2026

Decreto assinado pelo prefeito Zeca Cavalcanti prevê revisão de contratos e cargos, suspensão de diárias e restrições a festividades custeadas com recursos públicos; Natal está mantido como exceção.
A Prefeitura de Arcoverde publicou, nesta sexta-feira (9), o Decreto nº 073/2026, que estabelece medidas de racionalização e controle das despesas públicas para o encerramento do exercício financeiro de 2026. Assinado pelo prefeito Zeca Cavalcanti, o documento prevê cortes de gastos, revisão de contratos e medidas de contenção para buscar o equilíbrio das contas municipais.

De acordo com o decreto, as despesas dos órgãos da administração direta e indireta deverão ficar limitadas ao essencial, com a preservação dos programas sociais e das despesas consideradas prioritárias pela gestão. A medida tem validade até 31 de dezembro de 2026, podendo ser prorrogada por decisão do chefe do Executivo municipal.

Entre as principais medidas está a suspensão de festividades e confraternizações financiadas com recursos públicos, além de subvenções a eventos particulares, cessão de estruturas físicas municipais e compra de fogos de artifício. O decreto estabelece uma exceção para as festividades natalinas, considerando sua importância cultural e econômica.

O documento também suspende a participação de servidores em capacitações, cursos, seminários, feiras, congressos, visitas de cooperação e outros eventos que gerem despesas com diárias, hospedagem e passagens. A concessão de diárias e ajudas de custo ficará restrita aos serviços considerados imprescindíveis ao interesse público.

O decreto determina a revisão da estrutura de cargos comissionados e contratados, com o objetivo de realizar o contingenciamento de pessoal. A análise também abrange serviços prestados por terceiros, pessoas físicas.

Outra medida estabelece que a Secretaria de Finanças promova a anulação de empenhos discricionários, conforme avaliação dos gestores municipais, além daqueles que ainda não tenham sido processados. A pasta ficará responsável por coordenar e fiscalizar as ações de contenção, acompanhar a evolução das receitas e despesas e avaliar os resultados das medidas adotadas. 

O decreto prevê tratamento diferenciado para demandas emergenciais devidamente justificadas, obras de mobilidade urbana e manutenção de serviços públicos essenciais. Nesses casos, as despesas poderão ser autorizadas ou mantidas mediante consentimento do prefeito. As medidas terão o acompanhamento da Controladoria Interna e da Secretaria de Finanças.

ERIK SIMÕES ASSUME PRESIDÊNCIA DO TRE-PE E ANUNCIA POSSÍVEL RENÚNCIA AO CARGO NO FIM DE 2027

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) terá uma nova liderança a partir deste sábado (10). O desembargador Erik Simões foi eleito presidente da Corte pelo Pleno do tribunal nesta sexta-feira (9), sucedendo o desembargador Fernando Cerqueira, que encerra seu biênio à frente da instituição.

A previsão é que Erik Simões permaneça na Presidência até fevereiro de 2028. Mas o novo presidente já sinalizou uma mudança no planejamento da sucessão: durante o discurso de posse, anunciou a intenção de renunciar ao cargo ao final de 2027.

A decisão, segundo explicou, tem como objetivo permitir que o desembargador Alexandre Pimentel, previsto para assumir a vice-presidência em janeiro de 2027, tenha mais tempo à frente do tribunal.

A movimentação antecipa os próximos passos da composição da cúpula da Justiça Eleitoral pernambucana e indica uma articulação voltada à transição de comando. O gesto anunciado por Erik Simões abre caminho para que Alexandre Pimentel possa assumir a Presidência antes do término inicialmente previsto para o atual mandato.

A mudança ocorre em uma instituição estratégica para a democracia, responsável por organizar e fiscalizar o processo eleitoral em Pernambuco, garantindo o cumprimento da legislação e a lisura das eleições.

Blog do Edney — A notícia verdade.

ZÉ ELIAS FORTALECE A PREVIDÊNCIA DE CALÇADO, E IMPC RECEBE MAIS DE R$ 318 MIL DO COMPREV

A previdência municipal de Calçado segue avançando na gestão do prefeito Zé Elias. No início de outubro, o Instituto Municipal de Previdência de Calçado (IMPC) registrou o ingresso de R$ 318.970,62 provenientes do COMPREV, mais um resultado importante para o fortalecimento da estrutura previdenciária do município.

O novo recurso chega em meio a uma sequência de conquistas do Instituto, que vem trabalhando para garantir maior organização administrativa, regularidade e segurança para os servidores municipais, aposentados e pensionistas.

Entre os avanços estão a conquista do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP), a regularização de pendências, o reconhecimento por meio de premiação e a doação de um prédio para a instalação da sede própria do IMPC. Medidas que reforçam a estrutura do órgão e demonstram a importância de uma gestão responsável dos recursos previdenciários.

O resultado também é atribuído ao trabalho dos servidores e conselheiros do Instituto, além do apoio da Câmara Municipal na aprovação de iniciativas voltadas ao fortalecimento da previdência própria.

Para o prefeito Zé Elias, os avanços representam mais do que números: significam trabalhar para garantir melhores condições administrativas e mais segurança para quem dedicou anos de serviço ao município.

Em Calçado, o fortalecimento do IMPC entra na lista de resultados da gestão municipal, com medidas que buscam consolidar a previdência dos servidores e preparar o Instituto para os desafios dos próximos anos.

ATLAS/BLOOMBERG: FLÁVIO BOLSONARO TEM 52,8% DOS VOTOS VÁLIDOS CONTRA 47,2% DE LULA NO SEGUNDO TURNO

Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta sexta-feira (9) mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 52,8% das intenções de votos válidos, contra 47,2% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um eventual resultado de segundo turno da disputa presidencial.

Nos votos totais, Flávio aparece com 51,1%, enquanto Lula registra 45,7%. Brancos, nulos e eleitores que não souberam responder somam 3,2%.

O levantamento ouviu 5.026 pessoas por meio de recrutamento digital aleatório, entre os dias 3 e 8 de outubro. A pesquisa foi realizada pela internet, tem margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03663/2026.

Os votos válidos excluem os votos brancos e nulos e são utilizados pela Justiça Eleitoral para calcular o resultado oficial das eleições. Os números retratam o cenário captado pela pesquisa no período da coleta e não representam o resultado oficial das urnas.

Fonte: UOL — pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 9 de outubro de 2026.


PREFEITURA DE GOIANA DISCUTE ADEQUAÇÃO DA GESTÃO MUNICIPAL À REFORMA TRIBUTÁRIA EM CURSO DA FADIMAB

A preparação de Goiana para as mudanças decorrentes da Reforma Tributária foi tema de um curso promovido nesta sexta-feira (9) pela Escola de Governo Municipal da FADIMAB. A capacitação reuniu representantes dos poderes Executivo e Legislativo e servidores municipais para discutir os impactos da reforma sobre a arrecadação, a legislação e a organização administrativa do município.

A programação foi conduzida pelo professor Adriano Luiz Leocadio, secretário de Finanças e Gestão de Santos (SP), presidente da Associação das Secretarias Municipais de Finanças do Estado de São Paulo (ASSEFIN-SP) e integrante do Conselho Superior do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Durante a palestra, foram abordadas as mudanças na tributação sobre o consumo, o período de transição para o novo modelo e as medidas que precisam ser planejadas pelo município. Entre os pontos discutidos estiveram o marco normativo da reforma, as regras gerais e suas exceções, a nova estrutura do contencioso administrativo tributário e a necessidade de adequação da legislação municipal, incluindo aspectos relacionados ao IPTU e ao ITBI, além da gestão de pessoas e carreiras.

O palestrante destacou que a preparação exige atuação integrada de diferentes setores da administração pública. "Entre as áreas que precisam iniciar ou intensificar o planejamento estão Finanças, Procuradoria, Contabilidade, Tecnologia da Informação e os setores responsáveis por contratos e licitações. As mudanças legislativas também demandam articulação com a Câmara Municipal e atenção ao calendário legislativo", pontuou.

Um dos destaques do encontro foi a análise das particularidades econômicas e administrativas de Goiana. Adriano Luiz Leocadio informou que elaborou um relatório sobre o município, que foi entregue ao prefeito Marcílio Régio, com informações destinadas a subsidiar o acompanhamento dos impactos da reforma e o planejamento das medidas necessárias.

O professor também anunciou que Goiana passará a integrar o grupo de municípios acompanhados pela ASSEFIN-SP, iniciativa voltada ao monitoramento dos passos da administração municipal diante das mudanças tributárias.

Ao abordar a preparação do município, o palestrante ainda ressaltou que os efeitos da reforma ultrapassam o período da atual administração e exigem planejamento de longo prazo. A avaliação da atividade econômica local, dos sistemas utilizados pela Prefeitura, dos cadastros e da estrutura das equipes técnicas está entre os aspectos importantes para orientar as decisões.

"A transição para o novo sistema de tributação sobre o consumo será gradual, com mudanças previstas ao longo dos próximos anos. Por isso, a organização administrativa e a adaptação dos sistemas e das normas municipais precisam começar antes da conclusão desse processo", alertou Adriano.

O prefeito Marcílio Régio participou da abertura do evento e agradeceu a contribuição do palestrante para a preparação do município. Na ocasião, destacou a importância de Goiana se antecipar às mudanças e se organizar para os desafios futuros. "A reforma tributária sobre o consumo prevê mudanças na estrutura de tributos e na distribuição das receitas entre os entes federativos, com a implantação gradual do novo modelo. Nesse cenário, o acompanhamento das alterações e a preparação das nossas equipes técnicas são importantes para que Goiana se adapte às novas regras e avalie seus possíveis reflexos na arrecadação e na organização administrativa", destacou Marcílio.

A vice-prefeita Lícia Maciel ressaltou o papel da Escola de Governo Municipal na qualificação do trabalho desenvolvido pela administração pública. Segundo ela, o planejamento preventivo, a atenção às mudanças e o alinhamento entre as equipes são fundamentais para alcançar os objetivos da gestão.

A presidente da Amesg/Fadimab, Daniele Senna, agradeceu a participação dos presentes e destacou a importância do apoio institucional à realização de capacitações voltadas aos servidores municipais.

O procurador-geral do município, Rodrigo Augusto, também enfatizou a relevância do estudo sobre Goiana e do planejamento técnico para a tomada de decisões. Segundo ele, o relatório elaborado pelo palestrante poderá contribuir para a avaliação dos impactos da reforma e para o acompanhamento dos avanços já registrados por Goiana.

O líder do governo na Câmara Municipal, vereador Alexandre de Carvalho, chamou atenção para a importância de medidas tributárias que nem sempre são percebidas diretamente pela população, mas que integram a organização financeira e administrativa da cidade.

A programação foi dividida em dois períodos. Pela manhã, o conteúdo foi direcionado a prefeitos, secretários, gestores, vereadores e lideranças municipais. À tarde, a capacitação teve como público-alvo servidores municipais, técnicos fazendários, fiscais e auditores tributários, com foco nos aspectos da Reforma Tributária e em seus impactos na gestão pública.

JAMELÃO MOSTRA QUE TEM VOTO, PEITA PRESSÕES E GARANTE ESPAÇO PRÓPRIO NO GRUPO DE JÚNIOR DE RIVALDO EM SALOÁ

O presidente da Câmara apoiou Jarbas Filho e Fernando Monteiro, conquistou votação para seus candidatos e deixou um recado nos bastidores: estar na base do prefeito não significa abrir mão da própria força política.

Em política, discurso é discurso. Na hora da urna, porém, é o voto que separa quem apenas ocupa espaço de quem realmente tem força para negociar. Em Saloá, o vereador José Francisco Curvelo, o popular Jamelão (MDB), presidente da Câmara Municipal, chega ao pós-eleição com números que merecem atenção e uma mensagem direta para o cenário político local: tem grupo, tem eleitor e não pretende ser apenas mais um na fotografia do governo.

Integrante da base do prefeito Júnior de Rivaldo (PP), Jamelão trabalhou pelas candidaturas de Jarbas Filho (PSD), para deputado estadual, e Fernando Monteiro (PSD), para deputado federal. O resultado foi de 692 votos para Jarbas Filho e 772 para Fernando Monteiro no município. Uma votação que, embora distante dos números dos candidatos majoritários do grupo governista, evidencia a capacidade do vereador de mobilizar uma parcela do eleitorado em torno de seus próprios compromissos políticos.

O detalhe que apimenta essa história está nos bastidores. No início da campanha, Jamelão foi a público, durante pronunciamento na Câmara, para deixar claro que não aceitaria interferências na sua atuação eleitoral. Disse que tinha “munição” para recorrer ao Ministério Público caso fosse impedido de trabalhar pelas candidaturas que havia escolhido. Não foi um recado delicado, desses que se perdem no vento. Foi uma demonstração pública de que pretendia preservar seu espaço.

Agora, com a eleição encerrada, os votos entram na conversa. Jamelão continua na base de Júnior de Rivaldo, mas mostrou que sua atuação política não se resume a seguir automaticamente todas as escolhas do grupo. Em uma cidade onde alianças, cargos e apoios pesam nas decisões, conseguir levar votos para candidatos próprios representa capital político e amplia o poder de diálogo do vereador.

É preciso, porém, separar força própria de hegemonia eleitoral. Os números de Jarbas Filho e Fernando Monteiro não colocam Jamelão acima da estrutura governista, mas mostram que ele conserva uma parcela do eleitorado e tem condições de reivindicar reconhecimento dentro da aliança. Política não se mede apenas pela quantidade de votos de um candidato, mas também pela capacidade de cada liderança de entregar resultados e sustentar seus compromissos.

Jamelão tem vários mandatos no Legislativo, preside a Câmara e mantém atuação em pautas ligadas à saúde, às associações e às demandas da zona rural. Agora, acrescenta à sua trajetória um argumento eleitoral que poderá pesar nas próximas conversas do grupo.

A pergunta que fica em Saloá é simples: até onde vai a autonomia de quem está no governo, mas deseja manter voz própria? Jamelão resolveu testar esse limite durante a campanha e, depois das urnas, tem números para colocar na mesa.

NA LUPA: Jamelão não derrubou o prefeito, não virou dono dos votos de Saloá e tampouco rompeu com o governo. Mas mostrou que não quer ser tratado como figurante. Em política, quem entrega votos espera ser ouvido. E ignorar uma liderança que demonstra força nas urnas pode custar caro quando chegar a hora de montar o próximo tabuleiro eleitoral.

A SOBERBA, A QUEDA E AS PEDRAS QUE CLAMARAM - BRUNO BRENNAND

Em artigo publicado originalmente no Blog Edmar Lyra, Bruno Brennand apresenta uma reflexão contundente sobre a derrota de João Campos, a vitória de Raquel Lyra e o peso dos legados políticos em Pernambuco. O texto ganha força ao reunir análise eleitoral, referências bíblicas e um relato pessoal marcante sobre os bastidores do traslado dos restos mortais de Eduardo Campos, em agosto de 2014.

A política pernambucana ainda repercute os resultados das eleições de 2026, mas algumas análises vão além dos números das urnas e mergulham na história, na memória e nas responsabilidades de quem herda grandes sobrenomes políticos.

É nessa perspectiva que Bruno Brennand assina o artigo “A soberba, a queda e as pedras que clamaram”, publicado originalmente no Blog Edmar Lyra. Com uma narrativa forte e carregada de simbolismo, o autor confronta a trajetória eleitoral de Raquel Lyra e João Campos, refletindo sobre como a confiança excessiva, a percepção de invencibilidade e a maneira de conduzir uma campanha podem influenciar os rumos de uma disputa.

O texto destaca a resistência política de Raquel Lyra diante das desconfianças que marcaram parte de sua caminhada eleitoral e questiona as escolhas de João Campos durante a campanha, especialmente diante do peso histórico dos sobrenomes Arraes e Campos. Para Brennand, a herança política pode abrir caminhos, mas não garante, por si só, a legitimidade de um legado.

O ponto mais impactante do artigo, entretanto, está no relato pessoal do autor sobre os acontecimentos que se seguiram à morte do ex-governador Eduardo Campos, em 13 de agosto de 2014. Brennand conta que esteve no Instituto Médico Legal de São Paulo, viajou a Santos para providenciar a documentação necessária e retornou a Pernambuco no avião da Força Aérea Brasileira que transportou os corpos das vítimas da tragédia. Ele também relata ter participado do momento em que o caixão de Eduardo foi carregado no Recife.

É a partir dessa experiência, apresentada como testemunho pessoal, que o autor estabelece uma ligação entre as pedras mencionadas no relato e a passagem bíblica de Lucas 19:40: “Se estes se calarem, as próprias pedras clamarão”. A referência se transforma no eixo central de uma reflexão sobre memória, responsabilidade política e o significado de carregar um sobrenome que marcou a história de Pernambuco.

Sem falar em nome de Eduardo Campos, Brennand questiona se o legado político construído pelo ex-governador está sendo preservado pelas novas gerações. A reflexão se estende à própria natureza da política, lembrando que tradições familiares e estruturas partidárias não substituem o julgamento soberano do eleitor.

Pela força do relato, pelo conteúdo histórico e pelo tom crítico da análise, o artigo merece ser conhecido pelos leitores do Blog do Edney. A seguir, publicamos na íntegra o texto original de Bruno Brennand, preservando o título e o conteúdo da publicação feita inicialmente no Blog Edmar Lyra.

Segue...

A soberba, a queda e as pedras que clamaram

Há derrotas que começam muito antes da abertura das urnas. Começam no instante em que alguém deixa de acreditar na invencibilidade do adversário.

Durante muito tempo, João Campos pareceu imbatível. Tinha juventude, sobrenome, estrutura política, exposição nacional e o peso de uma organização partidária que conhece como poucas os caminhos de uma eleição em Pernambuco.

A eleição para o Governo do Estado parecia, para muitos, menos uma disputa do que a próxima etapa de uma trajetória política previamente desenhada.

Do outro lado estava Raquel Lyra.

E talvez tenha sido esse o primeiro grande erro de avaliação de seus adversários.

Raquel entrou na disputa cercada de desconfiança. Questionava-se sua comunicação, sua popularidade, sua capacidade de articulação e até sua força para enfrentar um adversário apresentado como eleitoralmente poderoso.

Enquanto João era tratado como fenômeno, Raquel precisava diariamente provar que continuava no jogo.

Ela, porém, permaneceu.

Não confundiu fotografia com filme. Não tomou pesquisa por sentença. Não tentou ganhar a eleição antes do tempo.

Governou. Suportou críticas. Reorganizou alianças. Enfrentou dificuldades. Errou e acertou. Mas continuou caminhando quando muita gente já escrevia antecipadamente o roteiro de sua derrota.

Essa talvez tenha sido uma de suas principais características políticas durante todo o processo: resiliência.

Quando lhe disseram que João era imbatível, ela não precisava responder que o venceria.

Precisava apenas continuar.

E continuou.

Aos poucos, a percepção de uma eleição decidida antecipadamente começou a ser substituída pela percepção de uma disputa real.

E isso produz um fenômeno curioso na política: a força de determinados candidatos não está apenas nos votos que possuem, mas na crença coletiva de que não podem ser derrotados.

Quando essa crença desaparece, o gigante continua grande.

Mas deixa de ser invulnerável.

João Campos, entretanto, seguiu outro caminho.

Confiante na força eleitoral do PSB, na capacidade de sua estrutura política e no patrimônio eleitoral acumulado ao longo de gerações, conduziu uma campanha que, na minha avaliação, ultrapassou fronteiras que seu bisavô, Miguel Arraes, e seu pai, Eduardo Campos, conheciam muito bem.

Vi uma campanha agressiva, por vezes rasteira e, em determinados episódios, incompatível com o legado político que o próprio candidato reivindicava.

Talvez tenha acreditado demais na máquina, no marketing e na conhecida capacidade do PSB de disputar eleições.

E há nisso uma ironia quase arquitetônica.

Quanto maior a altura, maior pode ser a queda.

Do nono andar da Prefeitura do Recife, talvez o chão parecesse muito distante.

Mas a advertência é mais antiga do que pesquisas eleitorais, redes sociais, marqueteiros e partidos políticos:

“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.”

Provérbios 16:18.

Os antigos já sabiam.

Salomão já advertia.

Faltavam apenas as pedras.

Em uma das passagens mais poderosas do Evangelho de Lucas, quando alguns fariseus pedem a Jesus que repreenda seus discípulos, Cristo responde:

“Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão.”

Lucas 19:40.

E é exatamente neste ponto que preciso abandonar por alguns instantes a análise política.

Porque há uma história que nunca contei publicamente.

E não a conheço por jornais.

Eu estava lá.

Quando Eduardo Campos morreu naquele trágico 13 de agosto de 2014, acompanhei pessoalmente parte daquele doloroso percurso.

Estive no Instituto Médico Legal de São Paulo.

Fui a Santos para providenciar a certidão de óbito exigida pela Aeronáutica.

Depois retornei a São Paulo.

E de lá embarquei no Hércules da Força Aérea Brasileira que trouxe os corpos para Pernambuco.

Durante aquela viagem, cinco caixões estavam ao meu lado.

É uma imagem que o tempo não apaga.

Quando o avião pousou no Recife, eu estava entre aqueles que carregaram o caixão de Eduardo Campos.

As fotografias daquele dia registram minha presença.

Mas existe algo que nenhuma fotografia poderia mostrar.

Havia muito pouco de seus restos mortais.

E relato agora exclusivamente aquilo que testemunhei pessoalmente: pedras foram colocadas no caixão para conferir à urna o peso de um corpo.

Pedras.

Mais de uma década depois, diante da campanha protagonizada pelo filho de Eduardo, aquela lembrança retornou à minha memória com uma força que jamais imaginei.

“Se estes se calarem, as próprias pedras clamarão.”

De repente, o versículo ganhou para mim um significado perturbadoramente literal.

Porque aquelas não eram pedras quaisquer.

Eram as pedras que viajaram conosco.

As pedras que deram peso ao caixão de Eduardo Campos.

As pedras que acompanharam o retorno a Pernambuco de um homem cuja morte parou o Estado e cuja memória se transformaria em um dos maiores patrimônios políticos de sua família.

E são justamente essas pedras que me fazem formular a pergunta mais difícil deste artigo:

O que Eduardo Campos pensaria da campanha feita por seu filho em nome de um legado que também é o seu?

Não responderei por Eduardo.

Os mortos não podem ser convocados como cabos eleitorais dos vivos.

Seria intelectualmente desonesto atribuir-lhe palavras que nunca pronunciou.

Mas posso falar daquilo que testemunhei.

Posso confrontar métodos com histórias.

Posso comparar a maneira como conheci Eduardo fazendo política com aquilo que presenciei nesta eleição.

E posso dizer que sobrenome não é salvo-conduto.

Herança familiar não é herança moral.

Muito menos herança política.

João recebeu um nome extraordinariamente poderoso na história de Pernambuco. Recebeu uma tradição política que passa por Miguel Arraes e Eduardo Campos. Recebeu uma estrutura partidária construída durante décadas. Recebeu, sobretudo, um patrimônio simbólico que poucos políticos brasileiros de sua geração tiveram o privilégio de receber.

Mas justamente por isso sua responsabilidade era maior.

Quanto maior a herança, maior a obrigação de preservá-la.

E talvez aí esteja uma das grandes lições desta eleição.

Raquel Lyra enfrentou a desconfiança e permaneceu.

João Campos enfrentou a confiança e precisou administrar o peso dela.

Uma começou tendo de provar que poderia disputar.

O outro começou cercado pela expectativa de que naturalmente chegaria ao destino.

A política, porém, tem profunda aversão aos destinos previamente escritos.

As urnas não reconhecem dinastias.

O eleitor não recebe ordens da história.

E nenhuma eleição pertence antecipadamente a alguém.

No final, talvez os provérbios estivessem certos desde o princípio.

A soberba precede a queda.

E talvez Lucas também estivesse.

Porque existem momentos em que homens se calam, aliados se calam, partidos se calam e conveniências políticas recomendam silêncio.

Nesses momentos, restam as pedras.

Eu sei.

Eu as vi.

Viajei com elas.

E jamais poderia imaginar que, tantos anos depois, ainda teria de ouvi-las clamar.

Sobrenomes são herdados.

Mandatos são conquistados.

Legados precisam ser merecidos.

E a história, essa não pertence a ninguém.

Por Bruno Brennand